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Abismo separa o futebol brasileiro do sul-americano.

Simon Lédo
Simon Lédo
Publicação: 09/12/2013
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Atualização: 23/01/2015
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A possibilidade agora aberta de contar com até cinco jogadores estrangeiros na súmula, para as competições organizadas pela CBF, torna ainda mais interessante o mercado sul-americano para nossos clubes. Isso porque o verdadeiro abismo que separa a economia brasileira das economias dos demais países do continente tende a facilitar a vinda de atletas para cá. Desde, é claro, que não haja clubes europeus na parada e tampouco chineses ou japoneses ou árabes ou europeus do leste.
A realidade dos números econômicos tende a ser cruel e da mesma forma que temos condições para buscar valores nos países vizinhos, europeus e muitos asiáticos têm o mesmo poder em relação a nós mesmos.
Vamos a uma olhada rápida nos tamanhos das economias sul-americanas. Coloquei na lista o Estado de São Paulo, que, sozinho, já seria a segunda maior economia do continente e dá uma boa ideia do abismo mencionado. E acrescentei União Europeia, Estados Unidos, Reino Unido e Espanha. Os dois últimos pela força no futebol e por serem grandes compradores dos jovens valores sul-americanos e os outros dois para termos uma dimensão em relação às maiores economias do mundo (poderia ter incluído a China, mas julguei desnecessário).

O índice Big Mac é interessante por dar uma noção econômica tanto da moeda local em relação ao dólar (o real continua sobrevalorizado), como, também, para dar uma ideia, não muito precisa, mas válida, sobre o custo de vida em diferentes países. Partindo, claro, do princípio de ser o Big Mac um produto universal de produção e custos locais.
Essa tabela mostra coisas interessantes, como as rendas per capita de Chile, Argentina e Uruguai, todas bem superiores à brasileira. Essas “pequenas” informações sempre valem alguns minutos de reflexão, em especial sobre nós mesmos, sobre nosso país e nossas opções.
Seria importante para o continente e para todos, que a Argentina retomasse um caminho sólido de crescimento, o que já vem ocorrendo há bastante tempo e de forma consolidada no Chile, e agora também na Colômbia e Peru. Isso traria reflexos muito positivos para a própria Copa Libertadores de América e para a Sul-Americana.
Sobre o futebol, vou aproveitar um ponto do estudo preparado pelos analistas do Banco Itaú BBA e transcrevê-lo a seguir. Antes, um lembrete: alguns dos membros da equipe que preparou o “Análise Econômico-Financeira dos Clubes Brasileiros de Futebol” trabalham nos países que serão citados – Argentina, Chile e Colômbia – e são torcedores de times locais, como disse na primeira apresentação desse estudo no início de novembro. O que segue agora, em azul, é transcrição do trabalho e no próximo post mostrarei comparativos entre nossos clubes e os dos três países que o estudo analisou.
Como estão nossos hermanos?
O Itaú BBA é um banco Brasileiro de presença global. E tem intensificado sua presença nos países Latino- Americanos. Atualmente temos atuação na Argentina, Chile, Colômbia e Peru. E como o Futebol é um assunto que nos une, nesta edição trazemos alguns dados que nos possibilitam conhecer um pouco mais da saúde financeira do Futebol nesses países, e principalmente, compará-los com o Futebol Brasileiro.
O que nós encontraremos nas próximas páginas são dados que apontam uma distância razoável entre nós, especialmente em termos de Receitas. Os clubes Brasileiros, por estarem na maior economia da região, carregam uma capacidade de gerar receita que é inatingível por Argentinos, Chilenos e Colombianos.
Isto explica o recente domínio dos clubes Brasileiros nas competições Sul-americanas, especialmente na Libertadores da América. Mais receitas, melhores jogadores, melhores elencos, maior capacidade de competição.
Sob o aspecto das Dívidas, estas assombram Brasileiros e Argentinos, mas menos aos Colombianos e Chilenos. Mas, dívidas no Futebol estão associadas a Impostos, a Governos e em geral atrapalham mas não tem impedido os clubes de disputarem campeonatos.
Mas uma coisa é certa: a despeito de querermos mais informações, que nos permitam avaliar da melhor maneira possível nossos clubes, o Futebol Brasileiro está a anos-luz dos pares Sul-americanos em termos de transparência. Pouquíssimos clubes nos países vizinhos disponibilizam dados econômico-financeiros e informações que permitam qualquer tipo de análise. Por isso, o que veremos a partir de agora são extratos e highlights baseados nas poucas informações disponíveis.
Entre os três, a Argentina é a que apresenta menor visibilidade, seguida por Colômbia – que ao menos disponibiliza um material consolidado com algumas informações – e depois o Chile. Como os clubes são entidades sem fins lucrativos, não precisam disponibilizar balanços. Sigue la pelota!
Argentina – Aspectos Econômico-Financeiros
Infelizmente, transparência zero
Falar sobre o Futebol Argentino dentro de campo é bem mais fácil que falar sobre sua saúde financeira. A situação aparenta não ir bem. E “aparenta” não ir bem porque não temos informações que nos possibilitem avaliar os clubes.
O motivo disse é que todos os clubes Argentinos são instituições sem fins lucrativos e por conta disso não precisam divulgar dados econômico-financeiros.  E a partir deste cenário, o que temos são informações públicas, obtidas junto à imprensa, e que mostram que “aparentemente” a condição geral não é boa. Assim, o que temos a dizer sobre o Futebol Argentino vem em forma de bate-bola: “Toca y me voy!” .
Receitas
As TVs contribuem com pouco – cerca de US$ 230 MM anuais – e boa parte disso é pago pelo Governo Federal. Os maiores clubes recebem pouco menos de US$ 10 milhões.
A publicidade também é pequena, e os sponsors masters pagam perto de US$ 5 milhões anuais aos maiores clubes.
Resultado disso é que a maior parte das Receitas vem da venda de jogadores, visto que acreditamos que a receita com bilheteria também seja pequena.
Dívidas
Sabemos que os clubes têm dívidas elevadas para seu porte – notícias apontam valores na casa dos US$ 300 MM – mas não sabemos com quem são, se Impostos, jogadores, Bancos ou atletas. Supomos que seja um misto, mas cuja maior parte seja Impostos.
Os maiores clubes devem mais (Boca Juniors, River Plate, Independiente, Racing e San Lorenzo) e os destaques são os pequenos e organizados, como Lanús, Godoy Cruz e os times de Rosário, Newell’s Old Boys e Rosário Central.
Isto pode explicar o melhor desempenho dos times menores recentemente nos torneios locais.
Colômbia | Aspectos Econômico-Financeiros   
Pouca transparência, mas clubes aparentemente em ordem
O Futebol Colombiano sempre se destacou pela qualidade dos seus atletas, equipes que jogam para frente, mas poucas vezes com times brilhantes, com jogadores de expressão internacional. Fato é que trata-se de um futebol pequeno em termos financeiros e que parece estar evoluindo com o país.
Assim como na Argentina, não conseguimos balanços com facilidade, mas a pedido da Federação Local há um trabalho terceirizado que dá alguns highlights sobre os clubes e uma visão geral consolidada, o que, se não é ideal, já ajuda a entender a dinâmica do País. Este trabalho teve início em 2011 e é um possível início deste ciclo virtuoso que o País vem atravessando.
Receitas
De forma consolidada os clubes das duas divisões do país faturaram perto de US$ 158 MM em 2012, o que dá algo como R$ 315 MM e é praticamente a receita do Corinthians.
Sabemos que a TV paga pouco – cerca de US$ 1 MM por ano – e que possivelmente a maior parte da Receita venha de Sponsors e Venda de jogadores, mas não temos aberturas que validem esta suposição.
O maior clube local, o Millionarios, faturou US$ 18 MM em 2012, o que deve ser o teto do País.
Dívidas
As Dívidas não chegam a assustar e os clubes parecem equilibrados financeiramente. Sabemos pela imprensa que alguns clubes estão sofrendo mais que outros, como por exemplo o campeão da Libertadores de 2004, Once Caldas, que quase fechou as portas há 2 anos.
Chile – Aspectos Econômico-Financeiros
Clubes controlados, há capital aberto, mas estudos são raros
A administração do Futebol Chileno é acompanhada pela SVS – a CVM local –  em atendimento a uma Lei Federal, que obriga os clubes a encaminharem balanços para este “regulador”. Para 2012, a SVS divulgou dados gerais, e listaremos alguns highlights abaixo, que representam 15 dos 18 clubes obrigados a enviar dados.
O destaque é que há 3 clubes de Capital aberto – Colo Colo, Universidad de Chile e Universidad Católica – e que são os de maior torcida no País.
Apesar disso, não há estudos profundos a respeito do Futebol no Chile.
Receitas e Custos
Receitas: em 2012 montaram US$ 150 milhões, crescimento de 19% sobre 2011. Os 3 maiores clubes concentraram 66% das Receitas.
A maior parte das Receitas – 55% – vem da venda de direitos de Atletas. 
Prejuízo: os clubes, de forma consolidada, reduziram os prejuízos de US$ 15 milhões em 2011 para US$ 2 milhões em 2012. Mas dos 15 clubes que informaram dados, apenas 4 tiveram lucro.
Mercado de Capitais – Jan/13 a Set/13
Variação no preço das Ações dos 3 clubes de Capital Aberto:
Colo Colo: + 7%
Universidad de Chile: + 10%
Universidad Católica: 0%
Fonte: Olhar Crônico
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