Um gol polêmico no fim do jogo, o título carioca para o Flamengo e muita reclamação dos vascaínos. O enredo da decisão deste domingo não é novidade para a família Almeida. Seis décadas atrás, o pai do técnico Jayme de Almeida, o ex-volante Jaime, fez parte do time que conquistou o primeiro tricampeonato carioca do rubro-negro (1942-43-44), na vitória por 1 a 0 sobre o Vasco na decisão de 1944. Com gol polêmico no fim, título para a Gávea e muita reclamação dos vascaínos.
O jogo, no dia 29 de outubro de 1944, é repleto de ingredientes que justificam um lugar de honra entre as grandes conquistas do Flamengo. Herói do título, o atacante argentino Agustin Valido já havia parado de jogar, mas foi convencido a voltar aos gramados para a decisão. Jogou com febre e, aos 41 minutos do segundo tempo, ganhou de Argemiro de cabeça, após um escanteio, para fazer o gol do tri. Além do título, também atravessam as gerações as queixas do time vascaíno, de que Valido empurrou o marcador para cabecear. Jaime era titular absoluto daquela equipe, dirigida por Flávio Costa, que entrou em campo na decisão de 44 com Jurandir, Nilton, Quirino, Biguá e Bria; Jaime e Valido; Zizinho, Pirilo, Tião e Vevé.
Trinta anos depois, a nova geração da família também sentiria o gosto de ser campeão pelo Flamengo. Mas, desta vez, sem polêmica na decisão contra o Vasco. Hoje treinador, Jayme de Almeida, então com 21 anos, era o jovem zagueiro do time de 1974, que revelou outros talentos promissores da Gávea, com o ainda lateral-direito Júnior e o meia-atacante Zico. No penúltimo jogo do triangular final, Jaime fez um dos gols da vitória por 2 a 1 sobre o América (o outro foi de Júnior). Depois, bastou ao Flamengo segurar o 0 a 0 com o Vasco para conquistar o título.
Agora treinador, Jayme comemorou neste domingo mais uma conquista, e já pode dizer que conhece a emoção vivida pelo pai há 60 anos: uma vitória sobre o Vasco, com gol no fim do jogo e muita controvérsia. Sem alimentar a polêmica, o técnico garante que a alegria é a mesma de quando levantou a taça no início da carreira de jogador.
– A emoção é igual, ter sido campeão pelo Flamengo em 74 e ganhar novamente hoje é muito emocionante. Lógico que o gol aos 45 minutos é diferente, mas ter sido campeão mais uma vez pelo Flamengo, no clube que eu me criei, onde tenho raízes, com certeza faz desse título o mais emocionante – afirmou o treinador, fez por aumentar a coleção de conquistas da família.
– Já são seis títulos para a família Almeida – brincou, em referência aos três Cariocas do pai, ao seu título de 74 como jogador e aos dois como técnico (Copa do Brasil de 2013 e Carioca de 2014).
Fonte: Extra Globo

