Escanteio pra eles, desvio no primeiro pau e Jomar cabeceou pra fora, com o braço de Guerrero no meio do caminho. X ali era zero. Lambança de Juan, PV rebateu, Riascos tirou dele… e do gol. Seguia sendo zero. Falta frontal, Nenê mandou no travessão. E a incógnita parecia até gostar da nulidade.
45 minutos do segundo tempo. Bola alçada na área, Rodrigo errou o cabeceio e ela sobrou pra Rafael Vaz. X=1. Silêncio sufocante ao redor de cada rubro-negro. A resposta foi encontrada. Resposta. Não dá pra chamar de solução.
O que se viu no gramado de São Januário foi o Flamengo com uma clara e matemática proposta de jogo: a quase equação de primeiro grau. Seguraríamos nosso zero e os 90 minutos que decidissem o valor de X.
Do outro lado não havia um supertime. Havia sim nosso maior rival, disposto a fazer com que X fosse maior ou igual a 1. Conseguiram. Só o Vasco jogou, só o Vasco buscou a vitória. Chamar de massacre é exagero, mas apenas um time entrou em campo visando sair vencedor.
Uma hora e meia de futebol pra o Flamengo sequer mandar uma bola na direção do gol vascaíno. Terminamos o jogo com nenhuma finalização ao alvo. Nosso principal armador? Paulo Victor! Segurar o zero no placar fazia parte do plano. Pois bem, nada melhor que deixar o goleiro como responsável por criar as jogadas. Foi um festival de chutões. Dos mais tradicionais, como cobranças de tiro de meta, àqueles de fazer o torcedor arrancar os cabelos: só pra afastar o perigo, já que o time era incapaz de sair jogando.
Entre os 3 do meio e os 3 da frente, um vazio. Jogamos sem meia. Contra um ou dois Tigres do Brasil pode não fazer falta; em clássico tem que haver, ao menos, a alternativa. E quem era a opção? Ninguém. A comissão técnica decidiu poupar Alan Patrick, nem pro banco foi. A intenção era que ele estivesse 100% pra partida de quarta, contra o América-MG. Claro, esse é o jogo que vale! Encerrar a sequencia de pauladas na cabeça do arquirrival é bobagem. Reza pra X ser igual a zero que dá pra chamar de “empate fora de casa”.
Mancuello não é o tal “meia clássico”, é bom que saibamos disso. Terceiro homem de meio-campo, ele bem que tentou, arriscou uns chutes diante da passividade flamenga. Pelo que falou, desde que chegou à Gávea, é dos poucos preocupados em ver o Flamengo melhor. Deve estar incomodado com a derrota para o rival. Na contramão vêm seus parceiros gringos: o peruano Guerrero e o catari Emerson.
Sheik, às vezes, leva a crer que joga apenas por ele. No clássico, até fugiu do costume de enfeitar, tentar golaços e superpasses, mas manteve a sina de prender a bola. Ô gosto que tem por ele mesmo definir a jogada, em vez de buscar um companheiro melhor posicionado. Longe do gol é ainda pior. O prazer em ver 2, 3 adversários o pressionando é tão grande que se esquece da possibilidade de passar para alguém desmarcado. Aí resta perder a bola e cometer a falta, pra não complicar mais. Ao menos, marca, corre, e, vez ou outra, faz do sheikismo algo positivo ao Flamengo. E Paolo Guerrero?
Artilheiro, veio como candidato a ídolo. Está a cada dia mais longe disso. Impressionante como se esconde em jogos grandes. Se a bola não chega, se o time não cria, o mínimo que tinha de fazer era infernizar a vida da zaga adversária. Pelo contrário, caiu na trama psicológica dos defensores vascaínos. Como havia feito contra a Portuguesa, passou os 90 minutos reclamando com o árbitro. Qualquer contato físico era motivo pra se esparramar e bradar que havia sido agredido. No lance de “maior agressão” envolvendo o peruano, falta marcada para o Vasco; cartão amarelo para Guerrero, o segundo em 2 jogos. Com a bola no pé, desperdiçou um contra-ataque no segundo tempo quando tinha 3 opções de passe. Desatenção, passividade e cerca de R$900mil por mês na conta (salário + encargos). E X pode ser o quanto for para nosso camisa 9.
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Depois do jogo, Muricy Ramalho demonstrou ainda não estar totalmente familiarizado com o Flamengo. Colocou parte da culpa no “começo de temporada”. Não dá pra aceitar a justificativa. Agora acumulamos 7 fracassos seguidos diante do maior rival, num ano em que talvez só tenha mais um Clássico dos Milhões. Se quiser deixar o X do lado deles do placar, à vontade, mas traga o Y pro nosso lado, professor. Para o próximo Flamengo e Vasco, a gente combina desde já a proposta de jogo: Obrigatoriamente, Y>X.
Fonte: Nosso Flamengo | ESPN
