Fotos: Reprodução/YouTube
O Palmeiras perdeu a liderança do Brasileirão para o Flamengo, e a reação de Abel Ferreira, na coletiva pós-empate em 0 a 0 com o Botafogo chamou atenção pelo tom. Isso porque, o técnico português misturou comparações e queixas nas declarações.
“O Palmeiras pode tentar comprar (atletas) e tenta comprar para equilibrar, mas comparem onde treinou o treinador do Palmeiras e onde treinou, por exemplo, o treinador que está no Flamengo. Onde que jogaram os jogadores que estavam no Palmeiras e onde jogaram os jogadores que estavam no Flamengo. Portanto, há uma equipe sim que tem obrigação de fazer muito mais e nós estamos sempre a competir com ela por tudo aquilo que envolve.”
A fala de Abel Ferreira soa como uma tentativa de diminuir o mérito do adversário. Em vez de reconhecer a temporada do Flamengo, o treinador preferiu atribuir a diferença a fatores externos. Essa narrativa, contudo, ignora o próprio histórico recente das duas equipes na tabela.
Na sequência, Abel Ferreira mudou de assunto e direcionou as críticas para a arbitragem. O treinador também reclamou dos microfones posicionados perto do banco durante a partida. Assim, o discurso ganhou um tom de desabafo longo, cheio de ironia e comparações.
Tinha três microfones ali. Mesmo prontinhos para nos erros do árbitro eu poder chutar mais um ou dois. Feitos de propósito. E o árbitro fez mesmo isso, só que dessa vez consegui controlar os demônios que têm dentro de mim. Primeiro lance, expulsão em cima do Andreas. Ele domina a bola para o lado do Marçal, na minha opinião, é claro, e o árbitro entendeu dar amarelo. Tudo certo. Três microfones, eu segurei-me. O Ferraresi na minha frente fez uma entrada de sola no Andreas. Era o segundo amarelo, e o árbitro não deu. Três microfones, eu consegui me segurar.
E no final, Barboza foi disputar a bola, não sei se tocou o braço, o jogador deles ficou embaixo do braço, e o árbitro deu o segundo amarelo. E vocês não me viram chutar microfone nenhum. Analisem como quiserem. Mas eu agradeço que na próxima em vez de meter três microfones, coloquem quatro para ver se conseguem ouvir alguma coisa.
Vocês veem algum microfone na Liga dos Campeões? Algum no banco na Copa do Mundo de Clubes? Na Liga Europa, nos campeonatos europeus, nos campeonatos no mundo do futebol. Pois não veem. Por que aqui tem? Na Libertadores, quando o treinador está a falar, como no basquete, ótimo. O que querem com isso? Fazer manchetes? É o Big Brother? Estamos no Big Brother? Não vou mudar minha essência, sou super competitivo, odeio perder e tenho meus demônios como todos têm dentro. A única coisa que peço é que tenham os mesmos critérios.
A única coisa que eu peço é: se a lei existe, ela tem que ser igual para todos. E acredito mesmo que vou ser despenalizado, porque foi isso que vimos dentro de campo. Vimos o Lucas fazer uma falta, não foi o Arthur, e seguiu o que o juiz de campo decidiu. E o juiz de campo teve conhecimento do que eu fiz e decidiu não atuar. Portanto a única coisa que peço é que se siga a lei. O relator foi muito claro no que falou. Zero, um e no final apanho dois.
Aqui, mais uma vez, o excesso de queixas soa como fuga do verdadeiro motivo da derrota. Reclamar de microfones, portanto, desvia o foco de decisões técnicas dentro de campo. De qualquer forma, comparar critérios de arbitragem entre competições diferentes simplifica um debate bem mais complexo.
Ainda assim, o discurso repetido em coletivas recentes reforça uma imagem de vitimismo constante. Mesmo assim, o Palmeiras segue na briga com o Flamengo pelo título, o que torna esse tom ainda mais chamativo. Contudo, discursos como esse tendem a desviar a atenção do próprio time em um momento decisivo. No fim, vencer dentro de campo continua sendo a resposta mais eficiente contra qualquer crítica externa.
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