Foram parar na Justiça as reclamações de torcedores do Flamengo sobre o preço dos ingressos para a final da Copa do Brasil, no Maracanã. O Procon-RJ prepara uma autuação com previsão de multa e uma ação civil pública contra os valores praticados — entre R$ 250 e R$ 800. As torcidas organizadas se mobilizam para registrar ocorrência na Delegacia do Consumidor, sob orientação do advogado Michel Assef Filho. E integrantes da oposição já acionaram os dirigentes no Ministério Público .
Fla discute recuo, mas valor do ingresso permanece o mesmo.
Com isso, o décimo-segundo jogador do Flamengo pode não entrar em campo na partida decisiva. Uma semana que tinha tudo para ser de paz e foco apenas na preparação do time para a final que começa na próxima quarta-feira, dia 20, contra o Atlético-PR, se transformou em um “furacão” de críticas sobre a cúpula do clube, especialmente o marketing.
A decisão sobre os valores começou a ser tomada na sexta-feira, quando o preço mínimo de R$ 250 foi falado pela primeira vez. No sábado, o presidente Eduardo Bandeira de Mello se reuniu com os vices Wallim Vasconcellos, do futebol, e Luiz Eduardo Baptista, do marketing, e a divergência começou, com direito a discussão áspera. O mandatário ficou do lado de Wallim, que defendia valores mais modestos, mas ambos foram votos vencidos.
Depois do anúncio e da repercussão negativa, a diretoria se reuniu novamente ontem e pensou em recuar, mas se manteve firme, mesmo com a notificação do Procon-RJ cobrando explicações sobre o aumento nos bilhetes.
A Secretária de Defesa do Consumidor, Cidinha Campos, confirmou audiência para amanhã de manhã com advogados do clube. Se as planilhas não convencerem, parte da renda da final pode servir para pagar multa.
— A gente pediu que tragam as planilhas para justificar o preço e o contrato com o sócio-torcedor. Se não justificar vamos autuar e multar. Eles tem 15 dias para se defender a partir de quarta-feira. Vamos tentar uma ação civil publica com pedido de liminar na Justiça para que devolva o dinheiro para os torcedores. A gente está querendo dar uma chance ao Flamengo de não sofrer esse vexame de não espoliar o torcedor, de dizer que foi engano. O time passa a vida pedindo ajuda para a torcida, fizeram mais barato porque precisavam. Na hora que estão na final, esquecem — disse Cidinha Campos.
Diretoria encontra organizadas
A possibilidade de ficar sem o “pulmão” das arquibancadas do Maracanã não sensibilizou os dirigentes do Flamengo. Em encontro com membros de torcidas organizadas ontem na Gávea, os diretores Fred Luz e Fred Mourão apresentaram números do programa de sócio-torcedor, que já atingiu 52 mil adeptos, e reforçaram que não será possível reduzir os valores.
Os integrantes das torcidas, então, partiram para uma reunião na conhecida “Boca Maldita”, também na sede, e cogitaram entrar com ação no Ministério Público contra o clube. A medida, no entanto, não foi à frente. A possibilidade de doação de ingressos, já praticada esse ano, foi um dos motivos que freou a ação. Mas um protesto marcado para sexta-feira ganhou corpo. Ontem mesmo alguns torcedores comuns já foram à sede buscar explicações, mas não foram recebidos.
Fonte: Extra Globo
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