O futebol do Flamengo é um barco à deriva e sem comando, prestes a afundar. A demissão unilateral do técnico Mano Menezes expôs a falta de experiência e capacidade da novata diretoria do clube. Ausente do vestiário após a derrota vexaminosa para o Atlético-PR, no Maracanã, o vice-presidente Wallim Vasconcellos recebeu apenas uma mensagem do treinador em seu celular avisando sobre a saída, e não conseguiu fazê-lo voltar atrás para evitar o papel ridículo a que a direção se prestou ao ser pega de surpresa com um pronunciamento.
A distância dos representantes da instituição do dia a dia do futebol foi um dos motivos que levaram o técnico a não bancar mais o projeto. Os outros foram a falta de capacidade técnica do elenco e, especialmente, o comportamento descomprometido de alguns atletas, que no início da semana se esbaldaram em uma festa na casa do meia Carlos Eduardo. Até o volante Elias, homem de confiança do treinador, foi para a comemoração que atravessou o dia e chegou à madrugada.
Mas para os jogadores, nada de punição ou cobranças. Em conversa reservada no Centro de Treinamento, os dirigentes afirmaram apenas que foram até lá buscar a união do elenco e dar apoio. Inclusive a Jayme de Almeida, que será o técnico interino até que se decida se vale a pena trazer alguém com mais rodagem. Abel Braga era o preferido, mas declinou. Paulo Autuori e Celso Roth foram falados.
No Maracanã, ainda quinta-feira, Mano reuniu os jogadores no vestiário e comunicou a saída, mas não foi contido pelo diretor de futebol Paulo Pelaipe. O dirigente apenas ligou para Wallim, mas ambos não conseguiram evitar ou adiar o aviso de desligamento do técnico. Nem os jogadores. Mesmo os mais experientes se calaram, andando de um lado para o outro. E o silêncio permaneceu.
Enquanto isso, o presidente Eduardo Bandeira de Mello ouvia, pelo rádio, Mano informando que estava fora. Ontem, em coletiva, confirmou que foi pego de surpresa e achou normal. Assim como achou normal e tapou os olhos para as vaias e protestos da torcida, que pediu a saída de Pelaipe e reforços de qualidade.
— Não sabemos os argumentos do Mano. Não conversamos com ele. Foi uma surpresa para todos nós. Fiquei sabendo da demissão ouvindo o rádio do carro — disse, sem constrangimento.
Sem querer enxergar o óbvio, Bandeira deu razão novamente ao torcedores que o chamaram de fantoche de Wallim. Com a boca seca e respostas vazias, provou que esconde o lado torcedor fanático e, assim como o Flamengo, a própria alma.
— Garanto. O Flamengo não cai — sentenciou.
Quem acredita?
Fonte: Extra Globo

