Quando retornou ao Flamengo em 2007, Marcelinho queria ajudar seu clube de coração a vencer títulos importantes. Afinal, apesar de o basquete rubro-negro ser o maior detentor de conquistas estaduais, o tão desejado Campeonato Brasileiro já havia batido no aro algumas vezes. Na época, aos 32 anos, o ala rubro-negro só não imaginava que levantaria todas as taças possíveis com a camisa vermelha e preta. Em sete temporadas, foram nada menos do que sete títulos cariocas, quatro brasileiros (três no NBB), uma Liga Sul-Americana, uma Liga das Américas e a Copa Intercontinental, a cereja do bolo rubro-negro.
Após a vitória por 90 a 77 sobre o Maccabi Tel Aviv, o restante do domingo do capitão rubro-negro foi completamente diferente. E olha que Marcelinho já disputou cinco Mundiais e uma edição dos Jogos Olímpicos pela seleção brasileira. Mas para um rubro-negro que deu seus primeiros arremessos na Gávea aos 10 anos e frequenta o Maracanã desde criança, nada se compara a levantar o troféu mais importante de sua carreira diante de sua torcida.
– Foi uma sensação totalmente diferente e ao mesmo tempo o sentimento de dever cumprido. Jogar no Flamengo é muito isso. Não ter limites e passar por cima das dificuldades. A ficha ainda não caiu e sinceramente acho que vai demorar a cair. É estranho porque agora que a adrenalina passou, essa é uma comemoração como outra qualquer. Eu acho que nós só vamos dar conta da dimensão dessa conquista daqui a um, três, dez anos, quando as pessoas lembrarem do time que foi campeão mundial – disse Marcelinho sob os olhares atentos da esposa Renata e do pai Renê durante a festa do título.
Único jogador desse elenco que venceu todos os títulos desde a conquista do Campeonato Brasileiro de 2008, Marcelinho reconhece que jamais imaginou que um dia o torcedor rubro-negro valorizasse tanto o basquete ao ponto do elenco comandando pelo técnico José Neto ser chamado carinhosamente de “orgulho da nação” e ganhar um bandeirão com a foto de todos os jogadores posados.
O segredo do sucesso para Marcelinho é a identidade criada pelo grupo, além da estrutura oferecida pelo clube, segundo ele a melhor do país. Ainda assim, o ala rubro-negro quer mais e sabe que se manter no topo é ainda mais difícil do que alcança-lo.
– Quando você cria uma identidade de time vencedor e que quer sempre mais, qualquer jogador que chega se enquadra facilmente no projeto. Por isso, mesmo com algumas mudanças no elenco nas últimas temporadas, esse grupo se manteve forte e faminto por conquistas. Não gosto de fazer comparações, mas esse título não foi conquistado domingo ou nesse ano, é um trabalho a longo prazo que começou em 2007. Temos a melhor estrutura de um clube de basquete do país, mas sabemos que ainda temos muito o que evoluir. Estamos no caminho certo para multiplicar essas conquistas – destacou o capitão rubro-negro.
Com todos os títulos possíveis garantidos, Marcelinho se prepara para um objetivo especial: os três jogos pela pré-temporada da NBA, contra Phoenix Suns, dia 8 de outubro; Orlando Magic, dia 15; e Memphis Grizzlies, dia 17. Podem não valer taça, mas significam o reconhecimento da maior liga de basquete do mundo ao mais novo campeão da Copa Intercontinental.
– Esse convite é o reconhecimento da NBA à qualidade técnica e ao potencial do Flamengo. Acho que a liga americana nos convidou por merecimento e por todas as conquistas que nós tivemos. Vamos para lá com a intenção de ganhar os jogos, mas neste caso só o convite já é uma vitória. Quem sabe no futuro não serão eles que virão ao Brasil jogar na nossa casa. Será uma preparação de luxo para a importante temporada que teremos, com muitas competições importantes. Sabemos que agora todo mundo vai querer tirar uma casquinha da nossa equipe – disse Marcelinho.
Fonte: GE

