A controvérsia das supostas facilitações de jogos na reta final do Brasileirão foi retomada, três anos depois, em Vasco 2 x 1 Cruzeiro. Desta vez, com uma novidade: haverá investigação quanto ao comportamento dos jogadores na partida de anteontem. O estopim para essa mudança foi a divulgação de um vídeo no qual Júlio Baptista pede a Cris para que o time carioca “faça logo outro gol”. A frase despertou o interesse do Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD).
O órgão promete analisar as imagens da partida e o diálogo. Tal averiguação jamais havia ocorrido, apesar das desconfianças presentes em ao menos quatro resultados recentes do Brasileirão. Em 2009, ano do título do Flamengo, as vitórias do time carioca sobre Corinthians e Grêmio vieram acompanhadas de polêmica — seria interessante para os derrotados que São Paulo e Internacional não fossem campeões. Em 2010, teriam sido São Paulo e Palmeiras a facilitar o trabalho do Fluminense para prejudicar o Timão.
Em entrevista ao Correio, o procurador-geral do STJD, Paulo Schmitt, confirmou que o órgão nunca investigou qualquer “entrega” nesses confrontos. As imagens de Cruzeiro x Vasco, no entanto, serão analisadas. “Vamos avaliar. É óbvio que pode ser passível de penalidade. Não acredito que tenha acontecido, mas é nossa obrigação. Não pode existir qualquer dúvida quanto à credibilidade do resultado”, explica o jurista, desde 2004 no tribunal.
Na manhã de ontem, Júlio Baptista demonstrou irritação ao comentar o assunto. “Todo mundo sabe da minha integridade. Muitas pessoas vão entender de outra forma, mas tenho minha consciência tranquila”, argumentou o atleta, à Rádio Itatiaia. O meia-atacante alega ter respondido de forma irônica a Cris, quando o zagueiro teria pedido para que o Cruzeiro parasse de pressionar. O vascaíno apresentou a mesma versão.
Caso seja punido, Júlio Baptista pode acabar suspenso por até um ano (leia Saiba mais). Seria algo inédito no país: jogadores em partidas com indícios bem mais claros de favorecimento nunca foram punidos. “Sempre existem jogos assim”, afirmou ao Correio o ex-volante Túlio Guerreiro, titular do Grêmio na derrota por 2 x 1 para o Flamengo, na rodada final do Nacional de 2009. Qualquer outro resultado daria o título ao Inter, arquirrival tricolor. “Naquele dia, não existia outra opção, eu senti os jogadores apavorados. A pressão da torcida e da diretoria era absurda”, recorda.
No dia anterior àquela partida, três jogadores alegaram lesões no treino recreativo. “A diretoria deu a entender que devíamos entregar. No intervalo do jogo, tinha conselheiro, diretor, todo mundo no vestiário”, conta Túlio. O ex-atleta, porém, acredita que o caso Júlio Baptista não passe de má interpretação.
Os clubes que lutam contra o rebaixamento não têm a mesma compreensão. “Não pode um atleta, de forma irresponsável, fazer o que ele fez”, critica o gerente de Futebol do Criciúma, Cícero Souza. O Fluminense deve se posicionar nos próximos dias. Já o Bahia, que promete entregar um pedido de explicações à CBF, chegou a mostrar aos jogadores o vídeo da polêmica como forma de motivá-los.
Fonte: Super Esportes
