Sem qualquer demérito ao Jaime, que segurou a onda muito bem dirigindo o time em Criciúma, acho muito improvável que ele repita o Andrade de 2009 e seja efetivado como treinador. Não que lhe faltem qualidades, mas além dos raios não costumarem cair duas vezes no mesmo lugar penso que esse elenco que volta e meia se amotina precisa de um treinador capaz de não deixar qualquer dúvida quanto a linha hierárquica no Departamento de Futebol Profissional. Tem que chegar alguém de fora cheio de galão no ombro e total respaldo da diretoria.
Desde a demissão do Jorginho que venho travando uma luta em minha consciência sobre quem deve ser contratado. Um técnico marromeno de 200, 300 paus por mês, tipo Sex Roth? Ou um treinador hypado tipo Mano, que custa 700 mil por mês, fora o ticket refeição e o vale-transporte? Tomar uma decisão foi mais difícil do que eu imaginava. Porque não adianta pensar no só no time, o Flamengo é muito maior que o time. Pra me decidir tive que parar de ficar olhando a arvore e começar a olhar a floresta.
O pente fino nos livros que a atual administração deu na Gávea comprovou as suspeitas de que o buraco aberto a vigorosos e bem intencionados golpes de picareta durante décadas já se aproximava do point of no return. A consolidação da nossa dívida em 750 milhões (no seu pior cenário) justificou desde então todas as muquiranagens feitas em nome da economia para que uma boa parte da grana que o Mengão fatura fosse agora destinada para pagar o que devemos. Como era de se esperar, sócios e torcedores estão entranhando bastante a radical mudança de filosofia econômica.
Sou sempre um dos primeiros a levantar a mão quando perguntam – Quem aqui quer ver o Flamengo com um timaço? Mas também sou, quando deixam, um dos primeiros a pedir um aparte ao orador e ponderar que – Quero timaço, sim, desde que não precisemos empenhar as joias de vovó. Como qualquer torcedor também não aguento mais ver tanto pereba no Flamengo. Mas torço pro Flamengo há muito tempo e, acreditem, já tivemos times piores dando voltas olímpicas com tamanha naturalidade que só mesmo os poderes do Manto justificam.
Times ruins são cíclicos, do mesmo jeito que os agricultores tem anos bons pra soja e ruins pro milho. Bem que nos avisaram que esse é um ano ruim pra urubu. Temos que aturar porque eventualmente essas coisas acontecem. O que eu não acho mais nenhuma graça é no fato do Flamengo morar no Leblon e viver duro. Ou seja, se o preço pra ter um timaço é o Flamengo se arrastando mais uma década nessa pindaíba classe média prefiro não ter um timaço.
Prefiro não ter um timaço esse ano. Me contento com a permanência na 1ª Divisão. Mas no ano que vem é outra conversa. 2014 é quando o resultado de toda economia, de toda modernização e otimização e qualificação tem que se materializar em um time forte pra ganhar títulos importantes. Ninguém vai ficar satisfeito com lucro, valorização e outras proezas econômicas e administrativas que nem sabemos o nome se não der pra gritar é campeão! pelo menos umas 3 vezes no ano que vem.
Planejamento, que é o que estamos fazendo quando pensamos no ano que vem alguns dias antes do réveillon, também é uma novidade no Flamengo. E é uma boa justificativa para que se recolha por alguns instantes a mão de porco e se abra o cofre para trazer agora, no meio de 2013, um técnico de grife para dirigir o esperado Rolo Compressor Rubro-Negro do Ano da Copa.
Um treinador que chegasse com moral e pudesse não apenas conhecer o elenco, mas reformula-lo ao seu gosto para escolher com quem quer trabalhar. Uma facilidade que os treinadores do Flamengo não desfrutam desde a última passagem de Luxemburgo. Aliás, uma das maiores bizarrices do Flamengo é que lá parece que são os jogadores que tem a prerrogativa dessa escolha.
Por esses motivos todos penso que trazer um treinador meia-boca agora só deixaria claro que para a diretoria o cargo é transitório e que sua permanência mais imediata dependerá diretamente dos pontos conquistados no Brasileiro. Assim que o ano acabar ele será demitido para dar lugar à um popstar.
Ora, se é pra ser assim que tragam logo o popstar. Pelo menos os treinadores-celebridades fazem exigências de grandes jogadores, de preferência ídolos para dividir a responsabilidade, e diminuem consideravelmente o risco de que no ano que vem continuemos com um time fraco. Por tudo isso sou 100% a favor de que contratem o melhor técnico que o dinheiro pode comprar. Contratar os melhores não é custo, é investimento. Se for pra ficar de merrecagem e trazer outro futuro ex-técnico do Flamengo é melhor que fique o Jaime. Agora é calça de veludo ou bunda de fora.
Fonte: Urublog

