Não é raro no futebol uma equipe ir do céu ao inferno, e vice-versa. O Flamengo encerrou a primeira parte da temporada 2014 experimentando essa rápida transição. No dia 9 de abril, reviveu um dos maiores fantasmas que rondam a história do clube: a eliminação na Taça Libertadores da América na fase de grupo (em 11 participações, foram quatro desclassificações antes das oitavas). Quatro dias depois, uma glória que também não é rara para o clube: a 33ª conquista do Campeonato Carioca. Felipe reconhece a habilidade psicológica do técnico Jayme de Almeida entre os momentos antagônicos.
– O Jayme foi muito feliz na semana. Nem teve muito treino, foi mais conversa mesmo para não sentirmos o peso da eliminação, mas ainda estamos sentindo muito. Jayme e a comissão foram fundamentais para ver que alguns sentem mais e ficam mais abatidos, outros menos. Conversaram com cada atleta. Nessas horas, os mais experientes chamam os mais novos para não deixar a peteca cair. Nessa final, era importante estamos bem e conquistá-la. Se perdêssemos, de uma semana que já estava ruim, iríamos para outra pior. Já iriam contestar o trabalho. Ninguém iria prestar mais – afirmou.
No primeiro jogo da decisão do Campeonato Carioca, foram 26.242 presentes. Já no segundo, foram 49.139. Felipe esperava uma boa presença no último domingo, mas acabou se surpreendendo com o Maracanã bastante cheio, mesmo diante de uma tarde chuvosa no Rio de Janeiro. Para o goleiro do Flamengo, trata-se de um luxo contar com arquibancadas bem ocupadas em tempos de violência nos arredores e dentro dos estádios. Na Taça Libertadores da América, o Rubro-Negro levou entre 40 e 60 mil nos três jogos que fez no Maraca.
– Quem ganha com isso é o futebol. Nesses tempos difíceis de hoje, com problema de violência, que afasta o pessoal de família, a gente fica feliz por levar quase 50 mil pessoas. Que seja sempre assim, independente da rivalidade dos clubes – pediu o goleiro.
Mesmo com públicos bastante reduzidos no Campeonato Carioca e com a nova realidade do futebol brasileiro, que mostra um cenário preocupante de baixa ocupação nos estádios, Felipe garante que a situação não desmotiva os jogadores do Flamengo. Na estreia do Campeonato Brasileiro, o time rubro-negro vai a Brasília enfrentar o Goiás, no Mané Garrincha, sábado, às 18h30. O deslocamento para a capital federal é visto pela diretoria do Fla como possibilidade de boa renda.
– Jogando no Flamengo, não pode estar desmotivado, independente de estar com torcida ou não. Mas é sempre bom jogar com estádio cheio. Lamentamos muito até o próprio calendário, mas esperamos que possa ser sempre assim. E que o charme não se acabe – disse.
Fonte: SporTV

