Uma final de campeonato costuma ser aquele jogo de nervos à flor da pele, uma dose extra de cautela dos times e, maioria dos casos, poucos lances de emoção. Cumprindo tal regra, Atlético-PR e Flamengo entraram em campo sem admitir sair derrotados – embora suas formações táticas iniciais não apresentassem novidades. Foi na base do fôlego reforçado na marcação, da mudança de estilo do Furacão e da má pontaria do time carioca que o empate 1 a 1 persistiu no placar, na noite dessa quarta-feira, na Vila Capanema. O tira-teima acontece na próxima quarta, no Maracanã.
É verdade que Marcelo e Amaral não tiveram de medo de arriscar e viraram os protagonistas com dois golaços de fora da área ainda no primeiro tempo. Mas foi só. Os raros momentos de inspiração e agressividade de ambos os lados dominaram, dando lugar ao excesso de bolas aéreas (caso do mandante) e à falta de tranquilidade e capricho nas conclusões (do visitante).
Uma prova de que o Atlético foi outro é a comparação com suas últimas partidas em casa. Sempre no toque de bola envolvente, na movimentação intensa e na troca de posições entre seus jogadores de frente, Vagner Mancini construiu uma equipe que pressiona bastante o rival e cria chances de balançar a rede através de formas diferentes. Desta vez, foram 23 bolas erguidas e somente três cabeçadas em direção à meta de Felipe – baixíssimo aproveitamento.
Além disso, apenas cinco dessas de fato chegaram à linha de fundo, o que mostra que o abuso na alternativa teve relação direta com a dificuldade de penetrar na bem postada defesa carioca. A marcação dobrada impediu que o Rubro-Negro raciocinasse a melhor jogada. Aliás, o zagueiro Wallace, que merece um capítulo à parte mais adiante, tornou a brilhar. E não menos eficiente foi Manoel, xerife paranaense, que teve trabalho nos contragolpes, mas se antecipou várias vezes, fez nove desarmes e ganhou quase tudo pelo alto.
Mapa na mina na direita
Não foi preciso Rafinha ou qualquer outro velocista pela ponta direita. O time de Jayme de Almeida mais uma vez variou sua arma e deixou Paulinho isolado na esquerda para explorar a deficiente marcação de Pedro Botelho, lateral ofensivo, e Luiz Alberto. Essa estratégia tem sido constante. Com o apoio do volante Luiz Antônio, Léo Moura e Carlos Eduardo, o Fla deitou e rolou nas costas. Mas todos os chutes ou cruzamentos que saíram dali não tiveram mira ou não acharam Hernane, que chegou a se irritar e saiu frequentemente da área para buscar a bola.
Quando Botelho deixou o gramado para a entrada do atacante Dellatorre, a situação ficou ainda mais fácil. Zezinho foi deslocado para o setor e não suportou as investidas. Minutos após, Maranhão substituiu Paulo Baier e ocupou a região para evitar que a vantagem dos cariocas na decisão aumentasse.
Wallace para o ataque do Furacão
Em grande fase, Wallace foi o principal responsável pelo insucesso do ataque adversário. Com 13 desarmes, quatro roubadas e nenhuma falta cometida, liderou a defesa. Nem mesmo com a saída do parceiro Chicão, machucado, e a mudaça de lado com o canhoto Samir atrapalhou o zagueiro. O camisa 14 cortou sete bolas pelo alto e ainda deu duas arrancadas. Junto a Amaral, que não se destacou apenas pelo gol marcado, anulou Paulo Baier – que errou seis dos pouco expressivos 13 passes que deu – e complicou a vida do arisco Everton.
A noite do artilheiro do Campeonato Brasileiro não era boa desde o começo, mas o desempenho defensivo do Flamengo contribuiu para que Ederson estivesse ainda mais apagado. Foram sete passes errados (contando com duas tentativas de finalização que foram para trás) e só uma conclusão – uma cabeçada fraca. No mais, o atacante sentiu falta das tabelas na penetração.
Everton se desdobra e ganha ‘prêmio’
Apelidado de motorzinho em praticamente todos os clubes que passa, Everton mostrou na noite de quarta o motivo de causar preocupação nos treinadores rivais. Apareceu em todos os cantos do campo, roubando bolas na defesa e se desdobrando para levar o Atlético à frente. Como um trabalhador invisível, os números finais não foram tão expressivos e ainda levou um “prêmio”: fez falta dura, levou amarelo e está fora da finalíssima, no Maracanã. Sua ausência será sentida.
Fonte: GE


