Um Flamengo “Brocador”, que superou, com raça, amor e paixão, cada uma das fases decisivas da Copa do Brasil, hoje não foge à sua tradição. No Maracanã com 70 mil pessoas, assume o favoritismo diante do Atlético-PR, depois de empatar em Curitiba por 1 a 1, e vai em busca do tricampeonato. Mesmo que para isso baste um empate sem gols a partir das 21h50m.
Se Hernane mantiver a fama de artilheiro do palco reformado para a final da Copa do Mundo, com 16 gols em 16 jogos — média de um gol por partida — pode garantir o título e o feito de se tornar o único artilheiro do torneio pelo clube a atingir tal conquista. O Flamengo já teve como goleadores Sávio (1995) e Romário, duas vezes (1998 e 1999). O atual camisa nove tem sete gols. O único que poderá alcançá-lo é Éderson, do Atlético-PR, com quatro.
Nos últimos quatro jogos, no entanto, o Brocador passou em branco. Apenas o último atuando no Maracanã, contra o Corinthians. Para evitar a exposição, Hernane tem mantido a concentração e evitado as entrevistas. Na véspera da decisão, evitou até o recreativo, e os experientes Leo Moura e André Santos, campeões da Copa do Brasil em 2006, foram escalados para falar dos momentos que antecedem o jogo. André Santos tentou tirar um pouco a responsabilidade dos ombros do Flamengo.
— A frase Flamengo é Flamengo não pode gerar uma pressão em cima de nós. Sabemos como é, mas chegamos aqui com muita humildade e foco. Deixamos o entusiasmo com o torcedor, estamos fechados — garantiu.
Ambos falaram ainda sobre a postura do time, da ausência de Chicão, que, vetado, dá lugar a Samir, e a importância da conquista para coroar um ano de muitas dificuldades.
— Os jogadores foram questionados, mas demos a volta por cima. Jogamos em casa, temos de pressionar um pouco o time deles. Acredito muito na nossa equipe, que é mais forte com o apoio da torcida. Estamos preparados em relação a isso. Sabemos que não tem nada ganho. Isso é com o torcedor — emendou Leo Moura.
Para aliviar a ansiedade até dos mais experientes, os jogadores participaram ontem de um rachão animado, com muita brincadeiras entre si e com os membros da comissão técnica. Diferente de dias comuns, atletas e funcionários circulavam com agitação e conversavam muito sobre a final. Apenas por alguns minutos a concentração foi máxima. Para o treino de cobranças de pênaltis. Se depender dos números de Hernane e da torcida, o Flamengo mata o jogo durante os noventa minutos. E conquista o tri.
Fonte: Extra Globo

