No Flamengo é engraçado e repetitivo como ante qualquer insucesso no futebol ou crise financeira, quem está no poder tem o péssimo hábito de responsabilizar gestões anteriores pela situação do momento. Quero que alguém me diga quando no Flamengo alguma diretoria assumiu sem ter encargos de administrações passadas. Nós mesmos, quando assumimos em 95, de cara, tivemos que injetar do próprio bolso, o equivalente a um milhão e oitocentos mil dólares, para que pudéssemos começar sem ter vergonha de encarar funcionários e atletas que estavam há quatro meses sem receber seus salários. Além disso, inúmeras ações que nasceram no passado, estouraram durante a nossa gestão, inclusive uma em que se não “inventássemos” dinheiro, o clube perderia o passe de Sávio que estava como garantia de uma dívida não paga. Portanto, sugiro que não se perca tempo buscando desculpas para o momento que não é bom. Ninguém é bobo e esta historinha já está cansando. Por favor, ocupem o tempo buscando soluções. De historinha do boi Tatá já está todo mundo de saco cheio.
Banco Central
Injusta a publicação no Lance, na coluna De Prima, dando conta de que a dívida do Flamengo junto ao Banco Central ocorreu na década de 90 e, principalmente na minha gestão. Ontem, aqui já expliquei que a operação realizada em 98, quando Real Madrid e Flamengo concluíram uma operação de troca de jogadores, com Sávio indo para o Real Madrid e o clube espanhol colocando no Flamengo, seus jogadores Zé Roberto e Rodrigo Fabri e garantindo junto ao Valencia e Palma de Mallorca, respectivamente, Romário e Palhinha, para o Flamengo, tudo isto sem que houvesse qualquer remessa de dinheiro para o exterior ou entrada de dinheiro no Brasil. Acho que já é hora de todos entenderem que o presidente do clube não bate o córner e corre para fazer o gol de cabeça. Embora o regime seja presidencialista, há toda uma estrutura em que, cada vice-presidente responde por sua respectiva área. Esta operação teve os carimbos das vice-presidências, Jurídica e Financeira. Independente disto, quando deixamos a presidência em 98 nada havia com relação a este fato. A ação do Banco Central ocorreu muito depois e, em nenhum momento, eu ou qualquer outro membro da nossa diretoria, recebemos qualquer chamado do clube para que pudéssemos ajudar a esclarecer o tema ou ajudar na defesa do clube. E mais: Não tenho a menor ideia de como, ao longo do tempo, o Flamengo vem fazendo a sua defesa. Se por acaso for parecido com a do assunto Shopping Center, já dá para se entender como esta dívida cresceu tanto.
Fonte: Blog do Kleber Leite

