A saída de Mano Menezes representou a esperança de dias melhores para os jovens revelados nas categorias de base do Flamengo. Tudo, porém, não passou de um sonho. Pelo menos em um primeiro momento. Taxados de “mimados e relaxados” pelo antigo treinador nos bastidores e nas conversas de vestiário, os jovens seguem sem espaço na equipe após a troca no comando do Rubro-negro.
Grande incentivador das promessas em outras ocasiões e responsável pelo lançamento de alguns na primeira oportunidade que teve de dirigir o time na temporada – contra o Criciúma, pelo turno do Campeonato Brasileiro -, o interino Jayme de Almeida teve que mudar o discurso de outrora e admitiu, de maneira discreta, a falta de uma maior confiança nas revelações.
“Não estou aqui para barrar ninguém. Nem tenho essa disposição inicial. Vou dar espaço a todos. Mas acho que os jovens do Flamengo, apesar do grande potencial, ainda são instáveis. Por isso tem tido esse entra e sai constante e um rendimento ainda não tão bom”, disse.
Com mais de 30 anos de clube, ele pediu calma com os jovens no momento e relembrou até o caso do maior ídolo da história do Flamengo.
“Em um momento difícil, é complicado para eles entrarem. Um jovem sem grande personalidade não entra tão fácil no time. Vamos trabalhar isso com calma. Já conversei com várias pessoas aqui sobre o assunto. O próprio Zico passou por isso. Jogava para ca… na base, mas bateu em 1971 no profissional e voltou. Em 1972 e 1973 teve novas chances, nada feito. Só foi ser o Zico de 1974 em diante. Não custa esperar os que aqui estão”, disse Jayme de Almeida.
E os que lá estão e foram muito criticados por posturas em jogos e treinamentos recentes são atletas como Adryan, Digão, Nixon e outros oriundos das categorias de base.
Para Mano Menezes e alguns membros do departamento de futebol, muitos eram superestimados e não tinham bom histórico nos profissionais que justificasse tanta expectativa.
“Cria da casa”, Jayme também não pretende dar tanto espaço aos jovens, apesar de alguns testes no jogo contra o Náutico no último domingo, mas sai em defesa daqueles jogadores que conhece há tanto tempo e pede que se evite alguns julgamentos em um momento de início de carreira.
“Sempre vou ter respeito e cuidado com jovens. O problema é que nem todos estão maturados. Ninguém amadurece com 18 ou 19 anos. Vamos aguardar um pouco, preservar e evitar julgamentos precipitados”.
Para a partida desta quarta-feira, às 21h50, contra o Botafogo, no Maracanã, apenas Samir e Luiz Antônio serão os titulares. Os dois são raros exemplos de jovens que ainda têm algum espaço na equipe. Outro nome é Rafinha, que desta vez estará entre os reservas.
Mattheus e Rodolfo seguem encostados
Em situação ainda mais complicada estão os meias Matteus e Rodolfo. Em baixa com Mano Menezes e “rebaixados” aos juniores após queda de desempenho nos profissionais, ambos seguem encostados e sem prazo para retornarem ao time principal. Thomás, outro que estava sem prestígio, foi emprestado ao Siena, da Itália, recentemente.
Procurados pela reportagem para comentar a má fase dos jovens das categorias de base, nomes como Adryan e Mattheus foram preservados pelo clube e evitaram dar entrevista.
Fonte: UOL

