Aos 60 anos, Jayme vem passando por fortes emoções. Na última semana sofreu com uma cirurgia de emergência da neta, Pietra. A partir desta quarta-feira começa a decidir seu primeiro título como técnico do Flamengo, contra o Atlético-PR, e espera deixar mais uma marca da família na história do clube.
Na primeira final como técnico, Jayme já tem a receita para o título.
O que significa poder repetir a história do seu pai, também campeão como jogador e técnico pelo clube?
A minha família tem uma vida dedicada ao clube. Poder seguir isso, sem passar por cima de ninguém, é muito emocionante. É a chance de colocar mais uma marca da família na história do Flamengo . É uma honra poder viver esse momento.
Qual o momento mais difícil dessa trajetória?
O primeiro jogo em que assumi, contra o Náutico. O Mano (Menezes) tinha acabo de sair, pegou a todos de surpresa e a desconfiança era grande. Mesmo confiando na minha capacidade de fazer um bom trabalho, eu precisava provar que era capaz.
E quando você passou a achar que iria dar certo?
No primeiro jogo contra o Botafogo, pela Copa do Brasil, eu passei a acreditar de verdade. Empatamos (1 a 1), mas jogamos bem, mesmo sabendo que o Botafogo era favorito. Ali senti que os jogadores aceitaram a nossa proposta de trabalho, entenderam que era possível crescer e que poderíamos chegar mais longe.
O Leo Moura disse recentemente que não esperava que você fosse dar tão certo. A que atribui essa mudança?
Acho que a minha postura ajudou. Com simplicidade, sem marra, sem arrogância. Eu dividi a responsabilidade com eles e nunca mudei minha maneira de agir, mesmo com os resultados sendo positivos. E eles me conhecem há algum tempo também, o que sempre ajuda.
Você passou por um drama pessoal na semana passada, com a cirurgia da sua neta. Como foi lidar com isso em meio a esse clima de decisão?
Não sou de ferro, minha família é tudo que tenho. Saber que minha neta ia operar de apendicite e eu estando longe… Muita coisa vem na cabeça, ainda mais porque perdi minha irmã há exatamente um ano. Foram dias muito difíceis, mas o pessoal da comissão técnica me apoiou muito. A Pietra está bem e vai torcer muito pela gente também.
O que esperar do Flamengo nessa final?
A gente sofreu muito para conseguir chegar à decisão. A torcida espera pelo título e vamos lutar muito por isso. É preciso muita entrega, atenção e saber que essa final não acaba no primeiro jogo. Mais do que nunca temos que jogar com o coração, como Flamengo exige que seja. Com inteligência, mas sem medo.
A conquista do título é decisiva para a sua permanência no clube no ano que vem?
Estou fazendo o melhor que posso desde o dia em que assumi como técnico. A proposta era livrar o time do rebaixamento no Brasileiro e tentar buscar o título da Copa do Brasil. Sendo campeão ou não, vou seguir o combinado. Sem pensar no que vai acontecer depois. Quando a temporada acabar, a gente vê como fica. O futuro não me preocupa.
A situação do time no Campeonato Brasileiro ainda preocupa?
A gente precisa tomar as decisões que acha as mais corretas e foi o que fizemos nos últimos jogos, devido à chance real de título na Copa do Brasil. Ainda faltam três partidas pelo Brasileiro. Acho que não teremos problema, mas é preciso definir essa questão do rebaixamento o quanto antes.
Fonte: Extra Globo
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