Auxiliar técnico por muitos anos, Jayme de Almeida nunca perdeu o sono por não conseguir a grande oportunidade que esperava na carreira. Treinador só em momentos de dificuldade do Flamengo, ele encarou de frente o desafio de livrar o time do rebaixamento no Campeonato Brasileiro, depois que Mano Menezes abandonou o barco. De quebra, aos 60 anos, herdou a missão de tentar classificar o Rubro-negro para as semifinais da Copa do Brasil. Na noite desta quarta-feira, contra o Botafogo, tem certeza de que viverá um momento especial na profissão.
Jayme vê fator torcida como essencial para o Flamengo superar o Botafogo.
Um jogo como este contra o Botafogo muda a rotina do clube?
Procuro agir sempre da mesma forma, preparar o time da mesma maneira. Quanto mais pressão você coloca, quanto mais coisas tenta passar, acaba sendo pior. Não adianta querer inventar nessa hora.
Mas, por valer uma classificação, acaba sendo uma partida especial?
É especial por tudo que vivemos este ano também. Não foi um ano bom, não tivemos conquistas, então essa é uma chance que existe e precisamos aproveitá-la. Na minha vida toda, sempre procurei pensar que o mundo não acaba com uma derrota. Mas, no Flamengo, vencer tem que estar no sangue. Todos que passam por aqui têm que pensar em vencer e não será diferente contra o Botafogo.
Quais as dificuldades que você espera encontrar?
Vai ser um grande jogo, com muito equilíbrio, como foram todos os outros que fizemos contra o Botafogo recentemente. O Botafogo é um excelente time, que sabe o que fazer com o bola. E o Flamengo vem crescendo, quem entra está sempre correspondendo e o torcedor entendeu isso. Daí vem o apoio que temos recebido.
Você ainda esperava ter essa chance de ser técnico aos 60 anos, depois de tanto tempo como auxiliar?
Nunca projetei nada, sempre me preparei para viver a vida. Mas nada caiu do céu para mim, não. Eu trabalhei, procurei me preparar da melhor forma possível para quando surgissem as oportunidades. E, quando elas apareceram, tentei pegá-las. Sempre com correção, com os meus princípios, com honestidade. Eu adoro vencer, mas nunca vou passar por cima de ninguém para me dar bem.
O título é um sonho que você alimenta?
Quando entrei, o mais importante era livrar o time do rebaixamento. Eu só pensava nisso. Como a situação está muito bem encaminhada, é claro que a Copa do Brasil passa a ser um sonho. Todos aqui querem ganhar o título, é a esperança que temos este ano.
Você já imaginou o que vai sentir sendo o técnico do time em um jogo com o Maracanã lotado?
Vai ser fantástico, uma emoção diferente. Chegar na minha idade e ter essa chance não é para qualquer um. É mais um momento marcante que vou viver e espero muito que dê tudo certo.
Mesmo tendo parado de jogar há tanto tempo, momentos como esse ainda mexem com você…
A torcida do Flamengo sempre vai mexer com quem passa por aqui. Tem que mexer. Fui criado no Flamengo e aprendi que aqui tudo tem que ser levado a sério, todos os jogos são importantes, tudo aqui tem uma dimensão maior. Foi isso que sempre escutei do Seu Joubert, do Seu Bria… E foi assim que o Flamengo formou jogadores fantásticos como Zico, Júnior, Andrade, Cantarele. É claro que isso mexe. Ganhar ou não, faz parte do futebol. Mas a gente precisa lutar para fazer o melhor. E vai ser um grande jogo. O torcedor vai nos ajudar com toda certeza.
Fonte: Extra Globo
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