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Por que o Flamengo desaparece no segundo tempo? A resposta preocupa mais que a derrota

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Por que o Flamengo desaparece no segundo tempo? A virada sofrida para o Cruzeiro no último lance não foi azar: foi a repetição de um padrão que o time arrasta há meses, e que ameaça a briga pelo título do Brasileirão.

O torcedor rubro-negro já conhece o roteiro de cor. O time entra em campo intenso, pressiona a saída de bola, cria em volume e constrói vantagem. Depois do intervalo, vira outro: lento, espaçado, incapaz de sustentar o que fez. A pergunta que ecoa a cada rodada é a mesma: por que o Flamengo desaparece no segundo tempo?

No sábado, no Mineirão, o roteiro infelizmente se repetiu, e desta vez a conta chegou. Derrota por 2 a 1, de virada, com gol aos 49 do segundo tempo.

O número que explica o jogo

O primeiro tempo foi de domínio rubro-negro. Pressão alta sufocando o Cruzeiro, chances empilhadas e o gol de Pedro coroando a superioridade. O que veio depois do intervalo, porém, foi um colapso.

Um dado resume tudo: o Cruzeiro finalizou 7 vezes no primeiro tempo e 17 no segundo. Dez chutes a mais contra um Flamengo que simplesmente deixou de existir como time dominante. Arroyo empatou em jogada individual e Matheus Pereira virou no último lance, em bola alçada na área.

E não foi caso isolado. Dias antes, na Libertadores, contra o mesmo Cruzeiro, o comportamento foi idêntico: primeiro tempo de alta intensidade, queda vertiginosa na etapa final. No Maracanã, o Flamengo escapou. No Mineirão, pagou com juros.

Por que o Flamengo desaparece no segundo tempo? Duas respostas incômodas

Quando um time cria, domina e abre o placar, o repertório existe. O que não existe é a capacidade de mantê-lo por 90 minutos. Portanto, isso empurra a discussão para dois territórios desconfortáveis.

O físico. O alerta não é novo. Ainda no início do ano, Filipe Luís reconhecia publicamente que o time chegava “um metro atrasado” nas pressões e que o cansaço contaminava as decisões. Trocou-se o treinador, veio Leonardo Jardim, e a queixa mudou de sotaque, mas não de conteúdo: em julho, o próprio Jardim admitiu que os resultados preocupavam e prometeu recuperar o “DNA” da equipe. Estamos no fim de agosto e o DNA segue aparecendo em doses de 45 minutos.

O mental. Um time maduro administra vantagens, esfria o jogo, mata a partida quando pode. Este Flamengo faz o oposto: desperdiça o período em que é superior e depois se encolhe, como se o placar magro fosse se defender sozinho. Sofrer a virada aos 49, em bola na área, não é azar, é a consequência natural de 45 minutos convidando o adversário a acreditar.

A tabela ainda protege, mas por quanto tempo?

Sim, o Flamengo segue vice-líder, com 45 pontos. Sim, a classificação sobre o Cruzeiro na Libertadores mostra que, quando sustenta a intensidade, este time atropela qualquer um no continente.

Mas título não se ganha com médias de primeiro tempo. O Brasileirão pune a irregularidade como nenhuma outra competição, e cada ponto entregue após o intervalo é um ponto que o Palmeiras agradece.

O clássico com o Botafogo será o teste

A semana livre antes do clássico de domingo é, ao mesmo tempo, oportunidade e ultimato. Oportunidade porque Jardim terá, enfim, tempo de campo para atacar o problema que ele mesmo diagnosticou há um mês. Ultimato porque, se o padrão se repetir, a conversa deixa de ser sobre ajuste e passa a ser sobre limitação: do trabalho, da preparação ou do próprio modelo.

O elenco é o mais caro do país. As peças existem, as ideias aparecem, o primeiro tempo prova tudo isso jogo após jogo. Falta o mais básico e o mais difícil: ser o mesmo time depois que o árbitro apita o reinício.

Enquanto o clube não responder em campo por que o Flamengo desaparece no segundo tempo, seguirá sendo o que foi no Mineirão: um gigante de um tempo só, refém do relógio e generoso com adversários que aprenderam a esperar o intervalo para jogar.

Ver comentários

  • O problema do Flamengo é o entendimento do jogo. Também é o jogador procurar dialogar com o técnico para saber o que se deve fazer. Não adianta jogar a culpa só no técnico. Há jogadores incomodados com a forma como o treinador deseja como o plantel deve se comportar em campo. O atleta precisa entender que ali há uma hierarquia a ser respeitada. Se fulano não quer aceitar, que procure outro lugar para jogar. Jogador em que parar com mimimi. É preciso que o plantel volte mais atento para que não leve gols no início do segundo tempo como já ocorrido outras vezes. Os jogadores não precisam ser amigos do treinador. Precisam jogar futebol, simplesmente isso. Está na hora de certos jogadores entenderem que se não estão na melhor das suas condições físicas, deem oportunidades para outros que estão em melhores condições. Ninguém precisa ser estrela. Precisam fazer seus papéis da melhor forma possível. A Comissão Técnica necessita entender melhor a partida. Visivelmente os atletas voltaram cansados e não houveram substituições. Ou o Flamengo procure atuar duma forma onde não se haja tanto desgaste ou que se faça as trocas no momento certo. Se a defesa está tomando gol demais, é necessário buscar consertar isso e também treinar mais finalizações com todos que costumam chutar em gol para que se tenham um melhor desempenho no arremate.

  • tanto o fl quanto o jardim teve e tem um otimo elenco mas isso nao adianta nada se demora a mexer e renovar o folego para manter a pressao e jogar no campo do adversario. e simples e logico so eles nao enxergam

  • Alguém tem que conversar seriamente com Paquetá, o tempo de "cria" já passou há tempos... Tá na hora de parar de fazer firulas e ser mais objetivo e DECISIVO. Afinal de contas é a contratação mais cara da história rubro-negra!

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