Capitão do penta em 2002, Cafu criticou a falta de planejamento e a má administração dos clubes brasileiros. O ex-camisa 2 falou, em entrevista exclusiva ao GloboEsporte.com, que as derrotas da Seleção brasileira para Alemanha por 7 a 1 e Holanda por 3 a 0 na última Copa do Mundo são apenas o reflexo do que acontece no futebol nacional, com clubes sem recursos e “cada vez mais fracos”. Isso, segundo ele, resulta em um Campeonato Brasileiro pouco competitivo:
– É um momento não muito bom para o futebol brasileiro, basta ver o que está acontecendo com os clubes e os atletas. O que aconteceu na Copa (do Mundo) realmente é reflexo do que vem acontecendo dentro dos nossos clubes, muitos sem recursos, sem perspectiva nenhuma, com o futebol tecnicamente cada vez mais fraco. O nível e o índice técnicos, a cada ano que passa, ao invés de melhorarem, só pioram. Isso dá no que todos estão vendo, um campeonato pouco competitivo em relação aos outros campeonatos do mundo – falou o ex-lateral antes de uma partida beneficente em Curitiba, no último sábado.
A receita para que o futebol brasileiro dê um primeiro passo para se fortalecer é que os clubes façam um planejamento e deem condições para os jogadores trabalharem:
– Não há administração. O futebol brasileiro é mal administrado, por isso acaba chegando à situação que chegou. Se os dirigentes em geral fizerem um planejamento, uma programação, com começo, meio e fim, não só aos atletas, mas para o clube em si, para dar condições e capacidade para que os atletas trabalharem, o futebol vai valorizar, vai ter mais receita, e o futebol, de repente, pode melhorar – comentou.
Cafu jogou no Real Zaragoza-ESP, na Roma-ITA e no Milan-ITA. No Brasil, passou por São Paulo, Juventus e Palmeiras. Aposentado, ele, que costuma assistir a várias partidas do Campeonato Brasileiro, comenta sobre a edição atual, que tem o Cruzeiro na liderança com 33 pontos e o Coritiba na lanterna com apenas 12:
– Procuro sempre ver todos os jogos quando posso, até por isso que falo com autoridade sobre o nível técnico do futebol brasileiro, que está muito ruim. Essa briga entre os primeiros e os últimos sempre aconteceu, mas dessa vez está uma forma mais absurda, uma forma mais em decadência. O último não tem perspectiva de melhora, e o primeiro está a dois, três pontos do segundo, do quinto, do sexto, do sétimo. Está tudo bem equilibrado, tanto na parte de cima quanto debaixo da tabela – concluiu.
Fonte: GE

