
Sob rigorosa contenção de custos e renovação do elenco, o Flamengo precisou passar por uma série de tropeços contra equipes pequenas para balancear o regime. Depois do 1 a 0 sobre o Remo, anteontem, em Belém, pela Copa do Brasil, Jorginho tenta ajustar o time e o discurso. Além de voltar a alimentar chances de classificação na Taça Rio, depois de jogar a toalha na derrota para o Audax, o técnico rubro-negro encontrou nova forma de jogar com a volta do veterano Renato Abreu. Caso Leonardo Moura não se recupere de torção no tornozelo a tempo de enfrentar o Duque de Caxias, sábado, em Moça Bonita, Renato será mantido no meio, com Elias improvisado na lateral.
— Houve melhora na posse de bola, pela qualidade dos jogadores que temos, gostei muito da entrada do Renato. Já falei para o Elias que encontrei outro lateral. Achei a equipe muito mais compacta, com força ofensiva e defendendo bem. Estamos longe do nosso ideal, mas caminhando e trabalhando para que isso aconteça — disse o treinador, que pretende esgotar as possibilidades no Carioca antes de pensar no jogo de volta com o Remo, no dia 17, ainda sem local definido. — Vamos por partes. Não dá para priorizar uma competição se a gente não está completamente eliminado. O Flamengo é uma equipe que sempre foi de superação, já conquistou campeonatos que ninguém imaginava. Enquanto estivermos com fôlego, respirando, vamos tentar.
O desafogo de Rafinha
A volta do entusiasmo reflete as carências de quem sofre com a escassez de vitórias e de opções no elenco. Apesar da tentativa de revolucionar a gestão e a cultura imediatista do futebol, a virtual desclassificação no Carioca fez a diretoria oscilar como todas as outras. Ao dizer que a derrota para o Audax revelou a necessidade de contratações, o vice de futebol, Wallim Vasconcellos, deixou-se pautar por resultados mesmo que o projeto de longo prazo não deva oscilar de acordo com as condições de temperatura e pressão.
Sob calor e umidade intensos em Belém, o Flamengo encontrou o desafogo na velocidade de Rafinha, autor gol da vitória. Depois de questionamentos recentes, o meia-atacante já é celebrado de novo como jogador espetacular. Do jejum ao excesso, o equilíbrio ensina que muitas vezes é preciso fechar a boca para o regime dar certo.
Fonte: O Globo
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