A falácia de que premiaria os times com melhores estruturas caiu de forma espetacular quando o Flamengo foi campeão em 2009, seguido do Fluminense em 2010. Sobrou, então, o argumento de que os outros campeonatos já são disputados em mata-mata, e que esse pode ser pontos corridos. Ok, assim será por mais algum tempo. Mas esse formato não tem a menor graça. Mesmo.
Vou listar abaixo os motivos pelos quais os pontos corridos não têm graça nenhuma, comparados aos tempos antigos de grandes decisões, como aquele épico Santos e Corinthians de 2002, a despedida do mata-mata, com um jogo que teve três viradas. Parecia proposital para que sentíssemos a falta eterna que aquele sistema faz no Brasileirão.
Confira os motivos. Lembrando que não estou questionando a utilização dos pontos corridos no Brasileirão. Apenas mostrando que graça, mesmo, ele não tem.
1) Jogo do título sem emoção alguma
Seja sincero, você prefere ser campeão como o Santos de 2002, batendo o maior rival depois de virar o jogo nos minutos finais, ou em um jogo morno contra o rebaixado América-RN, que mal chegaria aos 16 pontos no campeonato? Se disser a segunda opção, definitivamente você não gosta da emoção, que é um dos fatores mais legais do esporte. O Cruzeiro de 2003 foi campeão contra o Paysandu, o Fluminense faturou a taça em 2012 diante do horrível time do Palmeiras, que cairia para a Série B.
2) Campeonato “estacionamento” – você comemora vaga
Pode dizer que é culpa do planejamento dos times, dos elencos ruins que são montados. A verdade é que ano após ano, a gente fala que o Brasileirão tem 12 favoritos por causa do peso das camisas, mas a realidade é que sempre um ou dois vão mesmo brigar pelo título. O restante já entra pensando em se classificar para a Libertadores. Em 2002, na última edição com mata-mata, você teria que chegar à semifinal do Brasileirão e ser o terceiro colocado para garantir vaga na competição continental. Afinal, a classificação para o torneio deve ser consequência de um bom trabalho, como era naqueles tempos, e não o objetivo da temporada, já abrindo mão (ainda que não oficialmente) de ser campeão brasileiro.
3) Campeões antecipados
No tempo do mata-mata, dezembro era um mês muito legal no esporte. Além do Mundial de Clubes, ainda tinha as grandes decisões do Brasileirão, jogos de ida e volta, muita emoção. O Campeonato Brasileiro tinha data para acabar em dia “x”. Era nele que conheceríamos o campeão. Agora, nos últimos dois anos, tivemos o campeão saindo bem antes, em novembro. E o Cruzeiro caminha para fazer isso de novo, deixando o resto do campeonato para os times ruins virarem o centro das atenções com suas lutas contra o rebaixamento, que quando são vitoriosas acabam comemoradas como um título, não fosse a permanência na Série A uma obrigação para quem se considera grande. Dezembro? Agora é o mês do Natal e só.
4) Pedidos de “entrega” por parte das torcidas
Ok, isso aconteceu algumas vezes no mata-mata, mas ficou insuportável nos pontos corridos. Todo ano, parece que por mágica do destino, o rival de um dos candidatos ao título aparece no caminho do outro candidato na reta final da competição. Foi assim com o Corinthians e sua “doce derrota” para o Flamengo, em 2009, comemorada pelos próprios torcedores por atrapalhar o São Paulo na briga pelo título. O próprio Timão levou o troco com as torcidas de São Paulo e Palmeiras pedindo “entregas” contra o Fluminense em 2010, ano em que o time carioca acabou campeão. O Grêmio, em 2009, fez o último jogo do Brasileirão contra o Flamengo, e sua derrota foi suficiente para impedir o título do arquirrival Internacional. A torcida gremista vibrou com a própria derrota.
5) O melhor time do Brasil nem sempre vence
Quando os pontos corridos foram implantados, era quase um consenso de que o melhor time do Brasil venceria todos os anos, em alusão ao bom time do São Paulo que fez a melhor campanha da primeira fase em 2002 e acabou eliminado no primeiro mata-mata. Só que o melhor nem sempre venceu de 2003 para cá. Quando o melhor time do Brasil ganha a Libertadores, pode esquecer. O Corinthians era, disparado, o melhor time do Brasil em 2012. Quem foi o campeão brasileiro? O Fluminense. O Santos era o melhor em 2010 e 2011. Títulos para Fluminense e Corinthians. O melhor jogador brasileiro na última década, Neymar, não é campeão da competição. Todos esses casos porque os times melhores já haviam conquistado títulos como a Copa do Brasil e a Libertadores. Você pode dizer que isso é um problema cultural. Mas os pontos corridos não vinham para mudar nossa cultura?
Fonte: Torcedores.com

