Flamengo x América-MG, para 17 mil pessoas, em Cariacica-ES, foi o tipo de jogo perfeito para se assistir pelo rádio. O que é uma forma polida de dizer que foi uma pelada horrorosa, daquelas de fazer doer os olhos. Somos Flamengo, acostumados com sacrifícios e não muito exigentes nos aspectos estéticos do futebol, mas foi osso acompanhar os 90 minutos de maus tratos à bola. Mesmo já tendo visto jogos piores pagando, foi muito pelada
Teoricamente o América seria um desafio maior que o nosso ultimo jogo, afinal está na Série A e a vasca, de quem perdemos bisonhamente no domingo, pelo menos enquanto não for rebaixada para letras menos votadas do alfabeto, é um time de Série B. No primeiro tempo os mineiros deram um certo trabalho. Mas nem posso elogiar os caras, os primeiros 45 minutos foram tão arrastados, tão soporíferos, que devo confessar que dei umas cochiladas no aconchego do sofá.
Acordei no intervalo, deveras preocupado com a falta de qualquer coisa em nosso querido Flamengo. Ouvi alguém dizendo que sentia falta do homem que vem de trás no meio. Achei estranho. Mas a verdade é que o nosso jogo não está fluindo. E Muricy, demonstrando (escolha você mesmo a qualidade que melhor se adeque ao seu julgamento): Independência ( ), Ignorância ( ), Paciência ( ), Teimosia ( ), Olhos de Tandera ( ), tem insistido na escalação de vários amigos que ultimamente não desfrutam de excelentes índices de popularidade entre a esclarecida, piedosa e sempre justa torcida do Flamengo.
Um atitude que ainda não foi completamente assimilada pelas hostes rubro-negras. E que gera, ao menos em mim, a esperança de que Muricy seja daquele tipo de treinador que não dá ouvidos à voz rouca das arquibancadas e que se preocupa apenas em fazer o seu trabalho e não em ser o queridinho das massas, o que muito me tranquiliza. O Flamengo precisa de um treinador exatamente desse tipo. Porque pra torcer, incentivar e dar dinheiro não há no mundo nada que se compare à torcida do Flamengo, mas escala o time mal pra cacete. Isto é um fato.
O segundo tempo, ao menos em termos de potencial de engajamento, pareceu sensivelmente despior que o primeiro. O fato do Flamengo ter demonstrado logo no 1º minuto da fase complementar que tem força na Federação Rio-Sul-Minense com a marcação de um pênalti do tipo mão-naquilo-ou-aquilo-na-mão certamente contribuiu para essa percepção. Everton Bolt converteu a penalidade e dali em diante o Flamengo viveu um drama capixaba: a porra do jogo não acabava de jeito nenhum.
Fora o gol, foram 45 minutos arrastados e de poucas emoções. Na verdade duas: um gol de Gabriel mal anulado pela excelente bandeirinha, após lindo passe de calcanhar de Guerrero, e uma bola no travessão que por alguns instantes pensei que atualizaria os parâmetros na escala Deivid de gols perdidos, mas no replay vi que foi o becão deles que mandou no pau.
No lance do gol mal anulado cabe uma reflexão. Onde é que nós vamos parar? Se após anular bisonhamente um gol lídimo, legítimo e legal não pudermos mais mandar bandeirinha lavar uma roupa no tanque só porque ela é mulher o que nos restará? Em nome do politicamente correto seremos obrigados a nos aferrar à misoginia e nos restringir às ofensas de cunho sexual para manifestar nossa insatisfação com a imperícia da arbitragem? E dessa maneira não estaremos contribuindo com a escalada das animosidades na guerra dos sexos? Pensem nisso depois, agora voltemos ao futebol.
Como vocês devem saber, os campos mais complexos e onde hoje se encontra a fronteira da ciência do comentarismo esportivo são: o diagnóstico clínico à distância, disciplina a qual se dedicam os comentaristas em suas cabines em todo o mundo; e o estudo da origem e da destinação das vaias nos estádios de futebol. A acústica peculiar do estádio de Cariacica oferece algumas dificuldades para a realização de estudos mais aprofundados sobre a vaia. O que causou alguma confusão em quem não estava acompanhando o jogo in loco, já que não ficou claro se as vaias que surgiram na substituição de Guerrero eram para o substituído, para Muricy, para o Flamengo como um todo ou para o rebaixamento da nota do Brasil no índice Standard & Poors. O certo é que foi a primeira vaia do ano, o que não deixa de ser um marco histórico que merece nossa atenção.
Guerrero, aliás, está passando por um período difícil da sua vida. Pobre Guerrero, se continuar assim poderá em breve abrir uma barraquinha no calçadão da praia. Porque seus companheiros de time só lhe dão cocos durante os jogos. É uma bola ruim atrás da outra, tem que ter muito amor pela rapaziada. Se nós, que não passamos de torcedores amadores, não aguentamos mais ver o meio-de-campo rubro-negro sem um meia-armador imaginem o que esse rapaz, que é atacante profissional, está sofrendo. Mas não ligue, Guerrero, Deus está vendo, Ele fecha com o certo e detesta caô.
Com a segunda vitória na competição o Flamengo mantém sua invencibilidade na Primeira Liga e no Espírito Santo e ainda fica na liderança do fraco Campeonato Mineiro. Pra uma quarta-feira chuvosa até que tá bom. Sofrimentos à parte, para todos os efeitos ainda estamos em pré-temporada. E a óbvia constatação de que o time ainda tem muito o que evoluir não deve trazer revolta ou indignação, ao contrário, deve ser muito comemorada. Pois prova o quão conscientes somos, e o quão longe estamos da estagnação. Falando em estagnação, domingo tem Fla-Flu em Brasília pelo carioqueta. Não consigo imaginar nada mais estagnado do que isso.
Mengão Sempre
Arthur Muhlenberg
Fonte: República Paz & Amor

Ontem mais uma vez Guerrero recebeu cada bola quadrada que se fosse eu pedia para o Muricy me tirar do jogo. Num momento da transmissão, depois de mais uma “tabela” com Gabriel Chassi de Grilo, a câmera mostrou a cara de reprovação e sofrimento do Guerrero. Não acho que ele seja tudo isso mas com esse time até Messi iria chorar.
O que me preocupa é que parece que o Muricy não faz a menor idéia de como os gringos que o Flamengo trouxe jogam e fica arriscando posicionamento para ver se algum encaixa, sem falar que Canteros pode pegar a mala e ir embora se não entrou naquela pelada de ontem, com vários jogadores poupados, só vai jogar no casados contra solteiros ou nos com camisa contra sem camisa.
Brincadeira… todo ano é assim. E quando eu falo que eu prefiro não me iludir, que acreditar que esse bando de cabeça de bagre vá me trazer alegrias, neguinho me chama de corneteiro, me xinga, até que não sou flamenguista. É o fim! O torcedor do Mengão vem se contentando com merreca, tipo vaguinha em libertadores no fim do ano, depois de sofrer muito, claro, com vitória expressiva em um grande rival, tipo vencer do Corinthians em SP, com camisa mais vendida do Brasil, ter a maior renda de público no ano, etc. Mas título que é bom… Faz tempo que eu bato nessa tecla, e entra ano e sai ano e um aqui, outro ali, pensa comigo sobre isso. É TRISTE!