Paulo Pelaipe analisou as reclamações do Vasco e erros da arbitragem no futebol brasileiro. Segundo ele, isso ocorre porque são seres humanos, e não uma máquina.
– Acontece porque são seres humanos. Não deveria acontecer, mas infelizmente acontece. Assim como numa partida de futebol tem atacante que erra ‘gols feitos’, ou um defensor falha e a sua equipe leva um gol. É do jogo. O que é importante é que haja o menor erro possível. Nós mesmos no ano passado tivemos uma campanha no primeiro turno do Carioca irrepreensível, e contra o Botafogo, jogando pelo empate, o Rodolfo chutou a bola, ela ia entrar no gol e a bola foi defendida pelo braço do volante do Botafogo e não foi dado o pênalti. Então acontecem erros a favor e contra. Da posição que eu estava, eu achei que havia sido feito pelo Nixon. Foi um lance muito rápido, mas que depois das câmeras fica mais fácil de julgar. E muitos narradores também narraram o gol como se fosse do Nixon, e só no replay viram que não foi dele. Mas o Flamengo mereceu ser campeão, prestigiou o Carioca, jogou quando pode com a equipe titular e chegou no final do primeiro turno com nove pontos na frente dos adversários. Então a conquista dos atletas e da comissão técnica foi merecida pela campanha feita na competição.
Questionado se o Campeonato Carioca alivia a eliminação precoce do Flamengo na Libertadores, Pelaipe também citou os erros da arbitragem contra o Rubro-Negro na competição internacional, mas valorizou a boa campanha do time no torneio estadual.
– Na Libertadores nós não fomos competentes, tivemos alguns jogos que não conseguimos superar os adversários. Fomos infelizes no primeiro jogo fora, 80 minutos com um a menos, mas mostramos que tínhamos condições de reverter o quadro no onze contra onze. Foram dois pênaltis duvidosos, e nem por isso estamos aqui reclamando porque faz parte do jogo. Todo mundo sabe que o primeiro pênalti lá não houve, o próprio delegado da CONMEBOL disse que não houve a penalidade, e o segundo foi muitíssimo duvidoso. Mas aconteceu, e depois na Bolívia por uma fatalidade individual de um dos nossos melhores jogadores, que é uma promessa e que está crescendo. Mas tudo faz parte de um aprendizado, do jogo. Como diz a gíria, a gente tem que lamber a ferida, saber por que perdeu e procurar melhorar. Na Libertadores nós não tivemos a competência necessária, já no Estadual nós merecemos o título. A gente sempre tem que ter o equilíbrio, saber porque ganha e porque se perder. Quando se ganha nem tudo está certo, e quando se perde nem tudo está errado. Então, é isso que a gente procura fazer em grupo no Flamengo.
O Cartola Rubro-Negro ainda pediu paciência a torcida quanto aos investimentos no futebol, já que para ele, o Flamengo será uma potência ainda maior após amenizar suas dívidas.
– Temos sempre reuniões com a comissão técnica e o Jayme procurando fazer com os pés no chão e um orçamento financeiro, porque a maior contratação do Flamengo nesta gestão foi honrar seus compromissos, pagar em dia os atletas. E isso o Presidente e os Vice-Presidentes não abrem mão. Nós sempre dizemos que não iludimos torcedor, e pedimos paciência ao torcedor. Não adianta dizer que vai se contratar e iludir a torcida com grandes contratações, e depois não poder honrar os compromissos. E isto que a gente faz não é nenhuma obrigação, quem é contratado tem que receber seu salário. Quando nós assumimos tinham jogadores com cinco, seis, oito meses de compromisso a cumprir, e nós acabamos. As dívidas nós estamos negociando com muito sacrifício, mas é muito importante que o torcedor entenda. E o Flamengo, se passar desta fase e honrar os compromissos, vai ser uma potência maior ainda.
Matéria escrita por Eduardo El Khouri

