O lance fica bastante claro no replay. Eduardo da Silva estava um pouco adiantado quando dominou o lançamento dentro da área. E o impedimento duplo se completou quando a bola acabou ajeitada para Wallace, em posição bem mais flagrante, estufar as redes. O Flamengo venceu o Corinthians no Maracanã por 1 a 0 com um gol irregular, algo inegável. Um erro evidente do quinteto de arbitragem liderado por Sandro Meira Ricci, que acaba descambando para a polêmica e deixando de lado discussões muito mais importantes – dentro do contexto do jogo e também acima disso.
Os corintianos têm todo o direito de se sentirem prejudicados. O estrago poderia ter sido pior, se Eduardo da Silva não tivesse perdido o pênalti erroneamente marcado por Sandro Meira Ricci, vendo um toque de mão voluntário de Fagner em um lance no qual não houve isso. Porém, o erro na jogada capital não deveria esconder outros fatos. Como, por exemplo, que a arbitragem foi mal como um todo, se equivocando para os dois lados – ainda que as marcações contra os rubro-negros não tenham sido decisivas. Ou que o Flamengo dominou a partida e foi melhor do que o Corinthians, parando na ótima atuação de Cássio e nos erros de conclusão – embora isso também não seja suficiente para validar o placar. O que ficará mesmo desse jogo é o duplo impedimento.
Assim como a repercussão se desdobrará, majoritariamente, em como a arbitragem favorece o Flamengo ou como o Corinthians se sente prejudicado – sendo que, em questão de uma rodada, ambos podem trocar de lados. Debates completamente vazios, que não saem do lugar e não provocam mais do que a insatisfação. Se houver algum aprofundamento, no máximo, será o pedido pelo auxílio eletrônico na arbitragem. Algo pertinente e que deve ser mesmo discutido, embora não seja a solução para tudo. Meira Ricci talvez até pudesse corrigir o erro do assistente no impedimento, mas o toque de mão deveria ficar por aquilo mesmo, na pura interpretação.
Dificilmente serão discutidas outras questões tão vitais quanto em relação à arbitragem brasileira. Salta aos olhos que tantos erros crassos tenham sido cometidos na partida comandada pelo árbitro que representou o Brasil na Copa do Mundo – que tinha méritos para estar nesta posição e que fez um bom Mundial. Se até Meira Ricci está sujeito a falhar dessa maneira, e os outros? Porém, parece fora de cogitação falar sobre os problemas na preparação das arbitragens, que erram de maneira tão contínua. Ou do motivo de não se profissionalizarem os árbitros do Brasil, o que poderia aumentar o trabalho específico na área.
Enquanto isso, o papo na mesa do bar ou na mesa redonda é o “roubado é mais gostoso” ou o “apito amigo rubro-negro”. Só aguardando quem será o árbitro, o jogo e o lance a entrar na berlinda durante a próxima rodada.
Fonte: Trivela

