Diante da polêmica envolvendo o aumento dos ingressos para a final entre Flamengo x Atlético-PR no Maracanã, o Presidente do Clube de Regatas do Flamengo esclareceu dúvidas para o Radialista Luiz Penido da Rádio Globo e ainda questionou quem está por trás da ‘onda de ataques’.
– Nós estamos sendo vítimas de uma grande injustiça e agora temos que conviver com declarações falsas como essas da secretária Cidinha. Em momento nenhum nós fomos notificados e convidados. Os agentes do PROCON invadiram a sede do Flamengo sem mandado nenhum, sem nenhuma ordem judicial e ainda prenderam de maneira ilegal o nosso diretor jurídico que está até agora sob poder deles. Isso é um absurdo, e isso não se vê nem nas piores ditaduras. É um absurdo que isso esteja acontecendo com o Flamengo. Outra coisa que ela colocou de maneira falsa para tentar enganar os ouvintes, é que o Flamengo cometeu um crime ao não comparecer. Isso não é crime e ninguém aqui é maluco. Nós consultamos nossos advogados e não existe crime nenhum, e ainda respondemos todas as alegações do PROCON com um ofício que foi entregue por um advogado nosso. Está tudo documentado e o que nós não vamos fazer em momento nenhum é dar microfone pra político fracassado.
Ela disse que é um oportunismo do Flamengo vender os ingressos antes de conhecer o resultado do primeiro jogo. Porque segunda ela, o primeiro jogo poderia ter um peso maior agora e menor depois se houver um insucesso do Flamengo. Então por que o Flamengo resolveu vender os ingressos agora?
– Isso é mais um grande absurdo. Nós sabemos perfeitamente que ingressos são vendidos até mesmo com um ano de antecedência. Você hoje está comprando ingresso pra Copa do Mundo e nem sabe quem vai jogar. Então a FIFA está exercendo algum crime nesse caso? Isso é mais um absurdo, e eu fico imaginando o que está por trás dessa onda de ataques. O Flamengo está tirando o ganha pão dos cambistas que sempre se aproveitaram do espetáculo do futebol. Então eu vejo muita gente poderosa por trás disso, e eu imagino quem está por trás e quem está perdendo com isso. Não é o povo, não é a torcida, muito pelo contrário, quem está sendo prejudicado estão sendo os cambistas que muito provavelmente não irão ter os lucros absurdos que eles tinham e que nunca foi fiscalizado pelo PROCON.
Ela disse também que é abuso econômico vender o ingresso com 400% de majoração em relação ao que normalmente é praticado. Eu ainda perguntei pra ela: “O Flamengo como uma entidade privada não tem o direito de vender o ingresso no valor que bem entender?” Ela falou que não, pois quando se gera uma relação de consumo a relação de compra e venda presupoem a intervenção do Poder Público para conter o abuso e de tudo aquilo que foge do bom senso. E ainda comparamos as companhias áreas que estão cobrando preços abusivos por passagens de avião.
– Mas a questão é o mercado. Quando você vai comprar uma passagem de avião numa quinta-feira a tarde de Brasília para o Rio em cima da hora é evidente que irá pagar cem vezes mais do que se comprar com duas semanas de antecedência. No caso do ingresso do Maracanã para a final o ticket médio esperado é de R$ 122. Ou seja, estão falando que o ingresso mais barato é de R$ 250. Mas se o médio vai ser R$ 122, que matemática é essa de que o médio é menos da metade do mínimo? Isso não existe. O ingresso mais barato que existe nesse jogo é zero. São 15 mil pessoas aproximadamente que vão a esse jogo de graça por forças de gratuidades. Depois dos 15 mil de graça tem um contingente de pessoas que vão pagar R$ 75, o que representa 60% do preço da meia entrada. E no RJ não existe controle de quem tem direito e de quem não tem direito a meia-entrada. Por conta disso tudo, mesmo contando com os ingressos mais caros, das áreas Vips, ainda assim o ingresso médio desse jogo é estimado em R$ 122. Aonde está o abuso? Abuso é o que o Flamengo vinha sofrendo ao longo desses anos todos em que era esfolado e chegava no final do ano sem conseguir pagar nossas contas de novembro, dezembro e décimo terceiro, além de fazer os nossos funcionários passarem o natal sem ter o que colocar na mesa para os seus familiares. Nós vamos acabar com isso. Só nesse ano nós já pagamos R$ 80 milhões em impostos.
Matéria redigida por Eduardo El Khouri.

