Ao vender seu jogo de estreia no Brasileiro, por uma cota de R$ 800 mil, o Santos deu um exemplo cristalino de como nossos dirigentes ainda são amadores e incompetentes. A empresa que comprou a partida com o Flamengo e a levou para o “Manezão”, em Brasília, arrecadará, somente com a venda de ingressos, algo entre R$ 7 milhões e R$ 10 milhões. Negócio da China, hein?
Nem quero entrar no mérito sobre o tráfico de influências na obscura história (alguns dos empresários envolvidos no negócio tem notórias ligações com a CBF, desde os tempos de Ricardo Teixeira). Mas é inacreditável que o Santos não tenha feito um acordo que lhe garantisse a parte do leão — se jogasse na Vila Belmiro, a renda seria toda dele (o Fla, como visitante, nada recebe).
O argumento de alguns cartolas santistas, dizendo que, atuando em casa, o clube jamais obteria o que está recebendo nesta primeira rodada é risível. Os R$ 800 mil poderiam até ser fixados como cota mínima (caso a arrecadação não chegasse a determinado nível). Mas abrir mão de uma participação mais expressiva num espetáculo que protagoniza e cuja receita de bilheteria pode chegar a R$ 10 milhões é inconcebível em qualquer regime minimamente profissional.
Sem o Engenhão e o Maracanã, os clubes cariocas (até o Vasco, que cederá São Januário na Copa das Confederações) serão obrigados a peregrinações, mesmo como mandantes. É bom que saibam explorar o potencial de suas torcidas fora do Rio (notadamente em determinadas praças, principalmente do Nordeste) e não façam como o Santos, que entregou o ouro aos… espertos…
Fonte: Blog do Renato Mauricio Prado
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