
Foto: Divulgação
Ser, sentir e comunicar. A comunicação é uma das habilidades essenciais para o sucesso pessoal e profissional, mas muitos adolescentes enfrentam dificuldades em se comunicar, seja por timidez, baixa autoestima, transtornos de fala ou pela falta de oportunidade de praticar.
Dentro desse contexto surge o Instituto João Gomes, trabalho social do meio campista ex-Flamengo, que atualmente joga no Wolverhampton, da Inglaterra. Tímido fora de campo, avesso às entrevistas, João Gomes foi retraído durante toda a infância e adolescência por conta da disfluência, mais conhecida como gagueira.
Desse modo, o desconforto virou força para agora lançar um projeto social completo, voltado para crianças e adolescentes com dificuldade de comunicação. Assim, o volante consegue dar um suporte que ele não teve no passado.
“Eu descobri que precisava enfrentar meus medos, por mim e por tantas outras crianças, adolescentes e adultos que sofrem diariamente com a dificuldade de comunicação. Como eu sofri. Quero mostrar que elas podem se tornar o que elas quiserem ser. É um trabalho de longo prazo, mas quero aproveitar o alcance das minhas redes para falar sobre o assunto, para apoiar essa molecada. Minha ideia é ser uma referência para eles e apoiar naquilo que for possível”, explica João.
O Instituto João Gomes vai atender inicialmente crianças da rede pública de ensino e está negociando para começar as atividades com as crianças do Ensino Fundamental nas escolas municipais General Napion e Leonel Brizola, próximas ao Piscinão de Ramos, onde ele nasceu e acabou criado.
“Vamos fazer um trabalho profundo com as escolas, dando para as professoras ferramentas que ajudem na identificação dessas dificuldades de comunicação e possam interferir, promovendo o desenvolvimento pessoal e social dessas crianças”, explica Camilo Coelho, diretor do Instituto João Gomes.
Entre as atividades com as crianças, estão previstas oficinas de autoconhecimento, círculos de diálogo e empatia, laboratórios de fala, atendimento individualizado e em grupo, oficinas de educação midiática e um trabalho de comunicação em inglês usando as redes sociais.
O projeto começará já em dezembro, mesmo com o fim do ano letivo, para a montagem de um planejamento das ações em conjunto com a direção das escolas. Ainda em 2025 serão realizadas as primeiras oficinas para as professoras da rede municipal de ensino. A ideia é que no ano que vem as ações sejam implantadas, chegando efetivamente nas crianças.
“Eu quero ser exemplo para essa molecada, mas também quero ser uma pessoa melhor. Por isso decidi encarar essa questão de frente, perdi a vergonha de me expor e vou usar tudo o que passei para que outras crianças não tenham que passar pela mesma coisa. Mas também quero ser exemplo pro meu filho, a maior realização da minha vida. Ele está começando agora a se comunicar, está se desenvolvendo e quero estar ao lado dele em todos esses momentos”, finaliza João.
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