No caso que pode trazer o Fluminense de volta à Série A do Campeonato Brasileiro, o advogado carioca Mauro Chidid pode ser considerado um especialista. Somente este ano, por exemplo, ele defendeu dois processos no futebol do Rio de Janeiro praticamente idênticos. E venceu os dois. Seus feitos nos tribunal paralisaram a Série B do Carioca por pouco mais de dois meses numa novela batizada de “caso Talis” e, no fim, deram a vitória para o clube que o contratou: o America. Com autoridade para falar no assunto, ele tratou de dar um alento aos tricolores – e uma má notícia para os torcedores da Portuguesa – ao prever o fim desse novo roteiro:
– Se tudo isso for realmente constatado, o Fluminense vai herdar a vaga da Portuguesa – cravou.
Assim que foi noticiado o risco da Procuradoria do Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD) denunciar a Portuguesa por ter escalado o meia Héverton de maneira irregular na última rodada do Brasileirão, o telefone de Chidid não parou de tocar, como ele mesmo conta. Advogados, imprensa, amigos… Todos entraram em contato com o profissional para ouvir sua opinião abalizada sobre o caso.
Isso porque, há pouco mais de quatro meses, trabalhava em um processo com os mesmos traços. O advogado conseguiu provar que o Goytacaz escalou o zagueiro Talis de maneira irregular em duas partidas da Série B do Carioca – uma vitória sobre o Angra dos Reis e uma derrota para o Sampaio Corrêa – e fez com que o clube de Campos dos Goytacazes perdesse seis pontos (três por ter cometido a infração e mais três pelos pontos conquistados nesse período). Por consequência, o America herdou uma vaga no Triangular Final da competição.
O caso só não é idêntico ao da Lusa por um detalhe. Por coincidência, o mais polêmico: o período entre o dia do julgamento e o da infração. No caso da Portuguesa, Héverton foi julgado na sexta-feira e jogou no domingo. Talis, por sua vez, conheceu sua punição no dia 30 de abril e entrou em campo no dia 4 de maio.
– O jogador da Portuguesa, segunda consta, foi punido com dois jogos. Cumpriu um e foi escalado no jogo em que a Lusa empatou. Nesse caso, a Portuguesa tem que perder quatro pontos. Três pela infração e um pelo ponto conquistado. Essa é a minha opinião – explica o advogado,
A situação do agora “caso Lusa” é a seguinte: Héverton, expulso contra o Bahia, cumpriu suspensão automática diante da Ponte Preta, mas foi julgado e pegou dois jogos de suspensão. Ou seja, deveria cumprir mais um contra o Grêmio no domingo. No entanto, foi relacionado e entrou aos 32 minutos do segundo tempo. A punição seria a perda de quatro pontos (três + o número de pontos conquistado no jogo), situação que rebaixaria a Lusa para a Segunda Divisão com 44 pontos e salvaria o Fluminense. O que provavelmente deve acontecer, segundo Chidid, que trata uma possível defesa da Portuguesa como “inevitável”.
– O advogado da Portuguesa disse que o STJD errou por lançar dois jogos de suspensão ao Héverton. Eu nunca vi um erro desse. Eu acho que o Direito é uma coisa muito séria. Portanto, se eu fosse o advogado da Portuguesa, eu não me queimaria numa defesa inevitável. Para a Portuguesa, não tem saída – concluiu.
Fonte: GE

