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Jardim minimiza ‘confusão’ com Pedro e afirma que “não gosta de tranquilidade” no Flamengo

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Pedro saiu de campo irritado após marcar o gol da vitória sobre o Bragantino


Deu tudo certo para o Flamengo no domingo (20): três pontos de vantagem para o vice-líder do Brasileirão, Palmeiras, e vitória sobre o Bragantino com boa atuação no Maracanã. Após o 2 a 1, Leonardo Jardim concedeu entrevista coletiva, falou sobre a irritação de Pedro ao ser substituído e brincou que não gosta de “tranquilidade”.

Sobre o Pedro, ele queria ficar mais tempo dentro de campo, como é normal aos jogadores desse nível. Todos querem jogar os 90 minutos. Eu disse a ele que era a vez dele. Ele sabe o quanto eu gosto dele e o abraço eu nem sei se fui eu que dei… Ainda estou com dor nas costas pelo abraço dele (risos) —, iniciou Jardim.

Eu tenho um carinho especial por ele, mas estou ali para tomar as decisões e achei que era o momento de escolhermos o Bruno para os duelos. Aqui no Flamengo qualquer coisa é caso. A substituição já estava preparada, então decidi por fazer. Espero que ele tenha um bom momento na seleção brasileira —, acrescentou o técnico do Flamengo.

ENTÃO, SEM PAZ, JARDIM?

Agora, o Flamengo terá 18 dias sem jogos por conta da Data FIFA. O líder do Brasileirão entra em campo somente no dia 08 de outubro, contra o Santos, na Vila Belmiro. Questionado se o Mengão terá um momento de tranquilidade na temporada, o treinador rebateu que não é a favor disso.

Não gosto de tranquilidade. Trabalho no futebol para não ter tranquilidade. Se quisesse, ia para casa, para a fazenda. Esse momento vai servir para duas coisas. Recuperar jogadores que vem com uma carga grande, como do Ayrton que vinha em uma sequência grande. O Plata sentiu o posterior do lado direito e teremos cuidado especial com ele também. Vai servir para tentar fazer um jogo-treino para dar oportunidade àqueles que jogam menos. O Vitão, alguns jovens da base, aqueles que tem menos tempo de jogo porque o treinador não pode colocar todos ao mesmo tempo —, falou Jardim.

Depois uma segunda fase para olhar para frente e preparar o que serão os últimos 13 jogos, que esperamos. Essa fase final. Teremos essa parada, uma sequência, depois outra parada e mais uma sequência. Não temos tantos jogadores na seleção como anteriormente. Nosso foco é ter nossos jogadores preparados para o jogo contra o Santos —, explicou o treinador.

OUTROS PONTOS DA COLETIVA DE JARDIM

Em resumo, a situação envolvendo Pedro e a ‘falta de tranquilidade’ não foram os únicos pontos, e Leonardo Jardim falou de outros tópicos, como a atuação rubro-negra contra o Bragantino. Além disso, o treinador falou sobre a baixa minutagem dos reforços e muito mais. Confira, abaixo, tudo que disse o treinador.

Jogo

— Em relação ao jogo, é uma análise correta. Se fizéssemos mais um gol não haveria aquela reação. O adversário faz um gol com desvio nosso, na loucura, na empolgação, porque as equipes também jogam. Eu disse que iríamos gerir a equipe por 10 dias. Tivemos quatro jogos em dez dias. Independiente del Valle e Bragantino são equipes agressivas, que pressionam alto, de duelos, e nós somos uma equipe diferente. Conseguimos executar o plano perfeito de ter uma equipe fresca. Tivemos no meio só o Jorginho que tinha jogado, outros haviam jogado menos. Na parte final foi mais com emoção do que por chances criadas, mas o resultado foi muito justo.

Gols perdidos

— Qualquer treinador quer uma equipe mais eficaz, mas minha linha de trabalho é a criação. Depois disso vai dos jogadores. Alguns têm mais eficácia, outros menos, mas tenho certeza que todos dão seu melhor. Não é falta de altitude. Do outro lado tem um goleiro, hoje Arrascaeta acertou a trave… Há sempre situações que podem acontecer. Hoje criamos e marcamos dois (gols), mas poderíamos ter criado menos, feito apenas e estaria aqui lamentando o empate. Quanto mais criarmos, mais situações vamos finalizar.

Gramado

— No último jogo todos foram bem claros em relação ao gramado. O clube também entende isso e com certeza vão tentar fazer o melhor para que o gramado fique melhor. Essa é a parte deles, eu sou treinador. Não quero me alongar. Estou aqui para falar de jogo.

Valencia fora dos relacionados e atuação de Saúl:

— São dois meninos, seja o Valencia ou Freitas, dois jogadores jovens que acreditamos, com muitas competências. Nós vamos inserindo aos poucos. Hoje, você vê o Freitas, a dificuldade de defender no corredor numa parte de mais pressão em que precisa mais defender espaço do que atacar. Neste momento, não vou colocar um jovem, não posso manter os dois. Mas são jogadores que acredito, que vão evoluir, que vão ajudar ainda neste momento. Mas temos 20 e tantos e não podem jogar todos. Posso falar do Saúl que teve uma grande atuação. Vem trabalhando bem, jogou um pouco no último jogo e hoje teve uma excelente atuação. Em termos de condição (física) melhorou. Neste segundo semestre, conseguiu colocar de lado a lesão que o incomodava e hoje mostrou que é cada vez mais uma solução.

Por que o time foi mal contra o Del Valle?

— Sou uma pessoa de bom astral que sai de casa com boa energia para trabalhar todos os dias. Não é verdade todos os dias. De vez em quando acontece que não estou com aquela energia toda. De repente aconteceu isso. Às vezes não precisa de explicação para todo na vida. Uma vez por mês eu saio indisposto de casa. Acontece. Há dias que nada corre bem. As crianças na escola começam a chorar, o pneu do carro fura. A vida é assim. Não temos que arranjar explicações para tudo. Eu não posso dar. Ou minto ou digo que é a verdade da vida. Temos explicação para algumas coisas, para outras é apenas a vida.

Posicionamento de Carrascal na partida:

— Dentro da ideia que dissemos, com a flutuação dos homens da frente, era importante que os pontas fossem de pé contrário. Para quando flutuasse, fizessem movimentos circulares, e um destro, como Carrascal vinha para dentro, recebia por dentro e poderia finalizar com o pé direito, mais forte. Neste período, foi a nossa estratégia usar esses jogadores. Porque se fosse jogadores com pé aberto para cruzar, os outros) jogadores a flutuar, como Pedro, não conseguiriam chegar à área. Por isso a opção por jogadores com o pé invertido.

Como se adaptou à marcação do Bragantino?

— Nós provocamos algumas situações principalmente com o Pedro baixando para a ruptura dos pontas. Depois eles meteram três zagueiros para resolverem isso, então nós resolvemos deixá-los flutuando. Se não vai de uma forma, tentamos de outra. Não é só olhar para aquilo que desenvolvemos, também tem que olhar para o adversário. A ideia foi flutuar mais Pedro e Arrascaeta, os laterais saltarem na pressão para os pontas ficarem sem marcação. Também fizemos um gol de bola parada. O Bragantino tem vários jogadores altos, então tivemos que cruzar bolas mais rápidas, acabamos tendo sucesso nesse tipo de situação. Vamos olhando para o adversário, anular os pontos mais fortes deles e ver o que já deu certo contra eles

Utilização de Bruno Henrique:

— Ele é um atacante que pode jogar no corredor ou pode jogar por dentro. Tem as características especificas dele. É o jogador com melhor jogo aéreo que temos. Quando os blocos estão baixos usamos ele como ponta de finalização e não de criação. Porque utilizamos a qualidade do jogo aéreo dele dentro da área. Não temos ninguém parecido. O Lino no último jogo fez um movimento nas costas e cabeceou, mas não cabeceia muito bem. Hoje, o Carrascal fez o mesmo. É um jogador que pode jogar por dentro, se juntar ao Pedro e quando estamos com bloco mais baixo ele também sai em contra-ataque e consegue criar movimentos de facão na última linha. É importante essa polivalência do Bruno, por fora, por dentro. O Pedro é diferente. Consegue nos dar um jogo entrelinhas muito bom.

O que fazer para evitar que o Flamengo volta mal da Data Fifa com tantos convocados?

— Não é tanto tempo porque da última vez foram quase dois meses. Você tem suas regras em casa, certo? Se você fosse viver na sua casa do vizinho por 15 dias, estranharia quando fosse voltar para a sua, sua esposa ia dizer que não era assim que se faz as coisas. Temos regras dentro da equipe e eles na Data Fifa convivem com outras. O Uruguai joga dia 6 no Japão ou Coreia e jogamos dia 8 com o Santos. Como vão menos jogadores, tentaremos trabalhar para não dependermos de ninguém. Se dependermos só de um jogador ficaremos lesados. Temos que ter soluções. O Flamengo é muito grande para ser só 11 jogadores.

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