Clube divulgou nota crítica horas antes do anúncio da proibição das apostas esportivas
O Flamengo voltou a criticar o Governo Federal por causa da ameaça de fim das bets. A proibição das casas de apostas esportivas no Brasil tem previsão de ser anunciada nesta sexta-feira (25). Assim, o clube emitiu uma nota com dados e questionamentos sobre o tema, que promete enfraquecer o futebol brasileiro.
O que diz a nota do Flamengo sobre a mudança nas regras?
O Brasil levou anos discutindo como regulamentar as apostas esportivas. O Congresso aprovou, o governo regulamentou, empresas pagaram para operar legalmente no país, fizeram investimentos e passaram a cumprir regras de fiscalização, tributação e proteção ao consumidor.
Não se pode criar uma regra, levar empresas e instituições a assumir compromissos com base nela e, de um dia para o outro, mudar todo o marco regulatório”, diz trecho da nota publicada pelo Mengão.
Por que o clube fala em segurança jurídica?
De qualquer forma, para o Flamengo, o tema não interessa apenas às casas de apostas. Segundo a nota, qualquer pessoa, empresa ou instituição que invista e faça planos de longo prazo no país depende da mesma garantia. Contudo, o texto reforça que nenhuma regulamentação é intocável.
O que mostram os dados citados pelo Flamengo sobre o mercado ilegal?
Então, o clube cita pesquisa do Instituto Locomotiva, feita em maio de 2026 com 2.291 apostadores em todo o país. Portanto, os números reforçam a preocupação do clube com o avanço do mercado ilegal.
Segundo estudo da LCA Consultores baseado nesse levantamento, entre 38% e 44% do valor apostado on-line no Brasil ocorre hoje em plataformas clandestinas. Logo, esse percentual caiu depois da regulamentação: a faixa era de 41% a 51% em 2025.
O Flamengo defende manter as regras como estão hoje?
Não. A nota reconhece que o Brasil precisa combater o jogo ilegal e proteger a população. No entanto, o clube defende que o país também precisa preservar a segurança jurídica, a capacidade de investimento e a sustentabilidade das instituições esportivas.
Esse é o primeiro posicionamento do Flamengo sobre o tema?
Não. O clube já havia assinado, ao lado de outros times do Brasileirão, o manifesto “Fim do Futebol” contra a proposta do Governo. Afinal, a Betano, patrocinadora máster do Flamengo, já avisou o clube, de forma informal, sobre a possibilidade de encerrar o contrato.
Assim, o acordo prevê R$ 268 milhões por temporada até 2028, valor em risco em caso de proibição. Dessa forma, o Rubro-Negro avalia alternativas, como a Lubrax, para o espaço no uniforme. Enquanto isso, clubes da Série A e B negociam crédito com o BNDES para reduzir o impacto financeiro.
Veja nota do Flamengo na íntegra:
O Brasil levou anos discutindo como regulamentar as apostas esportivas. O Congresso aprovou, o governo regulamentou, empresas pagaram para operar legalmente no país, fizeram investimentos e passaram a cumprir regras de fiscalização, tributação e proteção ao consumidor.
Não se pode criar uma regra, levar empresas e instituições a assumir compromissos com base nela e, de um dia para o outro, mudar todo o marco regulatório.
Nenhuma regulamentação é intocável. Se existem problemas, as regras precisam ser aperfeiçoadas. Se precisam ser mais duras, que sejam. Quem descumpre a lei deve ser punido. Mas existe uma diferença fundamental entre aperfeiçoar uma regulamentação e simplesmente desmontá-la.
Isso é uma questão de segurança jurídica.
E segurança jurídica não interessa apenas às empresas de apostas. Interessa a qualquer pessoa, empresa ou instituição que invista, contrate e faça planos de longo prazo no Brasil confiando nas regras estabelecidas pelo próprio Estado.
A mudança atinge em cheio o esporte brasileiro.
Uma decisão dessa dimensão afeta o futebol profissional, as categorias de base, o futebol feminino, os esportes olímpicos e os campeonatos.
O esporte brasileiro não pode ser analisado apenas a partir da realidade financeira dos clubes de maior receita. E não são atingidos apenas os clubes, é uma cadeia que recebe um impacto imediato: empregos diretos e indiretos, empresas de comunicação, marketing e tecnologia, fornecedores, arenas, prestadores de serviços e toda uma cadeia econômica.
Atinge também a arrecadação pública. O mercado regulado gera recursos por meio de impostos e das destinações previstas em lei, que chegam aos cofres públicos e são destinados a áreas de interesse da sociedade.
Enfraquecer o mercado legal pode produzir uma combinação especialmente ruim: menos recursos para o esporte e menos arrecadação para o país.
E o brasileiro ficará mais protegido? Essa talvez seja uma das perguntas centrais dessa discussão.
Proibir as empresas que operam legalmente não significa acabar com as apostas. O jogo não desaparece e o mercado clandestino, que representa parcela expressiva da atividade, vai crescer e ocupar esse espaço.
Pesquisa do Instituto Locomotiva, realizada em maio de 2026 em todo o país com 2.291 apostadores, aponta a presença relevante de práticas associadas ao mercado ilegal. Estudo da LCA Consultores, baseado nessa pesquisa, estima que entre 38% e 44% do valor apostado online no Brasil ocorra atualmente em plataformas clandestinas.
Há um dado particularmente importante: a participação estimada do mercado ilegal caiu depois da regulamentação, passando daquela faixa de 41% a 51% em 2025 para 38% a 44% no primeiro semestre de 2026.
O jogo não vai acabar com uma canetada. O que acaba é a parte que o Brasil consegue regular, fiscalizar, tributar e responsabilizar.
E o resultado pode ser menos segurança para quem investe, menos recursos para o esporte e para o país e menos capacidade de fiscalização sobre a atividade.
O Brasil precisa combater o jogo ilegal.
Precisa proteger sua população.
Mas também precisa preservar a segurança jurídica, a capacidade de investimento e a sustentabilidade de suas instituições esportivas.
O esporte brasileiro não pode ser enfraquecido por uma decisão que não elimina o jogo, não elimina o mercado ilegal e ainda coloca em risco os investimentos, os empregos e os compromissos construídos dentro das regras que o próprio país estabeleceu.
