
No Flamengo, o urubu virou bicho-preguiça. Se no passado pagar salários atrasados era sinônimo de incentivo, agora as contas em dia parecem estar acomodando o elenco. A diretoria e a comissão técnica detectaram que , desde que a situação começou a ser regularizada, no fim de fevereiro, a dedicação dos jogadores em campo e nos treinos caiu.
— As coisas não podem ficar acomodadas. Não dá mais para aceitarmos. Acabei de conversar com alguns atletas. Todos os jogadores estão tendo as dívidas negociadas, os direitos de imagem estão sendo parcelados e pagos. A coisa está sendo séria e vou ser cobrado por isso — reclamou o técnico Jorginho.
O discurso está alinhado ao da direção. No início da semana, o vice de futebol Wallim Vasconcelos foi ao Ninho do Urubu cobrar dos jogadores. Na quinta-feira, depois da apresentação da dívida de R$ 750 milhões, outros dirigentes enalteceram o esforço de manter o salário em dia no começo do mês.
No entanto, a dedicação fora de campo não vem se repetindo dentro das quatro linhas, segundo a avaliação interna. Tanto que será essa uma das características principais observadas em possíveis reforços para o Brasileiro.
— Com certeza. No Flamengo ainda mais. Não pode jogar só com a técnica — completou Jorginho, que chegou a perder a paciência com o atacante Hernane essa semana, e o repreendeu com firmeza pedindo empenho.
O diagnóstico de um time sem raça também motivou o grande número de experiências e a troca constante de jogadores. Para o jogo contra o Fluminense, Ramon reaparece na lateral-esquerda, e Gonzalez, na zaga.
Jorginho deu a entender que Alex Silva pode deixar o clube, mas seu empresário, Orlando Almeida, disse que não há proposta.
A nota baixa, mais uma vez, é a ausência de Carlos Eduardo. O meia não treinou a semana toda, com dores na coxa, e está vetado para os jogos contra Fluminense e Remo.
Fonte: Extra Globo
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