Um sentimento de nostalgia paira no ar brasileiro. Vinte anos distante, 1994 reapareceu. Velhos conhecidos voltaram, deram as caras, evocaram sentimentos vitoriosos. Protagonistas de glórias no esporte surgiram como soluções para o futebol — internacional e nacionalmente. Primeiro, um figurante do tetracampeonato na Copa do Mundo foi anunciado. Terceiro goleiro daquela conquista, Gilmar Rinaldi assumiu a coordenação das Seleções da CBF. Em seguida, na terça-feira, Dunga, em movimento impopular, foi anunciado pela entidade como “novo” treinador do time canarinho.
Stay (I missed you), de Lisa Loeb e Nine Stories, uma das músicas mais tocadas de 1994, bem poderia fazer parte da trilha sonora da volta de Dunga. E a saudade trouxe mais memórias daquele ano. Empolgado com a possibilidade de repetir o sucesso da Copa dos Estados Unidos, o treinador convenceu outros dois símbolos de 94. Taffarel topou assumir a preparação de goleiros, cargo exercido por ele até esta semana no Galatasaray, da Turquia. Mauro Silva volta à Seleção como segundo auxiliar de Dunga — um cargo rotativo. “Vamos chamar jogadores que já foram campeões do mundo para termos esse DNA em nossa equipe”, argumentou o treinador. Ou seja: vem mais gente de 1994 por aí.
Temeroso, sem ter para onde fugir na tabela do Campeonato Brasileiro, o Flamengo recorreu ao mesmo ano. Vanderlei Luxemburgo foi o escolhido para assumir o abacaxi deixado por Ney Franco. Se está na hora de cair na real, o clube carioca apostou no técnico bicampeão brasileiro com o Palmeiras em 1994, mesmo ano em que a atual moeda entrou em circulação. Ali, na segunda conquista consecutiva do Brasileirão, começava a extensa carreira de Luxa com a prancheta e os ternos bem cortados. O Palmeiras foi a vitrine para Vanderlei. Munido de dezenas de títulos, ele chegaria à Seleção Brasileira e ao Real Madrid.
A história prega peças. Às vezes, se repete vitoriosa; outras, decepciona. O 1994 que o torcedor brasileiro e o rubro-negro querem reviver não é o das mortes de Ayrton Senna, de Dener. De tristeza, eles estão fartos. O Brasil se recupera de um vergonhoso 7 x 1 em casa. O Flamengo, lanterna, vive o pior início de Campeonato Brasileiro na era dos pontos corridos. A esperança da repetição do sucesso é aguardada. Breathe again (respire novamente, em tradução literal), diria Toni Braxton, outro top 10 de 1994.
Fonte: Super Esportes

