Dentro de campo, Brasil e Argentina não poderão se enfrentar nesta Copa do Mundo. Mas, fora dele, os duelos entre as duas torcidas são frequentes nas arquibancadas e nas portas dos estádios. De um lado, os argentinos provocam com o canto “Decime que se siente”. Do outro, os brasileiros respondem com o hit “Mil Gols”, criado em 2010 pelo administrador Luiz Carvalho, 33 anos, de Guaratinguetá, interior de São Paulo.
Contente e surpreso com o sucesso do canto, ele torce para que este seja o início da mudança de comportamento dos brasileiros nas arquibancadas. Afinal, nos embates entre as torcidas, ainda vê os hermanos à nossa frente.
– A torcida do Brasil não existe. É uma das piores do mundo. Ela não tem música. Não sabe torcer. Não vejo os argentinos como uma referência, mas admito que eles estão na nossa frente. São mais organizados. E isso não foi uma coisa aleatória lá. É fruto de organização. Em cada competição, eles inventam uma música e todo mundo entra junto. Isso precisa ser debatido aqui – destacou.
Na tentativa de mudar essa situação, Luiz Carvalho e mais 29 amigos fundaram em 2008 uma torcida para o Brasil, chamada de Movimento Verde Amarelo. Atualmente, o grupo conta com cerca cem participantes ativos e, no Facebook, tem uma fan page com pouco mais de quatro mil seguidores.
A primeira Copa do Mundo em que foram juntos foi na África do Sul, em 2010. Para a competição, criaram vários cantos. Dentre eles, o “Mil Gols”.
– Surgiu naturalmente. É uma letra fácil e, não sei como, meio que veio pronta na minha cabeça. Cantamos muito ela durante esses quatro anos e explodiu agora. Mais especificamente no jogo entre Argentina e Suíça. Para você ouvir o canto até na televisão, é porque tinha que ter bastante gente cantando. Mas não é fácil conseguir isso. Pessoal pensa que é só distribuir papel na arquibancada, mas não é. Precisa ficar divulgando – afirmou.
Para Luiz Carvalho, o sucesso de “Mil Gols” é apenas um dos pontos positivos desta Copa no Brasil. Segundo ele, os brasileiros despertaram para a importância de se ter uma torcida mais organizada nos jogos.
– Como o Brasil sabe fazer festa, pessoal achava que iríamos saber fazer nos estádios. Mas viram que não. A torcida, por exemplo, poderia ajudar naquele apagão que sofremos contra a Alemanha. O fato da nossa torcida ser fraca não está relacionado ao de que em jogos do Brasil só vão pessoas mais velhas, com dinheiro. Você pensa que a torcida argentina é só de quebrados? Isso é questão de organização e planejamento. Temos um plano e queremos levar em frente. Nosso objetivo é incentivar sem violência – ressaltou.
Fonte: GE
