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Histórias da Copa: Rodrigo Paiva conta bastidores do penta em 2002 e faz projeção para jogadores do Flamengo

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Rodrigo Paiva era diretor de comunicação da CBF em 2002


Por: Mônica Alves e Pedro Paulo Catonho

De 1998 a 2014, Rodrigo Paiva viveu todos os cenários possíveis como diretor de comunicação da Confederação Brasileira de Futebol (CBF). Da convulsão de Ronaldo na França, o ápice do penta no Japão e ao golpe de 7 a 1 da Alemanha em Belo Horizonte, o atual diretor de comunicação do Flamengo conta um pouco do que viveu em cinco Copas do Mundo em entrevista exclusiva ao Coluna do Fla.

Além disso, Rodrigo Paiva comentou sobre a expectativa para acompanhar de perto os jogadores do Flamengo na Copa do Mundo. Para o diretor, mais rubro-negros deveriam estar nos Estados Unidos, no México e no Canadá para o principal torneio do planeta.

2026 E 2002 COM SEMELHANÇAS?

Assim como em 2026, o Brasil chegou à Coreia do Sul e ao Japão desacreditado. Com campanha irregular nas Eliminatórias da Copa do Mundo, os torcedores não esperavam um bom desempenho do time de Felipão, Ronaldo e Rivaldo. Até certo ponto, Paiva vê semelhança com o momento atual.

É uma geração que está parte dela se despedindo, como era naquela época. É uma geração que é superconsagrada no mundo, mas que ainda falta um título desse tamanho para a carreira deles ser coroada de vez, como foi assim para o Messi na Argentina na Copa passada. Então, acho que tem muitas semelhanças. São jogadores que são admirados no mundo inteiro, todos eles jogando em grandes clubes, disputando até as etapas finais das grandes competições da Europa —, iniciou Paiva.

Tem muito talento, tem um treinador super competente (Carlo Ancelotti), vencedor e que parece conhecer tremendamente de grupo. Então, sim, tem todos os ingredientes e uma administração da CBF que é séria. Tem todos os ingredientes para dar certo. O futebol para a Copa do Mundo, para a seleção brasileira, começa a partir das quartas de final. Até lá é para acertar o time e azeitar a máquina. E a partir dali é erro zero. E esse time tem experiência suficiente para isso —, acrescentou.

HISTÓRIAS DO PENTA

O fato de estar em um seleto grupo de campeões do mundo enche Rodrigo Paiva de orgulho. Afinal, em quase 100 anos de Mundiais, somente cinco equipes do Brasil levantaram a taça. Por isso, o diretor de comunicação do Flamengo trava o penta como “momento único da vida”. Confira, abaixo, a íntegra da entrevista.

QUAL É A SENSAÇÃO DE SER PENTACAMPEÃO?

Você fazer parte de uma dessas conquistas é fantástico. Chegar à final também é algo dificílimo. A Copa do Mundo ela é ganha nos detalhes. E a de 2002, eu acho que, além do talento dos jogadores, que eram jogadores incríveis, o ambiente foi maravilhoso. O ambiente que os jogadores, que o Felipão, que a comissão técnica criou para si, foi maravilhoso. E, eu acho que esse é o grande segredo.

QUAL FOI O DIFERENCIAL DAQUELA EQUIPE DE 2022?

Naquele tempo, ainda dava para treinar um pouco. Hoje em dia, isso é impossível. Mas, naquele tempo, houve tempo para preparação. Teve amistosos em Barcelona, na Malásia, também. Um período antes de iniciar a Copa. Então, teve mais tempo para treinar.

RONALDO DESACREDITADO?

Naquela Copa, que eu trabalhava ainda com o Ronaldo também, era da seleção e trabalhava com Ronaldo, era o maior desafio que o Felipão bancou o Ronaldo. E bancou o Ronaldo, sem o Ronaldo praticamente ter jogado por quase dois anos. Ele teve muitas dificuldades na Itália (quando jogava na Inter de Milão). O treinador não colocava ele para adquirir ritmo, voltando da lesão. E aí, ele acabou vindo para o Brasil. Então, assim, era um desafio. Mas, ali, existiam outros desafios também.

QUAIS FORAM AS OUTRAS BARREIRAS DA ÉPOCA, ENTÃO?

Do Felipão, que teve que enfrentar um Brasil contra ele, por causa (da não convocação) do Romário. Do Rivaldo, que era um craque, um gênio, e que precisava de um título desse tamanho para se consolidar de vez. Ele ainda era visto com muita desconfiança pelo brasileiro. Do Roberto Carlos, que era muito questionado, embora fosse um dos maiores vencedores da história do futebol brasileiro. Um lateral com várias conquistas pelo Real Madrid. Um cara que o brasileiro também olhava ‘ressabiado’. Então, eram mais aqueles que estavam chegando, que precisavam se firmar e que o Felipão apostou. Então, ali era uma Copa de muitos desafios. Como todas, né?

FAMÍLIA SCOLARI

Os jogadores se uniram com a comissão técnica e fizeram um grupo que realmente pode se chamar de uma família. E era uma coisa mais leve, descontraída. Não tinha tanto peso. E existia também muita proximidade com o torcedor, com a imprensa. Era uma Copa muito aberta. De muito contato com todos os universos do futebol. E é, assim, uma lembrança inesquecível.

ROGÉRIO CENI VIDENTE?

Eu lembro que estava 2×0 (na final contra a Alemanha), faltava um pouco. Assim, o Rogério Ceni ficava do meu lado no banco, né? Que eu ficava no banco. E eu perguntava, “mas, Rogério, tem algum risco”? Ele falava: “Esquece. Nós somos campeões do mundo já”. Ainda faltando 15 minutos. Porque eu nem acreditava que aquilo estava acontecendo. Aí começaram a trazer as bandeiras para o banco. Umas camisas também, que era para botar. Com a quinta estrela. É uma sensação incrível. Eu tenho em casa, assim, a camisa ainda com quatro estrelas. E tenho também com três. É muita história. É muito tempo no futebol.

PORTANTO, QUAIS ERA AS DIFICULDADES DE COMUNICAÇÃO NA ÉPOCA?

Tem muitas histórias, né? Umas que talvez não dê pra contar, outras que ainda dá pra contar. Mas, assim, eu lembro, por exemplo, que não existia… A internet estava engatinhando, TV a cabo praticamente não existia, o contato com o Brasil era nenhum. Os telefones celulares, tinha que arrumar um telefone japonês pra poder falar no Brasil. Não existia celular brasileiro que pegasse na Ásia, era um sistema diferente, então você não tinha imagem, não tinha contato, não tinha acesso ao que se passava no Brasil e a seleção saiu muito desacreditada.

COMO A TELEVISÃO AJUDOU NO PENTA?

O feedback que eu tinha das pessoas é que com as vitórias, o Brasil estava ‘virando’. Quando a gente chegou na semifinal, o Felipão pediu “vê se você consegue umas imagens do Brasil pra gente montar um clipe pra passar na seleção”. Os jogadores gostavam de ouvir no ônibus aquela música da Ivete Sangalo, “A festa”, que acabou ficando imortalizada. Então, pela primeira vez a Globo conseguiu gerar as imagens do Brasil pra gente, porque normalmente o satélite da Globo mandava as imagens do Japão para o Brasil para eles fazerem o jornalismo deles, e era a Globo que tava ali transmitindo com exclusividade.

E aí eu pedi ao Luiz Fernando Lima e ao João Ramalho, que eram os diretores da Globo, que eles conseguiam fazer o inverso gerar do Brasil pro Japão imagens do povo, da festa, do que os jogadores estavam conquistando, do quanto eles viraram o torcedor pro lado deles. E a Globo conseguiu mandar isso. Aí a gente colou a música que eles gostavam, que era a festa, e a gente fez o clipe que foi apresentado na semifinal, na véspera do jogo da semifinal contra a Turquia, para os jogadores. Aquilo ali deu uma ‘liga’ neles, fantástica, saíram quicando da preleção. Ganhamos da Turquia e fomos à final, aí o Felipão falou “temos que repetir”, vamos fazer outro vídeo.

Aí a gente fez um vídeo com todo mundo que participou do processo, desde cozinheira, nutricionista, as pessoas que ficaram no Brasil. Eram imagens de todas as pessoas e misturado com os gols que eles tinham feito e também com reações da torcida. E, a gente fez um clipe e colocou a música do Zeca Pagodinho, que naquela época também não era conhecida muito ainda, e “vai rolar a festa”. Então montamos esse clipe da final, que foi fantástico, E essas duas músicas ficaram imortalizadas. E são meio a cara da seleção até hoje. Mas você vê que não foi uma coisa planejada. Foi uma coisa do sentimento deles. Não era nada imposto, uma música que alguém gostasse, ou quisesse fazer algo comercial. Era música que eles gostavam de cantar no ônibus, ou ouvir nos ônibus. E aí a gente fez esses dois clipes que ficaram imortalizados até hoje.

SENTE SAUDADES DESSA ÉPOCA?

Essa questão da saudade, o futebol é muito dinâmico, a gente vive muito o presente. Eu não fico lembrando tanto do passado, eu tenho um passado recente imenso para comemorar. Ter feito parte do grupo do ano passado no Flamengo, que conquistou todos os títulos com um ambiente maravilhoso, com o talento desses jogadores incríveis, que entrou para a história também da vida do Flamengo.

O futebol é muito assim, viver o hoje e o amanhã, e não olhar muito para trás. Mas se eu olhar para trás, eu tenho uma vida incrível no esporte, eu nunca imaginei chegar tão longe, ter trabalhado com o Romário, com o Ronaldo, com exclusividade, com os dois, ter sido diretor de comunicação da Copa do Mundo no Brasil por quatro anos, escolhido pela FIFA, ter comandado a comunicação da CBF em cinco Copas do Mundo, ter começado minha vida no Flamengo, ter sido campeão brasileiro de 92, campeão estadual de 91, e depois aqui voltar a viver jogos incríveis, emoções incríveis com o Flamengo. É muito gratificante lembrar disso tudo. E eu sinto saudade das pessoas. Daquele momento. Depois eu voltei lá no Japão algumas vezes, e aí aquilo mexe um pouco com a gente. Mas, graças a Deus, todo mundo seguiu em frente, seguiu bem.

AINDA TEM CONTATO COM O PESSOAL DE 2002?

Tenho um carinho imenso por todas aquelas pessoas que fizeram parte daquele momento, e que me ajudaram tanto, principalmente jogadores, comissão técnica, Felipão, e acho que quando a gente se encontra, todos aqueles que estiveram lá… E, assim, os jogadores davam entrevista todos os dias, passavam por uma zona mista todos os dias, chegavam no hotel, a imprensa estava lá, no nosso andar, eu lembro de… a gente era o único lugar no Japão que tinha arroz e feijão, e um dia a gente chamou o jornalista para comer arroz com feijão, depois de quase 40 dias sem isso.

E estava Fátima Bernardes, Mauro Naves, um monte de gente, Galvão (Bueno), tanta gente que estava lá. Que tinha muitos jornalistas, era muita imprensa. A entrevista coletiva da véspera da final foram 1.300 jornalistas. Quase 1.400. A entrevista coletiva no nosso hotel, foi gigantesca. E lembrando, assim, fazendo um paralelo com 2014. A gente tinha em 2014 na Granja Comary, na preparação da seleção, diariamente mil jornalistas, e não fez nenhum treino fechado. Então, assim, era um momento diferente do futebol. Era um outro conceito, de mais proximidade. Essas coisas eu gosto de lembrar e sinto saudade.

SE O PENTA É O MELHOR MOMENTO, O 7 A 1 É O PIOR?

A maior derrota talvez da história do futebol brasileiro. Eu tinha sido suspenso e não podia nem ir para o vestiário (contra a Alemanha). Eu chegava no ônibus e ia direto para a tribuna.

POR QUE FOI SUSPENSO?

Foi um momento muito difícil, porque fui separar uma briga e o (Carlos Alberto) Parreira pediu: “vai lá Rodrigo, você que é calmo, separa a briga”. Aí, o chileno (nas oitavas de final) me deu um empurrão, eu revidei, o juiz estava passando na hora e me expulsou. Fiquei fora daquele jogo, na tribuna, e não pude ajudar de alguma maneira naquele momento tão difícil.

COMO FOI O PÓS 7 A 1?

Lembro daquele momento, do quanto uma derrota pode ser dolorosa, do quanto foi sofrido aquilo para todo mundo. Tivemos que voltar de Belo Horizonte para o Rio e, quando chegamos, não fomos para as nossas casas… tivemos que subir até a Granja Comary, já de manhã. Lembro de só escutar o choro no ônibus, um silêncio profundo, ninguém falava nada por horas. Aquele momento, para mim, foi de muito aprendizado, de ver o quanto a dor precisa trazer lucidez.

Conversei com o Felipão já de manhã, porque ninguém dormiu a noite toda. Eu falei: Felipão, a gente falou ontem no estádio, deu a entrevista coletiva, mas eu tenho uma ideia: acho que a gente tem que ter coragem e ir lá enfrentar. Deu tudo errado, não era para ser assim, foi o que o destino reservou para a gente, mas temos que encarar.

QUAL FOI A SUA IDEIA?

Sugeri convocarmos uma entrevista coletiva, sentarmos ali e deixarmos bater. Eu disse: a gente tem uma história no futebol, todos aqui, que nos permite ter coragem de encarar a imprensa e assumir nossos erros. Ele falou: pode marcar que eu vou. O que foi mais bacana é que toda a comissão estava na mesa. Todos começaram a falar: eu vou. O Runco falou, o Parreira falou, o Paulo Paixão, preparador físico, falou. Todos foram.

A imprensa não entendeu nada, porque ninguém esperava. O certo seria sumir e se esconder, mas eles tiveram a coragem. Foi uma hora de críticas e questionamentos. Pelo resultado, não poderia ter sido diferente, mas é aí que você vê por que as pessoas são vencedoras na vida: sem coragem, não se vence. Não podemos nunca ter vergonha de ter tentado fazer o melhor.

“PIOR SEMANA DA MINHA VIDA”

É um momento inesquecível para mim, ter feito parte de um grupo que ganhou em 2002 e perdeu daquele jeito em 2014. Eram basicamente os mesmos profissionais, reforçados por um Parreira. Eram dois técnicos campeões do mundo. Existem mil motivos, nos quais não vou me aprofundar. Talvez tenham sido os piores dez dias da minha vida. Porque eu fui expulso no jogo e fiquei fora desse jogo da Alemanha, da semifinal.

Se a gente tivesse ganho, teria ido a final da Copa do Mundo no Maracanã. E era, por incrível pareça, o melhor resultado do Brasil desde 2002. Numa Copa, embora seja a pior derrota do Brasil. E a última coisa é que nessa mesma semana a minha mãe faleceu. Quer dizer, são três coisas assim e a pior delas ainda veio depois. Que foi o falecimento da minha mãe e eu não pude nem estar na disputa do terceiro lugar. Depois do jogo da Alemanha, minha mãe faleceu dois dias depois. Então, assim, foi a pior semana da minha vida.

SOBRE 2026, OS JOGADORES DO FLAMENGO MERECEM MAIS ESPAÇO NA SELEÇÃO?

Para mim, todos os jogadores do Flamengo, eu acho que ainda tinha mais gente que podia ter ido. Estão num momento incrível das suas carreiras. Tem experiência aliado à capacidade, qualidade. Eu acho até que o Flamengo poderia ainda ter oferecido mais jogadores. E acho que uma Copa do Mundo, eu conheço Copa do Mundo. Copa do Mundo é ter um grupo… de pelo menos 16, 17 jogadores que vão ser fundamentais. E muito se ajusta durante a competição. Então acho que todos têm chance de conseguir vaga de titular. E todos têm chance de participar intensamente dessa conquista.

O BRASIL PERDEU O WESLEY, CORTADO. QUAIS CORTES VOCÊ VIVENCIOU NOS SEUS TEMPOS DE CBF?

O corte é um dos momentos mais duros para uma seleção, porque envolve os sonhos daquela pessoa, envolve um colega que deixa de estar ali, que deveria estar seguindo a jornada junto com todos. É um momento de muita frustração e algo que você não consegue lidar com facilidade. É muito difícil lidar com o corte, para todo mundo, para o jogador, para todo mundo. Em 2002 teve o Emerson, mas se você lembrar, em 98, estava com o Romário, foi cortado, em 2002, o Emerson, em 2006, o Edmílson, e sempre todas as Copas vão tendo alguém cortado, vai tendo alguém cortado. É difícil uma Copa do Mundo que não tenha jogador cortado, mas…

O problema do Ronaldo de 98 (convulsão horas antes da final) ensinou muito para que a gente pudesse fazer, em 2002, essa transição do corte da melhor maneira. Aquele episódio do Ronaldo, ele ensinou muita coisa. E quando o Emerson se machucou no treino à véspera do jogo, ainda tinha algumas horas para você substituir. E eu lembro no campo, o doutor Runco falar para o Felipão que ele não teria condição de jogar, ia só fazer um exame marcado pela FIFA, porque já no período da Copa já é a FIFA que controla, para confirmar, mas ele tinha certeza, e que não teria condição de recuperar tempo da Copa. E aí que o Felipão já fosse pensando num nome para substituir.

COMO É O TRABALHO DA COMUNICAÇÃO NO MOMENTO DE CORTE?

E aí o Américo (Faria, supervisor) falou comigo, a gente conversando com o Felipão, com o José Luiz Runco, com o (auxiliar Antônio) Lopes, nós vamos nos comunicar o corte junto com o anúncio do novo convocado, para não ficar esse vácuo de especulação e vazamento. Então, quando confirmou no exame a lesão que o doutor imaginava, em minutos o Américo comunicou o Ricardinho e o clube dele, se não me engano era o São Paulo na época, comunicou o clube, eu convoquei a imprensa. Soltei uma nota e convoquei a imprensa presencial, porque naquele tempo não tinha a velocidade da comunicação que a gente tem hoje, tudo feito simultâneo.

A gente anunciou a tristeza da desconvocação do Emerson, do corte, e o anúncio da chegada do Ricardinho, sem dar chance para a especulação. E é isso, fica ao mesmo tempo uma tristeza e uma notícia proativa, que é a convocação para a imprensa ter que lidar. E é assim que é o esporte. O esporte não tem muito tempo para sofrimento. Você já olha para frente e segue. Então, acho que o fundamental foi ter essa experiência de 98 e ela ter sido aplicada de maneira correta em 2002.

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