“Torcedor de churrascaria”, “sem identidade”, “traidor das origens”, “vergonha do Nordeste” e tantas outras alcunhas. Não é nada fácil a vida do cearense que decide torcer também por times de outros estados. E esse perfil de boleiro, denominado “misto”, vem à tona com força nesta semana, já que o Flamengo enfrenta a Portuguesa, no próximo domingo, às 15 horas, na Arena Castelão. Com muitos rubro-negros empolgados em Fortaleza, a velha questão novamente foi levantada: é legítimo torcer por equipes estaduais e de outras localidades ou não existe essa limitação tão rígida no futebol?
Com o Flamengo no Castelão, discussão sobre o torcedor misto ressurge.
Para o estudante de Direito Israel Ávila, 18, o torcedor “misto” enfraquece o futebol local. “Se a gente valorizasse só o futebol daqui, estaríamos muito melhor hoje. O povo mais velho dá até para justificar, por conta das transmissões nacionais, com pouco conteúdo local. Mas as gerações mais novas não têm desculpa para torcer por times de fora”, sentenciou. Torcedor do Fortaleza, Israel admitiu ter tido uma “queda” pelo Palmeiras na infância, mas largou. “Futebol é arquibancada.”
Já o analista comercial Álisson Barbosa, flamenguista desde pequeno, afirma que não há nada de errado em torcer por um time de tradição nacional do eixo Rio/São Paulo. Ele conta que se apaixonou pelas cores do Rubro-Negro por influência do pai, que é natural do Crato mas morou por muitos anos no Rio de Janeiro. “Às vezes o cara torce para um time de fora para poder torcer por um time que disputa título nacional/internacional. Também tem a ver com a valorização da marca”, justificou.
Exemplo clássico do torcedor batizado de “misto”, o estudante de Publicidade Sid Guimarães, 20, tem seu coração dividido entre Ceará e Flamengo. Conforme Sid, as críticas feitas à opção são cheias de preconceito. “Antes de ser um torcedor de um time, sou um adorador de futebol. Nada me impede de assistir ao Real Madrid e torcer pelo time. Acho isso meio sem noção. É algo muito bairrista. Se fosse gostar só do que ‘é da gente’, deixaríamos de agregar um monte de coisa ao nosso dia a dia.”
Fonte: O Povo
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