Nos arquivos do futebol é o nome de Jayme que estará escrito como treinador do time que acabou com um jejum de 15 anos contra o Coritiba, no Couto Pereira. Na cabeça do técnico , porém, sempre que o assunto vier à tona ele vai lembrar dos jogadores que entraram em campo, correram, lutaram e seguiram à risca a estratégia traçada para o jogo.
Aos 60 anos, Jayme não se ilude. Vitória garantida, sua primeira preocupação foi conter a euforia, que faz muitos rubro-negros sonharem mais alto do que podem. Apesar da alegria, o treinador sabe exatamente seu papel no novo Flamengo que tem entrado em campo.
— É claro que o fim de um tabu como esse fica marcado, a felicidade no vestiário foi grande. Ano que vem, ninguém vai falar mais que o Flamengo não vence lá há tantos anos. Mas o mérito não é só meu. Quem entra em campo, sofre, luta, apanha é o jogador. Não tenho a pretensão de achar que mudei tudo, que venço sozinho. Minha maior ajuda é errar pouco do lado de fora — disse.
Passada a comemoração pela vitória, Jayme já pensa no clássico contra o Vasco, em Brasília. Como jogador, durante três anos como titular, foram vários clássico disputados. Coincidência ou não, seus títulos conquistados como zagueiro — nos juniores e no profissional — foram contra o tradicional rival. O que, para Jayme, não pode nem ser levado em consideração agora que ocupa uma nova função no clube.
— Ganhei muito deles e perdi também. Isso é passado. Agora vai ser um jogo difícil como sempre é e, por isso, não gosto de projetar nada. Estou orgulhoso por ver a situação melhorar, mas, se perdermos, a insegurança volta. Não posso me iludir e fugir da realidade.
Elogiado pelos jogadores, Jayme tem sempre a preocupação de dividir os méritos com todos. Para ele, sua principal contribuição foi conseguir fazer com que todos entendessem a necessidade de uma doação maior em campo durante as partidas.
— Eu passo confiança, mostro o que pode ser feito taticamente e deixo eles fazerem o que sabem em campo. Se o treinador não consegue apontar esse caminho para o seu grupo, aí não vai funcionar nunca. Está dando certo — afirmou.
Fonte: Extra Globo