Técnico do Flamengo, Leonardo Jardim abordou vários temas em coletiva de imprensa
Na vitória do Flamengo contra o Mirassol, por 2 a 0, na quarta-feira (02), chamou a atenção o desempenho de Lucas Paquetá. Para o técnico Leonardo Jardim, foi a melhor atuação do meia sob o comando da atual comissão. Porém, o camisa 20 vinha sendo reserva nas últimas partidas. Quem sai para o cria do Ninho entrar?
— Não briga (por vaga) com ninguém. Eu estava falando com o Paquetá agora no final do jogo e dando os parabéns, porque acho que fez um dos melhores jogos conosco. Já fez bons jogos, mas hoje fez um grande jogo, competente. No primeiro tempo como meia e no segundo como volante. Eu disse: “sua transferência foi cara porque você joga em mais do que uma ou duas posições. Por isso vale mais do que aqueles que só jogam em uma —, iniciou Leonardo Jardim.
— É um pouco isso na brincadeira, mas um pouco a sério. É um jogador com polivalência, que acreditamos, importante na estrutura. Mas vou fugir mais uma vez daqueles 11, que tem que discutir a posição. Não, onde precisarmos ele joga. Temos seis que gostam de jogar como volantes, mas o Flamengo tem que ter soluções para as várias necessidades. Estou satisfeito com essa polivalência que ele apresenta. Não por acaso na seleção jogou mais no corredor, se é um jogador que gosta de ser convocado tem que dar essas alternativas ao treinador —, acrescentou o técnico.
Paquetá fez o segundo gol na vitória sobre o Mirassol. Além disso, o meia atuou como 10, como 8 e até como 5 em alguns momentos. Com o resultado, o Flamengo pulou para 51 pontos e está a um do líder do Brasileirão, o Palmeiras.
REFORÇO
Ainda na coletiva de imprensa realizada no Maracanã, Leonardo Jardim foi perguntado sobre as características de Joaquín Freitas, atacante adquirido junto ao River Plate (ARG). O português traçou uma comparação com Wallace Yan, que deixou o Flamengo para atuar no Bragantino.
— São jogadores diferentes, mas que fazem o papel de atacante e segundo atacante. O Freitas pode jogar como segundo atacante, como ponta, tem mais versatilidade que o Wallace. O Wallace é um ponta mais de movimentos, é um jogador jovem, que estava aqui há dois, três anos e queria jogar mais. Uma das coisas que eu tinha falado com ele era para ver o mercado, se tiver muita utilização, não vou deixar sair, mas se jogar bem, é certo que queria ir para um clube para jogar mais do que joga aqui. Espero que consiga se afirmar porque é um bom garoto. Consiga se afirmar na sua carreira e concretizar seus objetivos —, analisou.
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Conhecimento sobre o Mirassol
— Nós tínhamos um conhecimento grande do adversário porque é o quarto jogo que faço contra o Mirassol. Conheço bem o treinador, gosto muito dele porque tem uma ideia de jogo que eu também acredito, uma equipe “pressionante”, que sobe as linhas e encurta. Sei que nós temos sido extremamente competitivos para jogar contra a equipe deles, porque se deixarmos para circular e tocar a bola, eles vão encurtar as linhas e criar problemas. Ano passado no jogo contra o Flamengo tiveram 60% de posse de bola, foi a exceção, porque o Fla sempre tinha mais que os adversários – analisou.
— Acho que pressionamos bem, chegamos ao 2 a 0 e depois conseguimos muitas vezes em um bloco médio defender e não deixar criarem grandes situações. Algumas decisões poderiam ser melhores no segundo tempo para construir outras situações de ataque, mas o importante é conseguir os três pontos. Disse aos jogadores que estou aqui há seis meses e ouço falar desse jogo há seis meses. Para as pessoas o normal era que os três pontos já estivessem conquistados, mas no futebol a realidade é que tínhamos que conquistar dentro de campo – completou.
Gestão do elenco
— Eu no último jogo, disse que o Flamengo não era só o 11. Ah, e eu fui para casa pensando nisso assim. O Flamengo não é só 11, são todos os jogadores. É a mesma coisa do que nós compararmos os torcedores do Flamengo. Não são só os que estiveram hoje no estádio. O Flamengo são os torcedores no estádio e os que estão nos vários estados do Brasil. Os que estão nas comunidades. Nós passamos numa comunidade, que é a Mangueira. Eles estavam lá apoiando, quando o ônibus passa. O Flamengo é também a torcida no estrangeiro, como foi em Portugal. Por isso a equipe do Flamengo não é só 11. É aqueles que jogam, aqueles que não jogam, são esses todos. Por isso temos que gerir dessa forma.
— Eu tenho 20 e tal jogadores e vou aproveitar que ganhei agora um reforço extra, o Plata. Estou satisfeito, ele é uma boa solução e pronto. Tentamos aproveitar da melhor forma para ter jogadores competitivos para esses duelos todos que vêm. Mesmo que alguns descansem, outros jogam, iniciam onde podem entrar na segunda parte. É essa dinâmica que eu gosto de gestão de equipe.
Renovação do Pulgar
— O Erick é um jogador com quem temos trabalhado. Mais do que eu renovar o jogador, foi o clube. O clube é que é responsável por isso. Penso que a renovação foi um acerto entre as duas partes e permitiu que o Pulgar continuasse conosco, porque é um jogador importante dentro da estrutura da equipe, pela sua qualidade, pela sua intensidade e pelo seu caráter.
Pressão ofensiva
— (Credito ao) trabalho coletivo. O futebol tem que ser mais que as individualidades. Trabalho coletivo, uma ideia de pressão para recuperar. Os jogadores tentam se coordenar para roubar a bola num ponto mais alto. Esta equipe não era fácil, com um goleiro que joga bem com os pés, zagueiros que também saem bem. Na primeira partida fomos bem, depois com o resultado, não podíamos estar 90 minutos saltando na pressão, diminuímos um pouquinho. Foi um resultado justo pelo que aconteceu.
Jogadores polivalentes
— Tento escalar sempre a melhor equipe. Treino com os jogadores, sei o que pretendo, analiso também a fadiga, porque temos um departamento de fisiologia, e depois penso na ideia de jogo, naquilo que quero para a partida. A partir disso, vou escalando. Por exemplo, hoje eu queria o Carrascal num jogo mais interior e o Paquetá também ocupando esse espaço. Isso liberava o Varela, porque eles atacavam com apenas um jogador pelo corredor. O lateral-esquerdo deles, o Reinaldo, vinha por dentro, então eu queria que o nosso meia pela direita fechasse o espaço interior, formando quase uma linha de três médios. O Carrascal fazia isso e, quando caía por dentro, o Paquetá também fazia. Era o que tínhamos definido. Queria esse jogador por dentro porque liberava mais o Varela e criava um problema para os três zagueiros deles. Teriam apenas o Pedro para marcar e um dos outros precisaria baixar para o meio-campo. Assim, criamos um desequilíbrio, tivemos mais capacidade com a bola e encontramos alguns espaços por dentro, inclusive na jogada do gol. E também temos aquela saída que vocês sabem que eu gosto: quando as equipes tentam pressionar mais alto, ter a bola nas costas para acelerar o jogo. É tentar ter, dentro da mesma equipe, diferentes ideias: com bola, sem bola, defendendo mais alto ou mais baixo. É isso que tento fazer. Às vezes também erro, às vezes não acerto, mas tento muito.
