Ex-atacante afirma que tinha a 10 garantida em contrato no Flamengo, abriu mão do número para não rachar o grupo e compara o caso a Memphis e Garro no Corinthians
Edílson Capetinha voltou a abrir os bastidores da rivalidade com Dejan Petkovic no Flamengo. Segundo o pentacampeão mundial, o atrito com o sérvio nasceu da disputa pela camisa 10, que o ex-atacante diz ter garantida em contrato ao chegar à Gávea.
O baiano contou que desistiu de reivindicar o número depois de uma conversa com o presidente do clube, Edmundo Santos Silva. Mesmo assim, passou a provocar o companheiro no dia a dia. A partir daí, a disputa de egos chegou aos treinos e às cobranças de pênalti.
Além disso, Edílson comparou o episódio à troca de numeração que envolveu Memphis Depay e Rodrigo Garro no Corinthians. Hoje, Capetinha afirma ter resolvido todas as brigas que colecionou no futebol, inclusive com Petkovic.
Edílson diz que contrato lhe garantia a camisa 10
Na declaração, o ex-jogador reconheceu que a rixa tinha origem fora das quatro linhas. Edílson também citou o colombiano Rincón, com quem atuou no Corinthians, entre os desafetos que já superou:
– Tive algumas brigas no futebol por muita vaidade. Hoje, graças a Deus, resolvi todas. Uma foi com o Rincón, outra foi com o Petkovic, no Flamengo. A do Pet, na verdade, era vaidade pura. Eu queria vestir a camisa 10. Quando cheguei lá, ele já estava com a 10, mas eu tinha no meu contrato que a camisa tinha que ser minha. Na hora, entendi que ele era o principal jogador do Flamengo, e tirar a 10 dele causaria um problema enorme no grupo. Por incrível que pareça, isso aconteceu no Corinthians agora, com o Memphis e o Garro. Não é que teve problema, mas você vê que o rendimento do Garro caiu muito –, disse Edílson, ao GE.
– Enfim, conversando com o presidente do Flamengo, entendi que não tinha necessidade de tirar a 10 do Pet, mas eu jogava na cara dele: “você está com a 10 porque eu quero”. Começou aquela briga de vaidade. Formava o time do Pet nos treinos, o time do Edílson… Na hora de bater pênalti, nós dois queríamos. Foi uma briga enorme, mas dentro de campo a gente se dava bem. Ele fez muitos gols com passe meu, e eu com passe dele. A vaidade era só fora de campo –, acrescentou.
Caso de Memphis e Garro serviu de comparação
A situação citada por Edílson ocorreu no início de 2025. Na ocasião, o Corinthians repassou a camisa 10 de Garro para Memphis, por força de uma cláusula no contrato do holandês.
O argentino passou a vestir a 8 e, depois, admitiu publicamente que não gostou da mudança. Curiosamente, o próprio Edílson participou da cerimônia de entrega do número ao holandês, ao lado de Neto e Zenon.
Por sua vez, a queda de rendimento de Garro mencionada pelo ex-atacante representa uma avaliação pessoal. Edílson, aliás, figura entre os camisas 10 históricos do clube paulista, onde foi campeão mundial em 2000.
Rivalidade não impediu o tri carioca de 2001
Edílson e Petkovic jogaram juntos no Flamengo entre 2000 e 2001. Nesse período, conquistaram a Copa dos Campeões e o Campeonato Carioca de 2001. Em novembro de 2025, o atacante já havia tratado as brigas como absurdas no Charla Podcast.
Naquela entrevista, Capetinha relembrou um lance em que preferiu driblar o goleiro a tocar para o sérvio, livre ao lado. Segundo Edílson, a irritação do companheiro naquele gol marcou o início da rixa.
Apesar do clima tenso, a dupla decidiu a final contra o Vasco, em 27 de maio de 2001. Em resumo, Edílson marcou os dois primeiros gols da vitória por 3 a 1. Depois, sofreu a falta que Petkovic converteu aos 43 minutos do segundo tempo.
