A comissão do Senado deve aprovar o projeto que obriga ex-dirigentes a pagarem do próprio bolso dívidas deixadas nos clubes. Isso significa dizer que os dirigentes venais serão expropriados dos seus bens e terão de arcar com aquilo que fizeram ao longo da gestão, com assinaturas de contratos faraônicos para serem pagos tempos depois de eles deixarem o clube. Isso significará responsabilidade fiscal. Já passou da hora de haver um basta neste país do futebol e do faz de conta.
É inadmissível um cidadão candidatar-se à presidência de um clube e usá-lo como se a entidade esportiva fosse sua empresa particular. Tem dirigente que era pobre e ficou rico com o futebol, que deixou dívidas fabulosas e que não está nem aí. Agora a coisa vai pegar e a cadeia poderá ser o destino de alguns. Há tempos alguns desses caras vêm brincando com o patrimônio de uma torcida. Sim. O maior patrimônio de um clube é a sua torcida, razão de sua existência, e vice-versa. O clube não é do dirigente, como muitos imaginam.
É inadmissível vermos clubes próximos da insolvência, devendo quase R$ 1 bilhão, enquanto alguns dirigentes que os comandaram estão ricos, usufruindo aquilo que conquistaram com o cargo. Por isso eles pagam R$ 500 mil, R$ 700 mil, R$ 1 milhão por mês a um treinador. O dinheiro não é deles e a conta vai explodir no colo do próximo gestor. Se for um cara sério, como o atual presidente do Flamengo, Eduardo Bandeira de Melo, ele vai tentar corrigir o problema com o choque de gestão, mas seu clube dificilmente vai disputar títulos. Se for outro venal, como alguns que passaram pelo rubro-negro, ele simplesmente vai jogar o lixo para debaixo do tapete, gastar mais e deixar o clube com uma dívida astronômica. Chega. A banda agora vai tocar de outra forma.
Segundo o senador Alvaro Dias, relator do projeto, a medida vai fazer o dirigente pensar 10 vezes antes de assumir o cargo, pois terá responsabilidade patrimonial pessoal sobre aquilo que gastará no clube. Resta saber se a Bancada da Bola, presente na Câmara dos Deputados, não vai trabalhar contra.
Não podemos mais aceitar que um país pobre, com os clubes falidos, pague salários maiores do que o que os jogadores recebem no exterior. Hoje vemos salários irreais, acima até do mercado europeu, e os clubes de pires nas mãos, pedindo adiantamento de cotas de TV. E olha que eles nunca ganharam tanto dinheiro com patrocínio. Hoje há clubes com orçamento de R$ 300 milhões anuais.
Ou começamos a corrigir os rumos do futebol brasileiro ou em breve teremos clubes gigantescos, com dívidas maiores do que eles, sem a menor condição de pagá-las. E não deve haver isenção nem tampouco perdão para os clubes. Ninguém perdoa o cidadão de bem quando ele tem dívidas com o estado ou a União. Que cada clube e dirigente assuma a sua responsabilidade fiscal e gaste somente aquilo que arrecada. Mais que isso é crime e em breve vai dar cadeia aos maus gestores, é o que eu e a sociedade de bem esperamos.
Chegada
A chegada de jogadores e comissão técnica ao Hotel Hilton, em Seul, não causou alvoroço ou qualquer tipo de histeria entre os coreanos. Ao contrário, apenas três rapazes colecionavam fotos e autógrafos. Um deles, surdo-mudo, me chamou a atenção, tamanha a quantidade de fotos que tem com celebridades do mundo esportivo. Hoje o time de Felipão começa a ser montado para o amistoso contra a Coreia do Sul, sábado, na capital coreana, às 8h (de Brasília). As novidades são as voltas de Lucas Leiva, do Liverpool, que há muito não era chamado; o goleiro Victor, do Galo; e Dedé, zagueiro do Cruzeiro.
Exclusivo
Ao contrário do que foi anunciado, Júlio César não está garantido para a Copa. Felipão confidenciou a amigos, que só garantiu o camisa 1 brasileiro para acabar com as especulações da imprensa. Na reserva em seu clube e com uma cirurgia nos dedos da mão direita, se não voltar a jogar em breve, Júlio pode ter o sonho de disputar sua última Copa do Mundo jogado pela janela. Felipão não seria incoerente de chamar entre os 23 jogadores um goleiro que não joga.
Fonte: Super Esportes