Há 100 dias o Blog Teoria dos Jogos publicou um texto chamado “Qual é o melhor modelo de exploração do Maracanã?”, que continha simulações envolvendo os dois principais cenários disponíveis: o modelo de ASSENTOS FIXOS, adotado pelo Fluminense (e posteriormente, por Botafogo e Vasco) e o de COMPARTILHAMENTO DE LUCROS*, escolha feita pelo Flamengo. O ponto de interrogação em torno das estimativas pode ser dissipado através do confronto da teoria com a prática – o Maracanã recebeu nada menos que 37 partidas desde então. Sob a ótica dos clubes, as conclusões às quais o Blog chegou estavam corretas.
Modelos de exploração do Maracanã: uma avaliação definitiva.
*À época, havia dúvidas acerca da possível adoção de um modelo de compartilhamento de receitas, o que não veio a se confirmar.
Antes de tudo, relembremos as características dos contratos. O modelo de ASSENTOS FIXOS repassa ao Fluminense (representando todos os demais) as receitas de todas as 43 mil cadeiras atrás dos gols. Assentos centrais, camarotes, placas publicitárias, bares e estacionamento pertencem ao Consórcio Maracanã, que arca sozinho com as despesas e os custos operacionais das partidas. No caso do COMPARTILHAMENTO DE LUCROS, o Flamengo surge com participação solidária em todas as receitas, despesas e custos citados. O primeiro modelo, à prova de prejuízos, foi tido como melhor em partidas de baixo apelo. O segundo, exposto a resultados negativos, seria maximizador em jogos de maior importância.
Como o modelo de COMPARTILHAMENTO DE LUCROS não se vale apenas da bilheteria, é importante determinarmos um valor per capita para o consumo com bares e camarotes (placas publicitárias e estacionamento seguem como incógnitas). Pois bem: no confronto Flamengo 1 x 1 Botafogo, pela 9ª rodada do Brasileirão, o rubro-negro auferiu R$ 274.434,10 (R$ 116.000,00 + R$ 158.434,10) em uma partida com público presente de 52.361. Os valores foram divulgados pelo próprio clube e também expostos por aqui. Assim, pode-se atribuir uma média arredondada de R$ 5 por torcedor a ser utilizada nas comparações a seguir.
Em FLAMENGO 2 x 1 BAHIA, partida de pior público rubro-negro como mandante no Maracanã:
Renda: R$ 361.830,00
Público presente: 12.443
Lucro com bilheteria: R$ 76.194,45 (antes da penhora)
Projeção de lucros bares+camarotes: R$ 62.215,00 (R$ 5 por presente)
Lucro do Fla (real + estimado): R$ 138.409,45
Neste caso, o “lucro do Fluminense” seria representado pela soma das receitas com assentos dos setores Norte e Sul, algo facilmente calculável: R$ 189.975,00. Um valor 37% superior ao angariado pelo Flamengo. Ou seja, em jogos vazios há real benefício ao modelo de ASSENTOS FIXOS adotado pelo Fluminense.
Em FLAMENGO 4 X 0 BOTAFOGO (Copa do Brasil), partida de melhor público rubro-negro como mandante no Maracanã:
Renda: R$ 2.955.555,00
Público presente: 59.848
Lucro com bilheteria: 1.526.453,00 (antes da penhora)
Projeção de lucros bares+camarotes: R$ 299.240,00
Lucro do Fla (real + estimado): R$ 1.825.693,00
Aqui, a coisa muda de figura. Com base nas receitas dos setores Norte e Sul e ao nível de preços vigente, o modelo tricolor arrecadaria R$ 1.367.360,00. Neste caso, foi o Flamengo quem ganhou 33% mais, percentual ligeiramente inferior por conta da base expandida. Em jogos de grande apelo, não restam dúvidas da maior lucratividade do COMPARTILHAMENTO DE LUCROS. Trata-se da confirmação das suposições feitas em julho.
É natural que padrões em vigência não sejam definitivos, nem para um lado nem para outro. O próprio Flamengo, após atritos com o Consórcio, realizou ajustes até que seu contrato chegasse às bases atuais – por exemplo, custo operacional de R$ 10 por pagante até o limite de R$ 300 mil. Já o Botafogo aparenta insatisfação pelo deserto que seu modelo gera nos setores centrais do estádio – o que não ocorre quando o Flamengo se apresenta. A verdade é que existe uma tendência à fusão das correntes em seus benefícios, fazendo com que ganhe mais aqueles que simplesmente compareçam e consumam em maior escala.
Fonte: Teoria dos Jogos
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