Tivesse a Gávea alto-falantes com som ambiente e a música “Não aprendi dizer adeus”, sucesso da dupla sertaneja Leandro e Leonardo, tocaria com frequência. Romper relacionamentos não é o mesmo o forte da gestão de Eduardo Bandeira de Mello. O curto-circuito na decisão da saída de André Santos foi apenas mais um de vários capítulos que vieram a público e mostraram desentendimento entre cartolas, jogadores e dirigentes. Desde o primeiro mês de gestão.
Em janeiro de 2013, o primeiro escolhido foi Vagner Love. Melhor jogador da equipe, ele foi devolvido ao CSKA, da Rússia, devido a uma política de corte de custos. Apesar de conceder entrevista coletiva ao lado do presidente Bandeira, Love não escondeu o desconforto e, a companheiros, lamentou a forma como fora tratado.
Mas não parou por aí. Além de Love, Ibson, Alex Silva, Renato Abreu, Liedson, Jayme de Almeida e agora André Santos. Mano Menezes também deixou o clube de forma traumática, mas, neste caso, a diretoria rubro-negra não foi responsável direta pelo episódio. Confira abaixo como o atual Flamengo mostra dificuldade ao romper contratos.
Vagner Love – Contratado pela gestão de Patrícia Amorim, era o grande ídolo da torcida e melhor jogador do time. Concentrado no Rio durante a pré-temporada, Love foi chamado pela diretoria e informado que estava sendo devolvido aos CKSA, da Rússia, com quem o Flamengo ainda tinha dívida de seis milhões de euros. O clube alegou não ter condições de pagar o valor e nem mesmo os salários do atacante. Love, abatido, concedeu coletiva de despedida na Gávea ao lado do presidente Bandeira de Mello, tentando amenizar a situação. Mas deixou claro a companheiros que não gostou da maneira como fora tratado e planejava não voltar mais ao clube.
Ibson – Mais um reforço de Patricia Amorim, o volante, prata da casa, era considerado caro para o clube e tinha contrato até meados de 2014. Aos poucos, ele foi encostado, demonstrou irritação e passou a não ser mais relacionado. Fora de ação, treinou à parte até uma resolução de seus empresários com o clube. Foi uma guerra fria. O clube tinha dívida de R$ 2,4 milhões e fez proposta de parcelamento em 24 vezes. Ibson não gostou e ficou irritado. Depois de um bom tempo, o prazo foi reduzido e, em maior de 2013, Ibson deixou o Flamengo rumo ao Corinthians.
Dorival Júnior –Definido a continuar como técnico em 2013, Dorival Júnior fez boa campanha na Taça Guanabara, mas, na semifinal, acabou eliminado pelo Botafogo. Na estreia da Taça Rio, o time perdeu, de virada, para o Resende. A diretoria o chamou para reavaliar o contrato e propôs uma redução salarial de 50%, uma vez que seu vínculo teria reajuste polpudo no meio do ano. Dorival aceitou uma redução de até 40% para continuar. Não houve acordo e o técnico, resignado, acabou demitido e deixou o clube como credor de uma dívida de R$ 3,2 milhões.
Alex Silva –Também considerado caro, o zagueiro teve até chance no início de 2013, mas em abril pediu ao técnico Jorginho para ficar fora do time e acabou afastado. Contrariado, Alex treinou à parte até agosto. Em julho, seu empresário e a diretoria tinham chegado a um acordo para rescindir o contrato válido até o meio de 2014. Mas, no momento da assinatura, as partes se desentenderam e Alex não assinou o termo. Treinando na Gávea, ele esperou mais alguns dias até que um acerto fosse feito e deixou o clube com uma dívida de R$ 2,2 milhões a receber, de forma parcelada.
Renato Abreu – É o caso mais emblemático. O volante e meia teve contrato renovado pela gestão de Bandeira de Mello até o fim de 2013. Aos poucos, passou a desagradar por atitudes dentro e fora de campo. Durante a paralisação da temporada para a disputa da Copa das Confederações e no mesmo dia da apresentação de Mano Menezes como técnico, o clube publicou uma nota oficial em seu site demitindo o atleta. Mas Renato não assinara distrato algum. Depois, o clube, arrependido e aconselhado pelo departamento jurídico, o convocou de volta para treinar à parte. Renato não voltou e acionou a Justiça para receber a multa integral, de cerca de R$ 1,5 milhão, mais indenização por danos morais por ter se sentido humilhado ao ser dispensado. O caso corre até hoje.
Liedson – Das saídas, certamente a menos traumática. Liedson realizava a pré-temporada com o Flamengo em janeiro de 2013 no Rio, mas seu salário, considerado caro, era empecilho para que continuasse. Acabou emprestado ao Porto por seis meses. De volta da Europa, tinha contrato para cumprir com o Flamengo até o fim de 2013. Por dois meses, treinou à parte na Gávea. No fim de julho, acertou a rescisão de forma amigável e se aposentou.
André Santos – O lateral-esquerdo encabeçava, ao lado de Elano uma lista de dispensas desde maio deste ano. Mas após conversa com o técnico Ney Franco, ambos ganharam uma chance. O mau desempenho do time, no entanto, fez a diretoria informar ao empresário de André que a rescisão seria feita. Depois, o próprio jogador confirmou que fora avisado da dispensa. Diante da grande repercussão, já que André fora agredido no domingo por torcedores, o departamento jurídico, escaldado pelo caso Renato Abreu, orientou o clube a recuar. O Flamengo, então, divulgou nota oficial garantindo a vigência do contrato de André Santos, válido até o fim de 2015. Mas a rescisão ainda assim deve sair.
Fonte: ESPN

