Fui ver o amistoso entre Brasil e Inglaterra. Não por causa de Neymar, Lucas, Fred e companhia limitada. Queria mesmo era rever o Maracanã. Se o jogo fosse Bragantino x Goytacaz iria com o mesmo entusiasmo, afinal, foram tempos de agonia. Ficar sem ir ao Maracanã é torturante demais! Durante esses três anos de fechamento para obras, raros foram os dias em que não busquei notícias e fotos sobre o estádio. E a cada formato novo que ia surgindo, cada nova imagem pensava que o mesmo tinha ido pro beleléu. Assim como a maioria de fanáticos que conheceram o antigo Maraca, imaginava que a magia tinha acabado, que bom mesmo eram os tempos de cimentão da arquibancada…
Claro que se compararmos com o Maraca do século XX, muitos irão concordar que, apesar do pouco conforto, presenciar um jogo com mais de 100 mil pessoas era algo fantástico, mas se compararmos com o estádio que foi fechado em 2010, esse novo Maracanã é muito melhor.
Quando você olha o atual, facilmente reconhece como o Maracanã, ao contrário do que pudéssemos achar. Você visualiza a velha arquibancada que, principalmente na parte mais alta, está praticamente igual ao antigo formato, mas só que ela agora vai até a beirada do campo.
A capacidade continuou a mesma ou até aumentou um pouco, tendo em vista que não eram mais vendidos nem 70 mil ingressos nos últimos anos que ficou aberto. Outra melhora é que, um dos pontos fracos do antigo palco, a parte das cadeiras azuis que ficavam cobertas pela arquibancada (onde não se ouvia o som ambiente e nem se via uma bola chutada um pouco mais alta pelo goleiro) não existe mais. Agora todos compartilham o mesmo ambiente, não havendo mais pontos cegos.
Outros fatores que melhoraram foram o aumento de rampas de acesso, facilitando o escoamento da galera, os corredores que estão muito bem iluminados, além do número de bares e banheiros terem tido aumento satisfatórios. O telão passou o jogo com as imagens da Rede Globo, só que os replays não eram exibidos. Bem melhor que antes, já que a imagem que passava antigamente era só de uma câmera que ficava filmando das cabines de rádio, sem nenhuma variação de ângulo. Ontem, quando não víamos quem havia chutado a gol, logo após era dado um close no autor do lance. Achei bem bacana isso, pois imaginava que o telão seria de novo mal aproveitado. Outra coisa legal foi o fato de serem exibidos alguns episódios do Canal 100, no intervalo e antes do jogo. Nota 10 para quem teve a idéia.
As cadeiras são confortáveis, talvez incomodando só o fato de que ela se fecha quando você levanta. Torcedor que gosta de levantar a cada lance de perigo, corre risco de cair de bunda se não lembrar de baixar a cadeira. O espaço entre as fileiras é pequeno, dificultando a passagem de pessoas que queiram deixar seu lugar para ir ao bar ou banheiro (impossível passar se a pessoa que estiver sentada ao seu lado não levantar ou der uma encolhida na perna). Para quem gosta de assistir o jogo em pé, pode simplesmente não baixar as cadeiras. Mas pelo que conhecemos de nossos folgados torcedores, alem de baixar, ficarão de pé sobre elas. Torço realmente que isso não aconteça.
Mesmo a torcida de jogo de Seleção ser uma mistura de Show da Xuxa com voleibol do Maracanazinho, o pouco que se cantou no jogo foi bom demais para os ouvidos. Como é bom assistir a um jogo com clima de estádio! Porque Engenhão não é algo que possamos chamar de palco para futebol. Lá não se escuta nem a pessoa que está ao lado, quanto mais o canto da torcida. Fiquei perto da torcida inglesa e eles se comportaram lindamente com seus cantos e incentivos muito mais condizente às nossas torcidas de clubes. Por isso não vejo a hora de ver a Nação rubro-negra lotando a nossa casa e fazendo aquilo tudo tremer, afinal o Maraca é nosso, quem manda naquela porra é a torcida do Urubu e gostamos de cantar ao mundo inteiro a alegria de ser rubro-negro.
Galera, a nossa casa está foda!
Marcelo Espíndola – @flamuseu
Fonte: Acima de Tudo Rubro-Negro


