Natural de Tatuí-SP, Rodinei já teve um lugar ao sol no Corinthians, mas não aproveitou. O próprio diz que faltou maturidade. Precisou recomeçar e, assim como o pequenino crustáceo que empresta o nome à cidade onde nasceu, cavou fundo até surgir numa praia onde o horizonte é promissor. O Flamengo é a maior oportunidade da carreira, e, aos 24 anos, o lateral-direito começa a ganhar espaço no coração dos rubro-negros com muita velocidade e vigor físico. No último domingo, no Fla-Flu, foi cirúrgico no cruzamento para o gol de Guerrero, o que definiu a partida em 2 a 1, e ele garante: não vai parar por aí.
– O lateral tem que ter as qualidades no cruzamento. A posição já diz: lateral tem que ir bem pelo fundo. Mas as minhas características sempre foram de bastante força, vigor físico e também um bom cruzamento. Por isso que procuro treinar bastante para chegar nos dias de jogos e caprichar bem em relação a cruzamento e passe para gol – disse.
Muricy diz “bota na frente que o neguinho corre”. Mas nem só de correria vive Rodinei. O gol do peruano nasceu de muito treino, mas também de conversa.
– Aquela jogada de primeiro pau eu já havia conversado com ele dias antes do jogo, porque o Guerrero está entrando bastante na área. E aquela bola no primeiro é difícil, tanto que o Henrique (do Flu) teve dificuldades de se antecipar ao Guerrero, porque o Guerrero é um cara forte e rápido. E a gente treina bastante. Graças a Deus consegui botar a bola na cabeça dele, que conseguiu fazer esse gol para a gente sair com a vitória.
Em Tatuí eu comecei em escolinha, mas na verdade eu comecei a jogar bola na base só com 17 anos. Hoje estou com 24 e primeiro terminei os estudos em Tatuí, minha cidade querida, que eu amo (risos). Tem que dar uma moral sempre para Tatuí.
Quantos habitantes tem sua cidade?
Aí você tem que pesquisar no Google (risos). Deve ter uns 150 mil habitantes, fico brincando com o Alan Patrick, que é de Catanduva, e falo que Tatuí é mais fera. Mas Tatuí não tem nem um MC Donalds, mas tá saindo (risos), tá saindo o shopping também.
Árvore de Natal gigante e “capital da música”
Tem uma árvore de Natal que queimou, que é qualidade. Tatuí é a capital da música, tem o melhor conservatório da América Latina e suas qualidades também. É uma cidade muito bacana.
Capital da música? Você está dando uma aula sobre Tatuí.
Ô, irmão, pesquisa lá no Google. É só pesquisar. É o melhor conservatório da América Latina. Tem flauta, violino, essas coisas de orquestra para se aprender. Eles ensinam a tocar piano. Não é muito meu forte orquestra, mas se você está por fora vai no Google que você vai achar.
*O GloboEsporte.com aceitou a sugestão de Rodinei, foi ao Google e encontrou as seguintes informações, retiradas da Wikipedia: “O Conservatório Dramático e Musical Doutor Carlos de Campos, o Conservatório de Tatuí, é a maior escola de música da América Latina e oferece de forma gratuita 47 cursos diferentes. Forma instrumentistas, cantores, atores e “luthiers”, especialistas na construção de instrumentos de cordas beliscadas. É reconhecida como “Capital da Música” por lei estadual.
Lições de passagem brevíssima pelo Corinthians sem sucesso.
No Corinthians cheguei de empréstimo de um ano que eu vim do Avaí. O que falo do Corinthians em relação a brincadeiras, eu tinha 20 anos. Foi em 2012, aí ia para o rachão e para trabalhos sempre querendo brincar e entrar na onda dos mais experientes, como Sheik e Guerrero. Sempre era um menino empolgado, porque o Corinthians foi meu primeiro time grande. Eu fiquei deslumbrado, comecei a pensar que as coisas eram daquele jeito, mas realmente não eram. Eu tinha que trabalhar mais sério, e isso eu aprendi muito lá no passado com meus erros. Do Corinthians fui para o Avaí, depois fui jogar uma Série C. Pensei: “poderia ter levado mais a sério no Corinthians e ficar bem”. Mas hoje, graças a Deus estou no Flamengo, representando essa nação. Pode ver que brinco nas entrevistas, no lado de fora, mas dentro de campo não tem brincadeira. Eu sei da responsabilidade que tenho com essa camisa e, graças a Deus, está dando tudo certo. Estou com foco na minha carreira e espero cada vez mais conseguir coisas maiores.
Você casou – com Thayna – no fim do ano passado. Isso ajuda também né?
Sim, casei no dia 11 de dezembro. Ajuda, graças a Deus aconteceu esse milagre na minha vida de casar (risos). Ajuda ter uma esposa companheira lá em casa, sempre ajudando e sempre também cornetando, que é sempre bom. Aqui no Flamengo não me cornetou, mas na Ponte dava umas cornetadas. Ela é bem tranquila, e isso é importante para o cara ficar concentrado no que faz.
Você é bem descontraído, brinca com todo mundo. Já dá para dizer que conquistou todo mundo no Flamengo?
Não é questão de conquistar, meu jeito sempre foi de brincalhão, de fazer os outros rirem e sempre com essa humildade. A cada dia a gente vai pegando confiança de cada um. Gosto de brincar com todo mundo, nunca estou de cara feia, independentemente de problema. Problema deixa para fora, aqui você tem que ter alegria. Lógico que têm momentos ruins, e o cara tem que dar uma afastada de brincadeiras, mas enquanto o clima está bom a gente vai brincando e sorrindo. Levamos isso para dentro de campo, não posso ver ninguém de cabeça baixa. Ontem (domingo) deu para ver a alegria do nosso time, que está se acertando cada vez mais.
Como foi na sua cabeça ter uma nova oportunidade em time grande? Você disse que não podia falhar novamente, falou das muitas câmeras na apresentação. Pensou nisso tudo?
Não é questão de não poder falhar. Antigamente no Corinthians e em outros times eu levava as coisas muito na brincadeira. Mas aqui quando cheguei no Flamengo sabia da oportunidade que estava tendo e também sei que estou aqui pela minha qualidade. Fiz um bom Brasileiro pela Ponte Preta e, graças a Deus, estou conseguindo ajudar muito o Flamengo a conquistar grandes coisas. Em relação a pressão e torcida, eu sabia que ia ter muito. Lógico que todo jogador tem friozinho na barriga, mas tem que ter personalidade. Apesar de ter 24 anos, estou jogando num grande clube como o Flamengo. Em relação à torcida falar muito de Léo Moura, eu vim aqui para conquistar meu espaço, Léo Moura é ídolo, eu também sou grande fã do Léo Moura, mas eu sou Rodinei. Não quero comparação e vou continuar nesse futebol até o fim do ano para conquistar grandes coisas.
O que você fala para a torcida sobre seus projetos no clube? É de fazer gol?
Do começo ao fim do ano vão ver um jogador de muita raça e vontade, agora gol só de vez em quando (risos). Meu forte não é muito fazer gol. Pelo meu vigor físico, tenho mais facilidade de chegar ao fundo. Vou caprichar mais nos cruzamentos para Guerrero e Sheik fazerem os gols, mas eu fazer vai ser mais difícil. Fiz aquele gol contra a Portuguesa em um zagueiro (o defensor Fernando, ex-Fla, foi para o gol após expulsão do goleiro Márcio), mas graças a Deus já posso dizer que tenho meu primeiro gol pelo Flamengo. Podia ser quem fosse, o gandula, entrou a bola na rede e está lá a marca do meu gol, que foi para a minha esposa e Tatuí.
Fonte: GE
