Com uma atuação superior por quase todos os 90 minutos no Maracanã, o Flamengo avançou à Copa do Brasil com nova vitória por 2 a 1 sobre o Goiás. A equipe carioca soube fazer duas coisas muito bem para ter o controle do jogo: usar Carlos Eduardo como um homem extra no meio-campo para dominar a posse de bola, e anular a inovação tática de Enderson Moreira, que apostou – sem nenhum sucesso – no meia Roni como um “falso centroavante” no lugar do lesionado Walter.
Órfão de Walter, Goiás tenta inovar mas é anulado pelo Flamengo.
A falta que Walter fez ao Goiás na semifinal foi imensurável. Além de artilheiro do time, o centroavante é o canal por onde todas as jogadas ofensivas passam, principalmente funcionando como “parede” para as bolas longas da defesa. A ausência de um ponto central no ataque foi óbvia para o Goiás durante a maior parte do jogo: Roni não conseguia ganhar duelos aéreos ou prender a bola, e o time esmeraldino passou muito tempo dando chutões sem direção e devolvendo a posse ao Flamengo.
O que Roni podia oferecer era mobilidade – a função básica de um “falso centroavante” é se mexer, arrastar os zagueiros adversários consigo e abrir espaços para a infiltração dos companheiros. Mas Chicão e Wallace não precisavam seguir Roni para fora da área, já que o volante Amaral não tinha um adversário direto para marcar, e ficava com a simples tarefa de colar no atacante do Goiás quando ele recuava. Com três jogadores funcionais e pouco criativos no meio-campo, a equipe não abriu o Flamengo e não criou praticamente nada – aí também faltou um meio-campista que entrasse na área rival, como Hugo.
Foi surpreendente o fato de Enderson só ter colocado um centroavante aos 13min do segundo tempo, e apenas por causa da lesão de Eduardo Sasha. Cinco minutos depois de Júnior Viçosa ter entrado em campo, ele fez uma jogada de pivô e o Goiás criou sua melhor chance do jogo, com Renan Oliveira chutando para fora. Mas aí a situação já era desesperadora, com o Flamengo vencendo por 2 a 1 e cada vez mais perigoso nos contra-ataques.
A equipe de Jayme de Almeida, aliás, sabe muito bem o que fazer em campo. Começou o jogo com Carlos Eduardo caindo da direita para o centro, fazendo uma vantagem numérica de 4 contra 3 no meio-campo e assegurando a posse de bola do Flamengo; o corredor direito ficava aberto para as passagens de Léo Moura e Luiz Antônio. Mas o grande diferencial do time não foi tático, e sim individual: em um meio-campo repleto de jogadores funcionais, Elias foi o fator de desequilíbrio, ao criar a jogada do primeiro gol e marcar o segundo com um lindo chute após se livrar de seu marcador pessoal, Tiago Mendes.
No segundo tempo, o Flamengo se fincou em um 4-2-3-1 mais nítido, com Luiz Antônio e Paulinho abertos, e apostou nos contra-ataques. Ficou mais perto de marcar o terceiro gol do que o Goiás de empatar – o time de Enderson Moreira, que faz grande campanha no Brasileiro, mostrou claramente o quanto depende de seu principal jogador.
Fonte: Terra
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