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Análise do último Datafolha em relação ao futebol do Rio de Janeiro no Brasil

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AUTOR:
Engº Civil Henrique Luduvice
Ex-Presidente do CREA/DF, MÚTUA e CONFEA
Sócio do Flamengo há 42 anos.
Membro Nato do Conselho Deliberativo

O Datafolha publicou, após pesquisa realizada no período de 22 e 23 de julho de 2026, a dimensão em nível nacional das torcidas dos Clubes de Futebol do Brasil, com margem de erro equivalente a dois por cento.

Na matéria divulgada pelo jornal Folha de São Paulo, posteriormente replicada em toda a internet, consta uma tabela que destaca o Flamengo na liderança com 22% dos torcedores brasileiros.

Considerando que o Brasil possui uma população de aproximadamente 215 milhões de habitantes, o Flamengo detém hoje 47,3 milhões de adeptos na sua torcida. Uma verdadeira Nação Rubro-Negra, equivalente à de grandes Países.

Em seguida, apresenta-se o Corínthians, que ostenta 14%. Na terceira posição estão estampados os 7% do Palmeiras. A seguir, vemos o São Paulo, exibindo 6%, perseguido pelo Cruzeiro que se coloca com 4%. O Vasco e o Grêmio fecham o grupo dos sete primeiros, empatados em 3%.

Observa-se que as demais Agremiações, todas igualmente importantes, detêm 2% ou menos, conforme amplamente difundido nas reportagens sobre o tema.

Os percentuais pertencentes aos outros Clubes rotulados como grandes do Estado do Rio de Janeiro, Fluminense e Botafogo, encontram-se em 2% e 1%, respectivamente.

A mencionada pesquisa revela constatações profundas, especialmente em relação ao futebol do Estado do Rio de Janeiro. Em termos de tamanho de torcida no âmbito do Brasil, o Flamengo tornou-se 7,33 vezes maior que o Vasco. Efetuando-se as operações subsequentes conclui-se que supera o Fluminense e o Botafogo, consecutivamente em 11 e 22 vezes, no País.

As notícias trazidas pelo DataFolha, embora reflitam o momento da apuração, sem previsão de futuro, são deveras contundentes. Pois, em passado recente, verificava-se um intervalo menor entre os percentuais das Instituições, todas expressivamente reconhecidas no Brasil.

Desde quando o Rio de Janeiro envergava a condição de Capital da Nação e a Rádio Nacional era a única que transmitia jogos e façanhas do contexto desportivo deste Estado para as cinco Regiões, formando opinião em todo o País.

Devido a isto, os Clubes do Rio de Janeiro angariaram, naquele tempo, contingentes de torcedores além das divisas do seu Estado de origem.

Posteriormente, vieram a televisão e a internet, provocando alterações sistemáticas no quadro, porquanto as diversas Unidades da Federação passaram a concorrer no exercício das influências em condições mais equivalentes ou próximas da igualdade.

Analisando-se pesquisas de outros Institutos, efetivadas em tempos recentes e com diferentes métodos e amostragens, percebe-se que o Vasco se posicionava com 6%. Botafogo e Fluminense variavam de 2 a 3 %. As diferenças, embora significativas, (3,67, 7,33 e 11 vezes) eram menores. Mas, aparentemente, vêm se alargando.

Com o objetivo de melhor compreender as razões desse processo de contínuo distanciamento entre os citados Clubes no Brasil, necessário se faz efetuar uma breve regressão, avaliando possíveis causas que possam ter contribuído para as referidas consequências.

Esse diagnóstico deve remontar aos primórdios do futebol carioca, examinando as prováveis circunstâncias que influenciatam desempenhos tão distintos entre os Clubes no transcorrer das décadas recentes.

Partindo desses pressupostos, impõe-se relembrar que Flamengo, Fluminense, Vasco e Botafogo consolidaram-se como os principais ganhadores dos Campeonatos realizados no Estado do Rio de Janeiro entre os anos de 1906 e 2026. Neste espaço de 121 anos, aconteceram 130 Cariocas.

A diferença existente entre números de anos e títulos decorre de duas circunstâncias relacionadas ao passado:
* a duplicidade de Campeões em oito edições, devidamente reconhecidos pela Federação, quando ocorreram concomitantemente os Campeonatos Amador e Profissional, dado que nem todos os Clubes se profissionalizaram ao mesmo tempo.
* a realização de dois Campeonatos no ano de 1979, ambos vencidos pelo Flamengo. Um deles representando o último do antigo Estado da Guanabara e o seguinte como o primeiro do Estado do Rio de Janeiro, sedimentando a fusão entre aquelas Unidades da Federação, que se iniciara em 1975.

Analisando as informações disponíveis nas plataformas da Federação, verifica-se que o Flamengo assumiu a condição de vencedor máximo da citada competição, alcançando tal objetivo em 40 oportunidades. Em segundo lugar, desponta o Fluminense, com 33, seguido por Vasco e Botafogo, com 24 e 21 triunfos.

Por dever de justiça, não se pode deixar de realçar que o América se estabelece em quinto lugar, tendo obtido 7 dessas insígnias. Fechando a estatística, observa-se que o Bangu e São Cristóvão com 2 Troféus e o Paissandu com um (1), totalizam os cento e trinta Campeonatos Cariocas efetivamente conduzidos pela Federação de Futebol do Estado.

Na hipótese em que se incorpora o número de conquistas de Campeonatos Brasileiros, Copas do Brasil, Libertadores e Mundial, a diferença entre o Flamengo e seus dignos coirmãos do Rio de Janeiro se acentua vertiginosamente.

Do mesmo modo, quando se mensura o número de torcedores no próprio Estado, média de público por jogo, quantidade de vitórias nos cotejos entre os oponentes, volume de patrocínios, arrecadações nas bilheterias e orçamentos anuais.

Ressalte-se que o clássico mais antigo do RJ, denominado “vovô”, é Fluminense e Botafogo, que participaram de todas as competições cariocas desde o ano de 1906 e somaram Campeonatos antes dos rivais iniciarem suas trajetórias.

O Flamengo inaugurou a sua participação no futebol em 1912 e o Vasco adentrou no primeiro grupo em 1923, tendo sido o único dentre os quatro que percorreu todo o caminho, desde a terceira até a primeira divisão.

Destacados os resultados no âmbito deste relevante histórico, impõe-se recordar que as competições futebolísticas do Brasil se iniciaram, majoritariamente, pelas disputas entre Bairros das Capitais, evoluindo posteriormente para a inclusão de outras Cidades no âmbito dos Estados. Afinal, naquele passado já bem distante, havia enormes dificuldades nas áreas de Transportes e Comunicações.

Em razão dos fatos acima narrados, os Campeonatos Estaduais ocupavam simbolismo relevante. E as fontes de sustentação, reputadas como essenciais para a manutenção dos Clubes, eram os torcedores, sócios, benfeitores e os comércios localizados nos próprios bairros ou nas proximidades.

Esta dimensão mais restrita colaborava para um maior equilíbrio dos certames, visto que não havia amplas discrepâncias entre os poderes econômicos dos Bairros que geraram as Agremiações, ao contrário do que se observa atualmente no Brasil e nos Países que adotaram o Futebol como esporte de notória grandeza.

Com o passar do tempo e a evolução acelerada das Áreas Tecnológica e de Infraestrutura, mormente a partir da década de 1960 do século passado, as transformações se estabeleceram nos variados Continentes e Nações. Inclusive, no Brasil.

Registre-se que a partir desses avanços, os focos dos Clubes e seus adeptos foram se direcionando para as competições nacionais e internacionais.

Vide o futebol do nosso País onde concentra-se mais ênfase no Campeonato Brasileiro e na Copa do Brasil. As causas? Ambas as competições oferecem notáveis prestígios e remunerações, além de classificarem para certames inseridos no contexto global. A exemplo da Copa Libertadores (em menor monta a Sul-Americana) e o Campeonato Mundial de Clubes.

O processo corrente impacta incessantemente os padrões até então existentes. Pois insere, cada vez mais, interesses e patrocínios de empresas de elevado porte e multinacionais. Dificultando a inserção competitiva dos Times que evidenciam menores perspectivas em termos de receitas e poder aquisitivo.

Necessário se faz realçar que ao longo deste percurso extremamente competitivo, os Clubes detentores de maiores torcidas e faturamentos, em geral localizados nas regiões mais populosas e desenvolvidas, vêm se impondo ante os demais nos Estados e no Brasil.

Principalmente, aqueles que apresentam expressivos indicadores de governança, capacidades de alavancagem de recursos e modernização de suas gestões.

Este fato se reproduz nas diversas Nações. Vide os nomes dos últimos campeões dos Campeonatos Alemães, Franceses, Espanhóis e Italianos. Em geral, vêm se repetindo o favoritismo dos Clubes mais estruturados, fundados nas regiões mais evoluídas economicamente dos respectivos Países.

Na Inglaterra, onde há 34 anos se disputa a Premier League, muito reproduzida como exemplo a ser acompanhado, nota-se que desde o surgimento da renomada Liga, Manchester (United-13 e City-8) e Londres (Chelsea-5 e Arsenal-4) venceram 30 desses Campeonatos. Observe-se que essas duas metrópoles são forças econômicas superiores daquele País.

Os outros 4 títulos restaram distribuídos entre Liverpool (2), Blackburn e Leicester, que ostentam os nomes de suas cidades.
As evidências descritas neste Artigo não impedem, muito menos eliminam, as ocorrências de eventuais surpresas ou situações imprevisíveis, felizmente presentes no Esporte e no Futebol. Tanto no Brasil quanto no exterior.

Finalizando, dentro de campo, no Estádio, continuam sendo 11×11. Aqueles que não treinam, descansam, se esforçam ou lutam, adotando estratégias adequadas e favorecendo a sorte, perdem. Para o bem do Futebol. Com certeza, ocorre o mesmo em todos os Esportes. Assim como, na Vida.

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