Ginno Ortiz, jornalista equatoriano, conversou com o Coluna do Fla
“Independiente del Valle (EQU) tem totais condições e boas chances de brigar pelo título desta Copa Libertadores”. Dessa forma que Ginno Ortiz, jornalista equatoriano, resumiu o que o Flamengo terá pela frente nas duas próximas quintas-feiras (10 e 17), pelas quartas de final. Em longo bate-papo com a reportagem do Coluna do Fla, o repórter dos portais ‘Diario Extra’ e ‘Expresso Ecuador’, trouxe detalhes da equipe e fez uma análise surpreendente de Anthony Valencia.
— Eles gostam de jogar dominando. O Independiente del Valle sempre vai para cima, está sempre atacando, toma conta da posse de bola, troca passes… Tem jogadores de muita qualidade técnica, como Junior Sornoza, o Jordy Alcívar, o Emerson Pata, o Aron Rodríguez, e até mesmo a saída de bola com os zagueiros é muito boa, com Carabajal, Schunke, e o Romero também —, disse Ginno.
— São ótimos jogadores que tratam bem a bola, o que permite ao Independiente del Valle, somado à ideia tática do técnico Joaquín Papa, ir para cima, atacar, dominar e encurralar o adversário na sua própria área, para que assim não tenham chances de fazer gol ou de criar jogadas de perigo. O que posso garantir é que o Independiente del Valle é um time muito bem estruturado e que tem totais condições e boas chances de brigar pelo título desta Copa Libertadores — algo que já vem provando ao longo da própria competição —, acrescentou o equatoriano, em conversa com Pedro Paulo Catonho, do Coluna do Fla.
VALENCIA VOLANTE?
Aproveitando o bate-papo sobre o Independiente del Valle, a reportagem do Coluna do Fla perguntou para Ginno sobre Anthony Valencia, novo reforço do Flamengo e cria da equipe de Quito. O jornalista surpreendeu e contou que o ponta pode até atuar como volante, como um ‘camisa 5’.
— Um jogador ofensivo, um atacante que ia para cima e tudo mais, que tem um bom domínio de bola, bom drible e que pode te surpreender criando uma jogada individual, um chute ou uma grande assistência. Só que jogando pela Seleção, neste caso com o técnico Beccacece, ele demonstrou que também pode agregar em outras posições. O Beccacece o posicionou inclusive como um primeiro volante (um “cinco”). Um primeiro volante que era o primeiro a recuar para pedir a bola e, vindo de trás, dar o passe em profundidade para os atacantes. E ele fazia isso na Seleção —, destrinchou.
— E não é que ele simplesmente recuava para buscar a bola e saía se mandando para o ataque. Não. Neste caso, ele pegava a bola, recuava e ficava por ali, sendo a base da equipe — no caso, quando jogou os amistosos —, permitindo que o Castillo avançasse, assim como os laterais e todo o resto, porque o Anthony Valencia tem uma saída de bola de muita qualidade. Então, nós consideramos o Anthony um jogador de ótimo refino técnico, que hoje pode cumprir diferentes funções no meio-campo e que, obviamente, será muito importante para a nossa Seleção —, colocou Ginno.
FLAMENGO E DEL VALLE
Flamengo e Independiente del Valle se enfrentam pelo jogo de ida das quartas de final nesta quinta-feira (10), no Estádio Olímpico Atahualpa, na altitude de Quito, a 2850 metros acima do nível do mar. Ainda no bate-papo com o jornalista, o Coluna perguntou pontos forte, fracos, esquema tático favorito, a influência da altitude, respeito por Plata e muito mais. Confira, abaixo, a entrevista na íntegra.
ENTREVISTA COM GINNO ORTIZ, JORNALISTA EQUATORIANO
BASE FORTE
O Independiente del Valle é uma equipe forte demais para o futebol equatoriano e, obviamente, isso se refletiu no futebol sul-americano. Isso porque é um time que dá continuidade aos seus elencos. A que me refiro? Eles trazem muitos jogadores, da mesma forma que revelam muitos jogadores, mas esses atletas que chegam se tornam a base da equipe. Foi o caso do Schunke, o caso do Carabajal, o caso do Jordy Alcívar, Jhegson Méndez, Junior Sornoza… jogadores que também saíram das categorias de base, em alguns casos, saíram da base do Independiente del Valle, mas que trouxeram de volta e se tornaram grandes referências do clube.
Da mesma forma, todos esses garotos que eles conseguem promover, eles não vendem de forma desesperada. Primeiro dão o devido processo, vão trabalhando até que cresçam e atinjam a maioridade, que é o caso do Justin Lerma — talvez você conheça, que acabou de ir para o Borussia Dortmund (ALE) —, e o caso dos irmãos Quintero, que neste caso, veja só, já estão sendo titulares no Independiente del Valle. E assim é o caso de muitos garotos.
PONTOS FORTES
Portanto, ter essa continuidade no elenco permitiu que se tornassem um time forte e com uma identidade de jogo clara. Essa identidade de jogo do Independiente del Valle de ter a posse de bola, de atacar, de ser dominante tanto em seu estádio quanto como visitante, é um futebol que eles vêm praticando há muitos anos e que, obviamente, foi proporcionado por ter muitos jogadores mantidos no elenco e, claro, atletas de altíssimo nível.
Essas são as fortalezas do Independiente del Valle: ter um time compacto, uma equipe que sabe tratar bem a bola e que se conhece muito bem, desde os garotos até os mais experientes. Porque aqui no Equador os mais velhos, como o Junior Sornoza — falo das referências —, o Junior Sornoza, Charly González, e por aí vai, são muito próximos e a gente os vê em eventos com as categorias de base do Independiente del Valle. De lá inclusive já saiu o Emerson Pata, que veja só, hoje é titular no time.
Essas são as principais virtudes que considero no Independiente del Valle. Ter um elenco muito forte permitiu consolidar sua ideia de jogo para dominar tanto em âmbito local quanto internacional. Inclusive, veja bem, o Independiente del Valle tem um elenco muito amplo. No campeonato equatoriano eles jogam praticamente só com os reservas. Aqui eles não usam os titulares que vocês veem na Copa Libertadores. Às vezes, em certas partidas, dão rodagem aos titulares para manter o ritmo de jogo, colocando-os no decorrer do jogo, mas no futebol equatoriano eles dominaram praticamente com o time reserva. É por isso também que os titulares chegam com um ótimo preparo físico para brigar em qualquer campo.
PONTOS FRACOS
Os pontos fracos… Olha, o Independiente del Valle tem se mostrado uma equipe muito sólida tanto em casa quanto fora, no torneio nacional e no torneio internacional. O Independiente del Valle, pelo que se pôde ver, não joga da mesma maneira em casa e fora de casa. Recentemente, no confronto que foi pelas oitavas de final, na Colômbia eles conquistaram uma vitória muito boa. Pensava-se que iriam golear, porque o Independiente del Valle é um time que goleia muito no futebol equatoriano, mas ali vimos que eles têm essa versatilidade, de também adotar esse papel para defender um resultado. Neste caso, sabendo que em um confronto de mata-mata é muito importante conseguir um bom resultado fora de casa para poder selar a classificação em casa.
Em casa, eles tiveram uma partida melhor, obviamente. Sofreram um gol — um golaço! marcado pelo time colombiano (Tolima) —, mas fraquezas, o que eu poderia te dizer como tal neste caso jogando em casa, é que sim, viu-se em partidas que o time deu uma se acomodada, que deu uma relaxada, levou um gol, dois gols… mas eu acho que essa é a fraqueza: o excesso de confiança que agora tem o Independiente del Valle, que às vezes os faz dar certas brechas na defesa, embora seja muito difícil, acredite em mim, fazer um gol no Independiente del Valle, tanto em nível nacional quanto internacional.
Mas por aí, acho que essa é a fraqueza. Porque mesmo quando enfrenta adversários que vêm para se fechar na sua casa, eles dominam a bola, ficam no “ataca, ataca”, e não é apenas por uma via, né? Digamos, não apenas pela linha de fundo. Não, eles buscam de diferentes maneiras: infiltram pelas pontas, buscam pelo centro, mandam cruzamentos altos… porque além do mais têm jogadores de características variadas. O Charly González, que pode ir pivotear, brigar com os zagueiros, dar uma cabeçada, tudo aquilo; e da mesma forma, pelas pontas, tem o Emerson Pata, também o Arón Rodríguez ou o Matías Perelló, que podem ir até a linha de fundo, cortar para dentro e soltar uma finalização de fora da área. O mesmo com os meias, Junior Sornoza, e no caso do Alcívar — que não sei se será titular nesta partida, já que o Méndez está com um incômodo —, mas são jogadores que chutam muito de longe também quando o adversário se fecha. Eles têm muitas opções para atacar.
FATOR ALTITUDE
Historicamente, vimos que a altitude jogou um papel importante às vezes para certas equipes, para conseguir obter títulos e também somar pontos importantes. Sem dúvida, eu considero que, hoje em dia, pela tecnologia que temos e tudo mais, e no caso do Flamengo, que é um time milionário para a América do Sul, eles têm a tecnologia necessária para assimilar ou, pelo menos, trabalhar para fazer um bom papel na altitude.
Além disso, o Flamengo é uma equipe para a qual não é a primeira vez jogando na altitude; eles estão sempre fazendo isso contra adversários que atuam na altitude e têm conquistado excelentes resultados. Então, por aí, eu acho que, de certa forma, a altitude pode sim cumprir um papel, porque só de falar em altitude já representa um certo medo para o adversário.
Contudo, considero que o Flamengo, neste caso, também tem uma tecnologia muito boa para assimilar essa questão do desgaste físico e chegar para fazer uma boa partida aqui em Quito. A altitude poderia sim ter o seu peso, mas o Flamengo é um clube milionário, que conta com excelentes jogadores que já conhecem a altitude, já jogaram nessas condições e trabalham muito bem.
ESQUEMA DO DEL VALLE
Com seu time reserva e alternando os titulares — sendo os titulares os que jogam a Copa Libertadores —, eles goleiam aqui por três, quatro, cinco gols, e raramente sofrem gols.
Sobre o esquema tático em que o Independiente del Valle costuma atuar: eles sempre se posicionam com uma linha de quatro (dois laterais e dois zagueiros). O primeiro volante é sempre o Alcívar ou o Méndez, para dar liberdade de ataque tanto ao Sornoza quanto ao Quintana. Pelas pontas, Emerson Pata e Aron Rodríguez — que acreditamos que serão os titulares —, além de tudo, são excelentes jogadores que sobem e descem o tempo todo. Inclusive o Aron Rodríguez, ao jogar pelo lado direito, quando o Independiente del Valle recompõe a marcação, faz uma espécie de ala/lateral-direito para formar uma linha de cinco, enquanto o Romero, que é o lateral-direito da linha de quatro inicial, vira um terceiro zagueiro.
O Independiente del Valle tem essa versatilidade: atacando, pode ser um 4-5-1 ou um 4-3-3; mas defendendo, pode mudar… pode manter essas formações ou recompor montando uma linha de cinco com o Aron Rodríguez voltando pela direita. Dessa forma, deixam apenas o Medina isolado na frente, enquanto no meio ficam os quatro: Emerson Pata, Junior Sornoza, Quintana e, neste caso, o Méndez ou o Alcívar.
MELHORES DO TIME
O Independiente del Valle tem muitos jogadores bons, tanto os garotos quanto os mais experientes que trouxeram. O Charly González é o artilheiro do Independiente na Copa. O Junior Sornoza é o encarregado de articular o jogo, é um jogador de muita movimentação, que percorre bastante o campo, recua bastante para receber a bola e também para armar as jogadas. Em certas ocasiões, até avança muito rápido para conseguir finalizar ou dar o passe decisivo para servir os atacantes.
O Charly González vive um momento excelente, fica ali bem posicionado na área e cada bola que sobra para ele, ele manda para a rede. No campeonato equatoriano, ele nem é o titular absoluto, o titular é o Djorkaeff Reasco, mas quando o Charly González entrava, também acabava fazendo gols.
Na defesa, o Carabajal é o líder do setor. Ele controla muito bem os tempos de jogo, mantém a linha defensiva muito organizada. Quando acontecem aquelas variações, de mudar de uma linha de quatro para uma linha de cinco, ele é o responsável por organizar e alinhar toda a defesa para que essas mudanças táticas funcionem bem em campo.
Além disso, os laterais também são muito bons. O Romero apoia bastante o ataque, e os pontas — especialmente o Emerson Pata, que é quem mais se destaca no setor ofensivo — é um jogador que consegue ganhar a linha de fundo com facilidade, driblar o marcador e cortar para dentro da área para finalizar, ou então arriscar chutes de fora da área; ele surpreende bastante nas finalizações de longa distância.
MOMENTO DO DEL VALLE (16 VITÓRIAS SEGUIDAS, MAS QUE FOI QUEBRADA RECENTEMENTE)
As 16 vitórias, inclusive aqui no futebol equatoriano, foram muito comemoradas e comentadas, porque foi uma sequência excelente do Independiente del Valle. Sendo 16 vitórias somando LigaPro (Campeonato Equatoriano), Copa Equador e Copa Libertadores.
Dizer a você que este é o melhor Independiente del Valle da história é algo que eu não saberia afirmar, até porque o clube já disputou uma final de Libertadores fazendo uma campanha brilhante e eliminando grandes adversários em 2016 — infelizmente perdeu aquela decisão para o Atlético Nacional —, além de já ter conquistado a Copa Sul-Americana dominando o torneio e vencendo vários rivais.
De qualquer forma, esta equipe atual, embora não conte com uma estrela de tanto renome quanto em ciclos anteriores — como foram os casos de Kendry Páez e Justin Lerma, que já saíram, ou do Moisés Caicedo na época dele —, é um time excelente. Trata-se de uma equipe extremamente compacta, muito bem trabalhada e que vem com uma sequência sólida, mantendo atletas que são a espinha dorsal há muitos anos e que inclusive já venceram a Sul-Americana recente levantada pelo clube.
Se é o melhor time? Não sei dizer com certeza se é o melhor de toda a história, pois, como disse, o clube já ganhou títulos de expressão e chegou a uma final de Libertadores. Mas é, sem dúvida, um elenco ótimo, que tem demonstrado pleno domínio tanto no âmbito nacional quanto no internacional.
E isso fica claro porque não existe uma única “megaestrela”: todos, de certa forma, são os protagonistas e desempenham papéis fundamentais. É um grupo montado com peças que cumprem suas funções à risca, sem ter uma figura centralizada para a qual o time jogue em função. Pelo contrário: o que brilha aqui é o coletivo, a ideia tática e a equipe como um todo.
O que posso garantir é que o Independiente del Valle é um time muito bem estruturado e que tem totais condições e boas chances de brigar pelo título desta Copa Libertadores — algo que já vem provando ao longo da própria competição.
CAIU DE RENDIMENTO? (GANHOU UM DOS ÚLTIMOS TRÊS JOGOS)
Olha, o Independiente del Valle realmente perdeu sua sequência de 16 vitórias consecutivas, porque nas últimas três rodadas do campeonato equatoriano empatou em 2 a 2 com a Universidad Católica, depois perdeu fora de casa para o Barcelona Sporting Club e, na última rodada, venceu o Macará por 3 a 1 — que também é uma das equipes que vem brigando na parte de cima da tabela.
Contra a Universidad Católica, era uma equipe mista/reserva que vinha dominando, mas infelizmente no final acabaram sofrendo o empate, embora tenha sido uma boa partida do Independiente del Valle. No caso do Barcelona foi parecido: eles saíram ganhando — e neste jogo contra o Barcelona jogaram com os titulares —, vinham vencendo a partida, mas tiveram um jogador expulso que pesou bastante no jogo; o Barcelona foi para cima e acabou virando no último minuto.
Mas já na última rodada, o Independiente del Valle voltou a demonstrar o quanto é dominante. Venceu muito bem o Macará por 3 a 1 — se não me engano, os três gols do Independiente del Valle saíram nos primeiros 15 minutos de jogo —, e a partir daí o time apenas administrou a posse de bola e manteve a vantagem no placar.
Embora sejam resultados que chamam a atenção pela excelente fase que o Independiente del Valle vinha vivendo, não é nada alarmante para a equipe. É preciso levar em conta que a temporada já está avançada, já estamos em setembro, caminhando para a reta final do calendário sul-americano — que costuma ir de fevereiro a novembro ou dezembro, dependendo da liga.
Então, de certa forma, em algum momento o Independiente del Valle — seja com os reservas no torneio local ou com o time principal no internacional — iria tropeçar. O mais importante é que a equipe não caiu em crise e soube reagir rapidamente, como já demonstrou ao vencer o Macará com autoridade, além de ter feito um bom jogo mesmo na derrota para o Barcelona.
Portanto, não é que o rendimento do time tenha caído ou que haja uma preocupação com o futebol apresentado; foram apenas oscilações pontuais de partida. A última rodada contra o Macará provou que o nível continua alto e que, psicologicamente, os jogadores estão muito bem e confiantes.
QUEDA É ‘CULPA’ DO FLAMENGO?
E o que eu poderia te dizer é que, pelas próprias declarações dos jogadores, como o Junior Sornoza e o Perelló, os atletas já estavam pensando no Flamengo também, né? Assim que eliminaram o Tolima, eles começaram a trabalhar já focando no Flamengo, porque obviamente o clube também exige isso. É, acho que o melhor time do continente, então… exige que os jogadores já se concentrem puramente no Flamengo, e também por ser um confronto de quartas de final, que já é mais competitivo e está mais perto do título.
TORCIDA
O Independiente del Valle, por ser um clube novo — não tem muitos anos na primeira divisão do futebol equatoriano —, não tem uma grande torcida. Já se vê nos jogos em seu estádio que eles têm um certo grupo de pessoas que vai apoiar e tudo mais, mas por isso em Quito, propriamente dito, não é como se víssemos um torcedor em cada esquina.
Então, de certa forma, essa atmosfera de torcida do Independiente del Valle não é algo massivo. No entanto, no Equador, como equatorianos, ao ver uma equipe que está nos representando em um torneio internacional, nós damos um certo apoio. Não apenas em Quito, no Equador inteiro há muita expectativa por esta partida — não só a do Independiente, mas também a da LDU (Liga de Quito), que também vai jogar o confronto de quartas de final. A nível nacional, sim, há muita expectativa pelo jogo.
Mas, por assim dizer, a forma como se vive… como o Flamengo vive, que quando joga é uma festa, você vê torcedores por todos os lados, há muita expectativa, sabe-se que se o Flamengo não ganha os torcedores no dia seguinte ficam mal, ou há uma tristeza no ar; não é assim com o Independiente del Valle. O Independiente del Valle não é um clube com multidões de torcedores, mas, nacionalmente, tem o apoio de todos os equatorianos. Isso se nota nos comentários, nas pessoas nas ruas, todo mundo fica muito atento ao jogo.
Vive-se no Equador uma grande expectativa para ver o Independiente del Valle enfrentar o Flamengo, sobretudo porque o Independiente del Valle já demonstrou que tem capacidade para erguer esta Copa Libertadores.
O QUE SABEM DO FLAMENGO NO EQUADOR?
O Flamengo é uma equipe que dispensa apresentações,. Acho que só de falar o nome do Flamengo a gente já sabe a dimensão do clube. Histórico, muitas Libertadores, muito orçamento para trazer grandes estrelas — entre elas vocês têm o Gonzalo Plata, que é da nossa seleção equatoriana.
O Flamengo é um time muito conhecido no futebol equatoriano, porque sempre esteve enfrentando equipes daqui. Sobre as suas estrelas, todos conhecem muito bem: ter Saúl, Nico de la Cruz… muitos jogadores pelos quais pagaram muito dinheiro para serem os destaques da equipe. É algo bem familiar por aqui. Sabemos da grandeza do Flamengo e do nível dos atletas que possui. E não é só um elenco cheio de estrelas, mas sim um time com ótimo funcionamento, que joga muito bem e que, assim como o Independiente, mantém uma ideia de jogo bem estabelecida há muitos anos.
Por isso, aqui no Equador, o Flamengo é visto como um adversário que exige muito cuidado. É preciso estudá-lo, enfrentá-lo com inteligência e estar em um excelente dia para conseguir um bom resultado tanto em casa — o que será muito difícil — quanto fora. Até porque o Independiente del Valle também é muito forte jogando em seus domínios e costuma conquistar ótimos resultados atuando como visitante.
PLATA
Sabemos muito bem que o Gonzalo Plata e o Antonio Valencia agora estão no Flamengo. No caso do Gonzalo, eu acho que da mesma forma não é um jogador que precise de maiores apresentações, né? Nós o conhecemos muito bem, sabemos o que ele representa, é o nosso titular na Seleção, às vezes jogando como ponta-direita, às vezes como atacante, até mesmo jogando como meia atacante.
Então, no caso do Gonzalo, nós sabemos muito bem o perigo que ele representa, e além disso porque é um jogador que conhece muito bem o Independiente del Valle, saiu do clube, conhece muitos jogadores, sabe… e é um atleta que também tem memória de altitude, né?, que já jogou aqui, que quando vem jogar com a Seleção joga na altitude e tudo mais.
Mete medo, sim, é como qualquer outro jogador que o Flamengo tem, não é à toa que trouxeram o Gonzalo Plata para ser titular, podemos até dizer que é uma das suas estrelas. Sabemos o perigo que ele representa. Medo? Não sei te dizer se medo, porque o Independiente del Valle também já demonstrou que não é um time que tem medo de enfrentar ninguém, mas acho sim que é preciso ter muito cuidado com o Gonzalo Plata porque é um jogador extremamente desequilibrante. Eu diria inclusive que é um dos mais desequilibrantes no sentido de drible pela ponta, de ir para cima, que o Flamengo tem.
O Carrascal tem as mesmas características, mas acho que não é de ir tanto à linha de fundo, é de jogar mais por dentro e tudo mais, né?
O Gonzalo sim é um jogador de muita importância, mas que o Independiente del Valle pode sim conseguir neutralizá-lo.
VALENCIA
No caso do Anthony Valencia, o Anthony Valencia é uma das promessas do futebol equatoriano. É um jogador de muita qualidade técnica, que pode atuar inclusive em diferentes posições. Recentemente, nas partidas anteriores à Copa do Mundo — para a qual ele foi convocado e acabou entrando na lista final do torneio —, antes desse jogo nós o conhecíamos muito bem como um meia de ataque. Um meia que sabe armar o jogo. Digamos que ele podia jogar até em uma posição quase extinta, que já não se utiliza tanto no futebol internacional, como uma espécie de segundo atacante/meia-ponta, um meia ofensivo que conduz a bola e a leva para a frente. É uma comparação bem distante, mas digamos que poderia ser como o caso do Diego Ribas quando chegou ao Flamengo, que era aquele jogador que atuava logo atrás do centroavante. Era assim que o conhecíamos. Inclusive, o Valencia podia cair pela ponta direita, jogando pelo lado direito — como já tinha feito na Bélgica — para puxar para dentro e aproveitar muito bem o chute que tem, porque o Anthony tem uma ótima finalização de fora da área e também um excelente passe em profundidade.
Mas, como te digo, nós o conhecíamos assim: um jogador ofensivo, um atacante que ia para cima e tudo mais, que tem um bom domínio de bola, bom drible e que pode te surpreender criando uma jogada individual, um chute ou uma grande assistência. Só que jogando pela Seleção, neste caso com o Beccacece, ele demonstrou que também pode agregar em outras posições. O Beccacece o posicionou inclusive como um primeiro volante (um “cinco”). Um primeiro volante que era o primeiro a recuar para pedir a bola e, vindo de trás, dar o passe em profundidade para os atacantes. E ele fazia isso na Seleção. E não é que ele simplesmente recuava para buscar a bola e saía se mandando para o ataque. Não. Neste caso, ele pegava a bola, recuava e ficava por ali, sendo a base da equipe — no caso, quando jogou os amistosos —, permitindo que o Denil Castillo avançasse, assim como os laterais e todo o resto, porque o Anthony Valencia tem uma saída de bola de muita qualidade.
Então, nós consideramos o Anthony um jogador de ótimo refino técnico, que hoje pode cumprir diferentes funções no meio-campo e que, obviamente, será muito importante para a nossa Seleção.
