Assim que venceu a eleição rubro-negra, em dezembro de 2012, a atual diretoria teve acesso às finanças do clube durante a transição de poder. A análise inicial era de que seria necessária a injeção de R$ 40 milhões para a engrenagem financeira do clube andar. Com o contrato assinado com a Adidas em dezembro e o adiantamento de quase o mesmo montante, isso foi possível. A gestão passou, então, a enxugar a folha de futebol com as saídas de Vagner Love, Dorival Júnior e Ibson. Mas ainda assim atrasos ocorreram.
Os funcionários, incluído jogadores, que recebem apenas por meio da carteira de trabalho tiveram de conviver com atrasos de alguns dias, mas atualmente os vencimentos estão normalizados. Já os que recebem via pessoa jurídica, como é o caso de diretores de diversos setores e a parte dos direitos de imagem dos jogadores de maior remuneração, convivem com atrasos maiores. No caso dos atletas, ele chega a dois meses. O futebol gera preocupação grande pela possibilidade de reflexo no campo. Por isso, a conversa com os atletas sobre as dificuldades é contínua.
“É muito tranquilo. O Wallim (Vasconcellos, vice de futebol) e o presidente têm conversado conosco. A diretoria está de parabéns, estão se doando ao máximo para deixar os pagamentos em dia. Isso acontece no futebol, não só no Flamengo. Hoje é muito difícil manter um clube, ainda mais da expressão que o Flamengo é. O presidente tem sido aberto e estamos tranquilos. Vamos focar para sair dessa situação e eles certamente vão cumprir tudo com a gente”, disse o lateral-esquerdo André Santos.
Para cumprir o combinado, a diretoria contou com a arrecadação dos jogos disputados principalmente em Brasília e teve de recorrer a algumas verbas inicialmente destinadas para outro setor, como os R$ 9 milhões recebidos de um acordo com a REX, do empresário Eike Batista, para o arrendamento do edifício do Morro da Viúva. A ideia era de que o valor fosse aplicado na finalização das obras no Ninho do Urubu, mas ela foi destinada à quitação dos salários de julho.
Em relação aos cerca de R$ 100 milhões pelas cotas de tv referentes à transmissão dos jogos do Campeonato Brasileiro, a situação também é complicada: R$ 80 milhões foram adiantados apenas pela última gestão, em 2012. A expectativa é que apenas em março ou abril de 2014 o clube volte a receber a parte devida. Por isso, a saída para um alívio imediato indica empréstimos bancários como a melhor solução.
Fonte: ESPN