Um time campeão do mundo, que bateu de forma contundente, 90 a 77, o campeão europeu no jogo decisivo. Uma equipe que sofre na segunda metade da tabela do Campeonato Brasileiro de futebol, que chegou a correr risco de rebaixamento durante boa parte do primeiro turno. Esses dois grupos têm o mesmo nome, a mesma camisa e o mesmo distintivo. É o Flamengo, que vive realidades bastante diferentes no basquete e no futebol. E, de fato, o Rubro-Negro que bateu o Maccabi Tel-Aviv na Copa Intercontinental tem muito a ensinar ao que perdeu do Bahia por 2 a 1 horas depois.
Se pegarmos as últimas três temporadas, não é nenhum exagero dizer que o basquete do Flamengo ganhou praticamente tudo o que disputou. Comandado pelo técnico José Alves, o time conquisto dois campeonatos estaduais (2012 e 2013), duas NBB’s (2013 e 2014), uma Liga das Américas (2014) e, igualando o feito do Sírio em 1979, a Copa Intercontinental organizada pela FIBA no último fim de semana.
Já o time de futebol do Flamengo… Bem, esse todo mundo já sabe como anda nos últimos tempos. Entra ano, sai ano e a equipe que já teve craques como Zico, Júnior e Romário tem que se contentar com a felicidade de escapar da segunda divisão do campeonato brasileiro. E o ano de 2014 é mais um ano típico na recente história flamenguista com direito a várias rodadas dormindo na zona de rebaixamento, troca excessiva de técnicos, pressão da torcida, dívidas e mais dívidas assolando o futebol e várias outras coisas que o torcedor já está cansado de ver.
Mas, observando as duas modalidades sob a mesma tutela e vivendo momentos tão distintos, o que será que o basquete do Flamengo poderia ensinar para os seus co-irmãos do futebol? Confira abaixo a análise do ExtraTime.
Acreditar no trabalho da comissão técnica
Apenas em 2014, o futebol do Flamengo já teve três técnicos comandando o time na beira do gramado (Jayme de Almeida, Ney Franco e Vanderlei Luxemburgo) e, se formos buscar mais atrás, esse número pode facilmente dobrar. Acreditar no trabalho de um técnico e deixá-lo impor a sua filosofia é um dos conceitos básicos para o sucesso de uma equipe e o Fla nem precisa ir tão longe para pegar um exemplo de sucesso, bastar observar o exemplo que vem de seu próprio clube. Em 2013, a diretoria do Flamengo bancou a manutenção do técnico José Neto quando o mesmo estava começando a ser questionado depois de duas edições do NBB seguidas sem conseguir chegar na final. A má fase passou, foi dado tempo ao tempo e agora o técnico é um dos principais nomes da boa fase do mengão dentro das quadras. Porque não adotar essa mesma paciência dentro dos gramados? Quando o assunto é futebol sabemos que paciência e respeito não são palavras que integram o vocabulário da diretoria flamenguista. Jayme de Almeida e Andrade que digam. Mesmo vencendo competições nacionais, a dupla não conseguiu seguir no comando da equipe e foram mandados embora sem nem um pingo de consideração. Será que com Andrade ou Jayme no time estaria muito pior do que está hoje? Infelizmente no Brasil, demitir um técnico sai muito mais barato do que se desfazer de dois ou três jogadores medíocres.
Inteligência na hora de investimento
O Flamengo do basquete é o time que mais investe dentro NBB e não é à toa que chegou onde chegou hoje em dia. Só para disputar este mundial interclubes, o time colocou a mão no bolso e contratou o pivô ex-Los Angeles Lakers, Derrick Caracter, o ex-campeão olímpico pela Argentina, Walter Herrmann e também o outro argentino Nicolas Laprovittola, que acabou MVP do interclubes. E o melhor de tudo isso é saber que foram todas contratações cirúrgicas, ou seja, não foi feita nenhuma loucura para trazer nenhum destes jogadores. Quem sabe aí não fica uma lição para um departamento de futebol acostumada a trazer abacaxis como Ronaldinhos Gaúchos ou Carlos Eduardos, que chegaram ao time custando verdadeiras fortunas e não tiveram nem um terço do retorno esperado.
Aproximação com a massa rubro negra
Pode ter sido desorganizada, sem noção e até um pouquinho perigosa, mas a torcida rubro negra saindo das arquibancadas do ginásio e invadindo a quadra para comemorar o título com os jogadores foi uma das cenas mais bonitas dos últimos anos. Bem que essa proximidade com a torcida deveria servir de exemplo para os jogadores de futebol que já estão mais do que acostumados a sair de gaiato dos estádios ou pegar aquela carona com o busão direto da pista do aeroporto.
Dedicação
Quem assistiu a partida contra o Tel-Aviv viu um Flamengo duro e bem forte ao defender sua cesta. Embalados pela torcida, nenhuma bola era considerada perdida e os atletas do Flamengo não davam espaço para os israelenses crescerem (Jeremy Pargo, marcado muito bem pelo ala-armador Benite, que diga). Foi uma verdadeira aula de marcação e dedicação por parte dos brasileiros. Se servir de animação para o torcedor do Flamengo, Vanderlei Luxemburgo marcou presença na HSBC Arena durante o segundo jogo, quem sabe ele não aprendeu algumas coisinhas do basquete para levar aos seus jogadores.
Fonte: UOL

