Cerca de duas semanas atrás, quando os comandados de José Neto chegaram aos Estados Unidos, foi dito por aqui que não haveria nenhum tipo de significado mais profundo se pelo menos uma vitória fosse conquistada nestes confrontos. Que seria bacana para a comissão técnica e para os jogadores, porque teriam uma história especial para contar pelo resto da vida, mas nada além disso. Que um triunfo não serviria para atestar a capacidade do time de disputar uma temporada da NBA no mesmo grau de competitividade das equipes de lá.
Assim como as derrotas não diminuem em nada o feito do Flamengo, primeiro clube brasileiro convidado a participar do período de preparação da principal liga de basquete do mundo. Justamente porque o simples fato de estar entre os melhores já é grandioso. Um prêmio por todas as conquistas alcançadas ao longo dos últimos meses — NBB, Liga das Américas e Copa Intercontinental, para quem não se lembra.
Nestes três confrontos, os brasileiros tiveram a oportunidade de encarar três equipes de estilos diferentes. O Orlando Magic, por exemplo, tem um grupo de jovens que tentam transformar o potencial em realidade e que exploram o pick and roll com o pivô Nikola Vucevic. O Phoenix Suns busca acelerar o ataque ao máximo. Já o Memphis Grizzlies não é de correria. Tanto é que as 92,5 posses de bola a cada 48 minutos na última temporada representaram a marca mais baixa de toda a NBA.
Nesta sexta-feira, foram 100 posses de bola contra o Flamengo. Não significa que o Grizzlies pretende deixar a definição de suas jogadas mais rápida. É que os 31 desperdícios ofensivos dos brasileiros contribuíram bastante para essa marca elevada. A defesa sufocante dos norte-americanos sobre a bola, principalmente com os excelentes Mike Conley e Tony Allen, resultou em pontos fáceis através de contra-ataques.
Quem mais sofreu com isso foi Nicolás Laprovittola. Tão bem nos dois duelos anteriores, o armador argentino não marcou um ponto sequer desta vez e foi responsável por 10 destes 31 erros de ataque.
Foi essa marcação forte, tão característica do Grizzlies, que deixou o embate desta sexta desigual e levou aos 40 pontos de diferença. E daí? E se a margem fosse de 80 pontos? O que mudaria na análise? Nada. O Flamengo teve a oportunidade de jogar contra uma das defesas mais eficientes da liga que representa excelência em basquete. De qualquer maneira, volta ao Brasil muito no lucro. Como vencedor.
Logo após o jogo, o ala-pivô Olivinha escreveu o seguinte em sua conta no Twitter: “Melhor estrutura do mundo, desfrutamos bastante disso aqui. Fizemos história sendo a primeira equipe brasileira a disputar esses jogos aqui. Sem dúvida, é uma experiêcia que todos os jogadores deveriam experimentar nem que seja uma vez na vida. Sou privilegiado de estar neste grupo e de ter chegado onde nós chegamos. Agora temos uma temporada inteira pela frente. Vamos trabalhar duro para termos o mesmo sucesso da última temporada e para talvez voltarmos a desfrutar disso novamente.”
É bem por aí. Esse tipo de oportunidade na NBA é extremamente valiosa para qualquer equipe do mundo. Sorte a do Flamengo.
Fonte: Trible-Double

