Com semblante cansado e abatido, barba por fazer, respostas curtas entrecortadas por pausas para escolher as poucas palavras, Jayme de Almeida deixa transparecer que está sob pressão. Há cinco jogos sem vencer e criticado internamente por suas convicções, o treinador, atual campeão da Copa do Brasil e do Campeonato Carioca, precisa de uma reação do time no Brasileiro para se manter no cargo. Amanhã, contra o Palmeiras, ele sabe que um resultado negativo pode lhe custar o boné.
“Futebol é resultado. Ganhei três títulos. Repito que tenho consciência do que fiz e represento aqui no clube. Acontece em qualquer lugar. No Atlético-MG, o Paulo Autuori tinha ganho tudo, perdeu um jogo e o mandaram embora. Vou fazer o melhor como tenho feito. Se não vier o resultado faz parte do esporte”, disse, com as barbas de molho.
“Costumo fazer a barba quarta e domingo, antes dos jogos. Como não teve jogo nesta quarta, acabei esquecendo”, explicou treinador, do lado de fora da sala de coletiva, dando um raro sorriso
Jayme tem por hábito blindar os jogadores e se oferece como escudo. Nas derrotas, assume sozinho a responsabilidade. Nesta sexta, questionado se tem cobrado do time coletivamente, respondeu de forma sucinta, como na maioria das perguntas. “A cobrança é normal por vitórias, para jogar bem, essas coisas que têm que ter no Flamengo”, afirmou.
Além dos títulos, pesa a favor do técnico a falta de opções no mercado com salário e perfil compatíveis à filosofia do clube. Mas é consenso entre os dirigentes que, se for para trocar o comando, isto deve ser feito antes da Copa do Mundo. Desde que foi efetivado, Jayme comandou o Fla em 48 jogos — 26 vitórias, 12 empates e dez derrotas, com aproveitamento de 62,5%.
Everton ainda é dúvida
Jayme de Almeida comandou, na sexta, um treino fechado à imprensa no Ninho do Urubu. Mas na entrevista não sonegou informações e expôs sua dúvida. Everton será testado hoje novamente, por causa do problema na coxa direita. Se não puder jogar, entra o argentino Lucas Mugni. Nixon deve ser titular. O técnico também confirmou Luiz Antonio na lateral direita.
Um dos motivos de descontentamento por parte da diretoria com o treinador é o pouco aproveitamento de Lucas Mugni no time. Para alguns dirigentes, o argentino, 22 anos, em fase de adaptação, precisa ter uma sequência de jogos para provar que foi uma boa aposta.
Jayme, no entanto, justifica a escolha de Nixon expondo a sua preocupação com outro problema: a falta de gols — o Flamengo ainda não marcou neste Brasileiro.
“É uma preocupação normal. A gente fez gol o ano todo, mas nos últimos dois não fizemos. A ideia do Nixon é porque ele tem velocidade na frente. Dependendo do treino, vai jogar. Estamos precisando de gol”, afirmou Jayme.
Fonte: O Dia

