O Campeonato Brasileiro ainda está na 4ª rodada, mas o efeito dominó de técnicos já começou. Basta uma sequência irregular ou pouca evolução nas formações táticas, que uma derrota acaba em demissão. O primeiro foi Silas, do Náutico, depois Muricy, do Santos, as bolas da vez são Jorginho, que ficou apenas 14 jogos à frente do Flamengo e, Guto Ferreira, da Ponte Preta. Ao todo, dez técnicos não deram continuidade em seus trabalhos em 2013, quase uma seleção de demitidos na Séria A e B. Para o jornalista da TV Globo em Minas Gerais, Bob Faria, é uma tendência dos clubes brasileiros essa falta de planejamento onde fica evidente a falta de critério tanto para contratar, quanto para demitir.
– Acho engraçado. Isso é mais abrangente, não é uma questão do Flamengo, uma questão do Vasco, desse ou daquele time. No futebol brasileiro os grandes clubes têm essa característica e, claro, vão passando esse “DNA” para os clubes menores. Ninguém sabe por que contrata, ninguém sabe por que demite. É tudo ali meio que no coração, “precisamos de um treinador para dar uma sacudida no elenco”. Daí contrata o cara, dá uma sacudida. Duas ou três rodadas o negócio não funciona. “Não, não era bem isso”. Volta o anterior. É uma bagunça isso aí. Falta critério – critica o jornalista.
Ainda de acordo com Bob, as demissões e incertezas dos clubes não ficam só em relação aos treinadores. Durante o “Redação SporTV”, André Rizek citou a saída de René Simões do Vasco, e a intenção do clube carioca em repatriar o dirigente de futebol Rodrigo Caetano, atualmente no Fluminense.
– Isso acaba se estendendo também para administrações. Contrata o diretor, depois não sabe, manda embora. Daqui a pouco pega o cara de novo porque ele é bom. “Ah, a gente não sabia que ele era bom, agora a gente sabe. O adversário quer, então ele deve ser bom para gente também” – exemplificou Bob, que ressaltou a importância de se manter o trabalho a longo prazo para que ele tenha continuidade, como no caso do Atlético-MG, que chegou a perder seis partidas seguidas com Cuca no início.
– Não é surpresa que os times que conseguem montar projetos melhores, que ganham dinheiro revelando jogadores, que estão, há algum tempo, buscando títulos nas competições, não esporadicamente. Não é vencer um ano e depois desaparecer e ficar brigando na parte baixa da tabela. Não é por acaso que esses times tem projetos que duram mais tempo. O Cuca mesmo, quando chegou no Atlético-MG, perdeu seis partidas seguidas. Acreditaram no projeto dele, e está dando certo. Mas a verdade é que nenhum clube do Brasil sabe por que contrata, nem porque demite.
Quem mais já caiu em 2013
Ainda na Série A, antes da competição começar, foram desligados Joel Santana, do Bahia e Sérgio Guedes, do Sport. Os treinadores da Série B também não escaparam. Francisco Diá, do Icasa, Lecheva,do Paysandu, Leandro Campos, do Ceará e Mazola Jr., do Bragantino, deixaram o comando das equipes nesse ano.
Fonte: SporTV

